Produção de petróleo e gás natural receberá R$ 920 milhões

26/03/2010


O debate em torno das mudanças das regras de transferências de cotas partes dos royalties sobre pela produção de petróleo e gás natural da União para os estados e municípios – a chamada Emenda Ibsen - vem gerando polêmica e ganhando força. Na Bahia, porém, a questão não vem sendo tratada com a atenção que deveria, especialmente pelo fato de que o Estado será amplamente beneficiado pelas mudanças. Segundo levantamento realizado pelo Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia (IAF), com base nos dados do Portal da Transparência, a Bahia recebeu R$ 303 milhões de royalties referentes a produção de petróleo e gás natural em 2009. Com as novas regras, a projeção feita pelo IAF é de que este total passaria para R$ 920 milhões, o que representaria um incremento considerável de mais de 200%.


A estimativa é do diretor de Assuntos Econômicos IAF, auditor fiscal Sérgio Furquim, que salienta que a Bahia não pode ficar alheia à discussão. “A ausência de uma discussão técnica que aborde, principalmente, a repercussão econômica das alterações propostas pela Emenda de Ibsen Pinheiro nas finanças do Estado da Bahia, pode levar à classe política baiana a subestimar a matéria, fazendo com que o governo Federal ceda às pressões do Rio de Janeiro e recue na aprovação das medidas”, destacou. Segundo Furquim (que também coordena Grupo de Trabalho da Sefaz do Futuro pelo IAF), no ano de 2009 a União transferiu para os Estados e Municípios um total de R$ 9,966 bilhões, sendo que, deste montante, somente o Estado do Rio de Janeiro e seus municípios ficaram com R$ 7,567 bilhões, mais de 75% do total distribuído.


Os valores com as alterações propostas pela emenda Ibsen ficam ainda mais expressivos se for considerada a previsão de expansão da produção de petróleo e derivados existente no site da própria Petrobras, que estima que até o ano de 2020, o Brasil deverá ter dobrado a sua capacidade produtiva. Mantida a previsão, a receita estimada de royalties para a Bahia ficaria em R$ 1,840 bilhões - para se ter uma idéia, a arrecadação de ICMS da Bahia em 2009 não chegou a R$ 10 bilhões. Se for mantido o critério de transferências de royalties atual, que beneficia apenas o Estado do Rio de Janeiro em detrimento de todos os demais, a Bahia receberá apenas R$ 607 milhões, caso se confirme a previsão da Petrobras.


Furquim salienta ainda o Rio de Janeiro não deve se esquecer dos outros investimentos diretamente relacionados às indústrias petrolíferas e que também beneficiam a economia fluminense. Apenas para se ter uma idéia, a FIERJ (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), em seu relatório trianual, estima que entre 2010 e 2012 o Estado do Rio de Janeiro receberá investimentos acima de R$ 120 bilhões em decorrência da exploração do petróleo na região. “Cidades como Campos dos Goitacazes e Macaé, com receitas de royalties de R$ 877 milhões e R$ 355 milhões, respectivamente, chegam a ganhar sozinhas, mais que estados inteiros, como o Espírito Santo, São Paulo e Bahia, gerando um desequilíbrio econômico muito grande entre as regiões, isso é sinal de que o assunto precisa ser repensado”, disse Furquim.


Demonstrativo de Transferências de royalties pela Exploração de Petróleo e Gás Natural elaborado pelo IAF*










































































































































































































ESTADO**


VALORES COM OS CRITÉRIOS ATUAIS DE DISTRIBUIÇÃO 2009


APLICAÇÃO DA NOVA PROPOSTA DE DISTRIBUIÇÃO 2009 (SIMULAÇÃO)


GANHOS COM A APLICAÇÃO DOS NOVOS CRITÉRIOS 2009 (SIMULAÇÃO)


PREVISÃO DE RECEITAS DE ROYALTIES EM 2020 COM A APLICAÇÃO DOS NOVOS CRITÉRIOS***


BAHIA


303.825.622,83


920.246.041,62


616.420.418,79


1.840.492.083,24


MINAS GERAIS


72.081.285,51


896.574.487,10


824.493.201,59


1.793.148.974,20




205.776.819,89


738.990.505,81


533.213.685,92


1.477.981.011,62


CEARÁ


75.524.240,62


619.350.184,20


543.825.943,58


1.238.700.368,39


PERNAMBUCO


72.195.916,52


588.904.222,85


516.708.306,33


1.177.808.445,70


MARANHÃO


30.114.103,06


559.238.752,62


529.124.649,56


1.118.477.505,25


PARANÁ


38.256.592,67


494.048.995,73


455.792.403,06


988.097.991,45


PARÁ


27.219.302,78


479.472.247,53


452.252.944,75


958.944.495,06




75.833.104,06


466.088.780,00


390.255.675,94


932.177.560,01


PARAÍBA


22.510.626,51


395.314.555,41


372.803.928,90


790.629.110,82


PIAUÍ


18.357.954,87


338.880.644,84


320.522.689,97


677.761.289,69




296.084.749,45


327.201.402,90


31.116.653,45


654.402.805,79


GOIÁS


21.857.579,21


324.074.901,46


302.217.322,25


648.149.802,92


ALAGOAS


79.395.662,77


320.889.884,65


241.494.221,88


641.779.769,30




12.640.562,81


279.449.179,59


266.808.616,78


558.898.359,19




201.375.223,60


272.538.780,30


71.163.556,70


545.077.560,61




42.900.298,00


263.551.693,02


220.651.395,02


527.103.386,05




7.567.554.734,50


226.166.076,14


-7.341.388.658,36


452.332.152,27


MATO GROSSO


12.218.650,80


205.725.509,76


193.506.858,96


411.451.019,53


AMAZONAS


209.324.480,12


205.505.258,58


-3.819.221,54


411.010.517,16


ACRE


6.985.380,97


189.261.058,67


182.275.677,70


378.522.117,35




8.153.266,76


180.735.036,58


172.581.769,82


361.470.073,16


AMAPÁ


6.301.309,86


179.821.830,65


173.520.520,79


359.643.661,30


ESPÍRITO SANTO


513.332.274,29


160.986.153,20


-352.346.121,09


321.972.306,41




6.346.886,91


150.237.187,60


143.890.300,69


300.474.375,19


MATO GROSSO DO SUL


9.347.269,86


142.492.436,33


133.145.166,47


284.984.872,67




31.458.057,87


41.226.149,94


9.768.092,07


82.452.299,88





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