Fieb, Governo do Estado e Petrobras criam o projeto

02/03/2010



A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Estado e a Petrobras firmaram convênio visando elaborar o Projeto Aliança, um elenco de estudos em áreas como logística de transportes e meio ambiente e outros, que pretende estabelecer as condições para que o Estado alcance novo patamar de desenvolvimento. O projeto será operacionalizado pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Bahia), entidade do Sistema FIEB.


O objetivo do Projeto Aliança é dar suporte ao processo de implantação e licenciamento ambiental de empreendimentos considerados estruturantes para a economia da Bahia – a exemplo do pólo naval – a serem implantados em municípios do Recôncavo, Oeste baiano, Região Metropolitana de Salvador e Litoral Sul, dentre outras regiões.


São considerados estruturantes os projetos que contribuam para alavancar o desenvolvimento socioeconômico da Bahia. Dentre os quais podem ser destacados o polo naval, que está sendo implantado na região do Recôncavo, o adensamento da cadeia petroquímica, a modernização e ampliação dos portos de Salvador e Aratu e a implantação de um complexo logístico integrado unindo a região Oeste ao Litoral Sul, incluindo ferrovia,porto e aeroporto internacional. Este complexo é considerado suporte importante à indução do desenvolvimento econômico e industrial nas regiões Oeste, Sul e Extremo Sul do estado.


O presidente da FIEB, Victor Ventin, destaca que o atual ciclo de industrialização da Bahia,com a atração de novos empreendimentos e a melhoria da infraestrutura logística, exige uma ampla articulação interinstitucional. Para ele, esse projeto é de importância decisiva para a implantação do pólo naval e seus desdobramentos. Além do mais, é também importante porque irá propor uma reflexão sobre a economia baiana e suas oportunidades.


Ventin afirma que "a Secretaria de Indústria e Comércio e a FIEB mostram que a união entre governo e empresários pode render bons frutos. As direções que venham a ser apontadas por este projeto podem resultar em um plano diretor, um mapa do que devemos apoiar e do que é preciso o governo fazer em busca do desenvolvimento da Bahia."


Reinaldo Sampaio,vice-presidente da FIEB e coordenador do Projeto Aliança do lado da FIEB, afirma que estão previstos estudos com ênfase em cadeias produtivas e complexos industriais, com o propósito de construir análises qualificadas sobre as possibilidades de desenvolvimento de novas indústrias no estado, com foco em áreas como petróleo e gás, cadeia produtiva da construção civil, petroquímica, mineral e naval.


"Serão também contemplados planos diretores de desenvolvimento urbano e/ou regional, objetivando a adequação da infraestrutura (urbana, educacional, energética, de transportes, saneamento, comunicação etc) das áreas beneficiárias dos futuros empreendimentos industriais,tendo como pano de fundo a desconcentração setorial e espacial dos investimentos", informa o vice-presidente da FIEB.


O Projeto Aliança também possibilitará aos grandes empreendimentos uma visão prévia de questões ambientais relevantes envolvidas na sua implantação,o que lhes garantirá maior agilidade na relação com órgãos ambientais e a comunidade. Além disso,irá capacitar fornecedores potenciais dos grandes projetos industriais, contribuindo para consolidar uma cultura de responsabilidade sócio-ambiental. "As empresas de menor porte da cadeia produtiva precisam hoje ter não apenas um alto padrão tecnológico e de gestão como também cuidados ambientais que as credenciem como fornecedoras dos grandes empreendimentos", avalia Reinaldo Sampaio.


AGENDA DA INDÚSTRIA


O superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Bahia), Armando Neto, explica que o Projeto Aliança é voltado para o planejamento industrial. Irá contemplar ações de suporte aos novos investimentos e prevê a formatação de uma Agenda da Indústria, incluindo a discussão sobre a questão da logística de transportes na Bahia, especialmente a portuária.


As ações do Projeto Aliança serão desenvolvidas de forma participativa, envolvendo os atores relacionados aos empreendimentos, em três etapas. No primeiro momento, se dará o trabalho de estruturação, com a formação da equipe coordenadora e técnica especializada, detalhamento do processo metodológico de cada uma das atividades a serem implementadas e criação da matriz de atividades e divisão de tarefas, dentre outras ações.


Na segunda etapa acontecerá a mobilização e sensibilização das comunidades circunvizinhas aos projetos, mapeamento e realização de estudos e o assessoramento e treinamento no processo de licenciamento. A terceira e última etapa será de análise e validação trimestral por parte do comitê gestor de estudos desenvolvidos ao longo do projeto.


O Projeto Aliança tem no seu modelo de governança a figura do comitê gestor formado pela FIEB e pelo IEL, Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) e Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária (Seinp). A operacionalização do projeto está sob a responsabilidade do IEL, que tem no seu histórico um portfólio de gestão de mais de 20 projetos.


As ações serão desenvolvidas por quatro grupos de trabalho: o da indústria naval (estaleiros e canteiro offshore); logístico-portuário, no qual está prevista uma revisão do Plano Diretor Portuário do estado; da Agendada Indústria, com foco na reflexão sobre a indústria do futuro; e o de capacitação empresarial, com foco na capacitação de fornecedores e na área de licenciamento ambiental.


POLO NAVAL:SEGMENTO ESTRUTURANTE


Uma das razões que levam à definição da indústria naval como estruturante para a atual conjuntura econômica do estado é que tem grande importância na criação de emprego qualificado. Outro é o efeito multiplicador dos seus empreendimentos sobre outros segmentos, com a implantação de indústrias subsidiárias periféricas.A expectativa do governo do estado é que o polo naval baiano gere, no curto e médio prazos,10 mil empregos diretos, a partir de investimentos que mobilizem cerca de R$ 1,4 bilhão.


Tais investimentos serão influenciados, principalmente, pelo desenvolvimento d aindústria petrolífera, cujos impactos são evidentes não só na indústria naval, como também na petroquímica. A cadeia de petróleo e gás, de acordo com dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia e do Promo Bahia, foi responsável por 35% do valor agregado do estado em2007. Só o segmento de refino representou 25% do ICMS recolhido pelo estado no mesmo ano.


Neste contexto, inflado pelas perspectivas abertas com as descobertas na camada de pré-sal,abre-se um amplo horizonte para a expansão e melhoria da indústria naval, coma crescente demanda por navios, tanques, plataformas, barcos de apoio, navios sonda etc. Para dar conta dessas demandas,investimentos estão sendo feitos em Pernambuco (estaleiro Atlântico Sul), Riode Janeiro (Brasfels, Mauáe EISA) e Rio Grande do Sul (Rio Grande), cujas capacidades de produção já estão esgotadas pela construção de plataformas.


Os impactos econômicos e sociais da atividade de construção naval são expressivos, seja em razão do alto potencial de geração de renda e empregos, seja pelo impacto positivo sobre segmentos como siderurgia, eletroeletrônico, comunicação e novos materiais. A operação, em plena carga, de um estaleiro de grande porte demanda de5 mil a 8 mil empregos diretos, especializados e semi-especializados, e outros 12 mil a 20 mil indiretos.

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