Entrevista - James Correia O engenheiro elétrico James Correia, 50 anos, está há apenas seis meses no comando da Secretaria estadual de Indústria, Comércio e Mineração, onde chegou com a determinação expressa do governador Jaques Wagner de se empenhar na modernização, expansão e descentralização do segmento industrial, dinamizar o comércio e acelerar o desenvolvimento do setor de mineração, que oferece atrativo e variado leque de oportunidades de negócios. Os conhecimentos acadêmicos ajudaram muito, pois, além da graduação na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, James possui doutorado em estudos avançados sobre Sistemas de Potência, pela Escola Politécnica da USP, é mestre e doutor na mesma área e, antes de assumir a secretaria, era professor de mestrado da FACS. Mas sua aguda percepção da realidade baiana e visão de planejamento estratégico foram fundamentais para avaliar a importância do patrimônio mineral do Estado, para promover o desenvolvimento do setor e atrair empresários de todo o mundo, interessados em fomentar negócios, gerar empregos e renda e reforçar o empenho no desenvolvimento da Bahia. Isto posto, em meio ao intenso trabalho de uma das secretarias de Estado mais importantes e abrangentes, James Correia não tira o olho e não desvia a atenção do setor mineral. E está satisfeito com os resultados. “ A Bahia é o quinto no ranking de bens minerais do Brasil, e bem perto de subir para a quarta posição. Já somos hoje o maior produtor nacional de urânio, níquel, cromo, salgema, magnesita, talco e barita. Com as várias pesquisas em andamento, nossa participação nesse mercado deve crescer muito ainda. Por isso, cada vez mais, é necessário olhar com muita atenção para a mineração”, pontua. Acompanhe a entrevista concedida ao repórter Sérgio Toniello. A TARDE O senhor sinaliza que muito breve a Bahia será o quarto maior produtor nacional de bens minerais. O que o leva a fazer esta aposta? James Correia – O crescimento do setor tem sido vigoroso nos últimos anos, mesmo com a retração verificada em 2009, em razão da crise que abalou a economia mundial. Nosso crescimento tem sido de tal sorte que em 2007 ultrapassamos Minas Gerais em pedidos de requerimento de pesquisas junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral, com mais de 5.200 pesquisas. Em 2009, por exemplo, tivemos 3.508 pedidos de requerimento contra 3.008 pedidos para Minas Gerais. Esse é um passo vigoroso do segmento e demonstra que muita gente de todas as partes do mundo está procurando minério na Bahia. Os empresários perceberam que nosso Estado tem um grande potencial mineral. Podemos afirmar que a Bahia é a bola da vez pela busca das riquezas de seu subsolo. AT O que a secretaria está fazendo para estimular a implantação de novos projetos minero-industriais, fomentar negócios e incentivar a vinda de novos empresários para operar no Estado? JC – Além de apoiar projetos em andamento, a exemplo da Mirabela, em Itagibá, que vai alçar a Bahia à posição de segundo maior produtor de níquel do País, já em 2010, e da ampliação da Companhia Brasileira de Bentonita, em Vitória da Conquista, que nos transformará no segundo maior produtor do Brasil de bentonita, realizamos forte trabalho de atração de novos investidores do segmento, licitando áreas de mineração com potencial detectado. De 2007 para cá, o governo realizou 47 licitações. Trinta áreas do total licitado foram arrendadas e estão em fase de pesquisa, montagem de infraestrutura e estudos para início das atividades. E, embora sejamos o Estado que tem o subsolo mais estudado do País não nos descuidamos da pesquisa, através da CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, realizando aerolevantamento geofísico. Já catalogamos mais de 40 substâncias minerais, mas o subsolo da Bahia é tão rico que não será surpresa se descobrirmos novos minérios. AT E em relação à infraestrutura das regiões em que existem jazidas e onde as empresas instalam suas unidades de trabalho? JC – Este é um gargalo que está sendo vencido passo a passo, em parceria com a iniciativa privada. Temos trabalhado para melhorar o acesso às minas e o escoamento da produção. Estamos construindo estradas e levando energia elétrica às regiões. No que nos compete, temos utilizado recursos provenientes dos royalties do petróleo que o Estado recebe. Em 2009, apoiamos vários empreendimentos de mineração já instalados ou em processo de instalação, construindo cerca de 70 km de acessos rodoviários pavimentados e encascalhados. E foram realizados estudos para construção de linhas de transmissão de energia elétrica, com extensão total de dois quilômetros para facilitar a implantação de uma indústria de cerâmica no município de São Sebastião do Passé, e um quilômetro para o Galpão do Garimpo da Boa Sorte em Juazeiro. AT Em relação ao escoamento da produção, os empresários de todos os setores produtivos, incluindo o mineral, pedem, sistematicamente, melhorias nas redes ferroviária, portuária e viária para agilizar seus negócios. JC – O governo do Estado está trabalhando para eliminar esses gargalos operacionais, em parcerias com o governo federal e com o setor privado. Estimo que a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul deverão facilitar o escoamento. No âmbito estadual, o governador criou, em 2009, a Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária, que está vinculada à SICM, para acompanhar passo a passo todos os projetos. Vale lembrar que o governo está investindo pesado em grandes projetos estruturantes, como o Porto Sul, um grande complexo logístico-produtivo no eixo Ilhéus-Itabuna, com porto off shore, novo aeroporto internacional, Zona de Processamento de Exportações e polo industrial, interligado pela Ferrovia Oeste-Leste, que integrará o sul-sudoeste da Bahia ao Centro-Oeste brasileiro. A Sudene avalia que, ao longo da ferrovia Oeste-Leste, poderão ser construídas 12 siderúrgicas, facilitando a vida dos empresários e proporcionando geração de emprego e renda. AT A secretaria está estimulando a criação de cursos e firmando parcerias com universidades para a mão de obra especializada? JC – Realmente nossa mão de obra especializada é carente, pois a demanda é cada vez maior. Um grande desafio que temos é o de implementar programas de formação de mão de obra qualificada. Isso leva tempo para dar resultados, por isso, estamos acelerando os estudos e as parcerias para formar técnicos, geólogos, engenheiros de minas. Em parceria com a FIEB Federação das Indústrias da Bahia e com o Sindicato de Mineração da Bahia, estamos elencando as necessidades das empresas e qual o perfil dos profissionais mais requisitados. Já nos contatos com os dirigentes de faculdades e universidades, estamos estimulando a criação de cursos específicos. As respostas começaram a aparecer. A Universidade Federal da Bahia criou o curso de geologia em seu campus de Barreiras. É um começo. AT Além da geração de empregos e do pagamento de royalties, a compensação financeira pela exploração de recursos minerais tem sido eficaz? JC – A compensação financeira é devida pelas mineradoras em decorrência da exploração de recursos minerais. Em 2009, esse tributo federal manteve-se estável em relação ao exercício anterior, o que significa que a crise econômica mundial não afetou significantemente o valor da produção mineral bruta da Bahia, que totalizou R$ 800 milhões, no período de janeiro a setembro. Esse tributo beneficia os municípios produtores de bens minerais, com repasse equivalente a 65% do valor arrecadado no exercício, da ordem de R$ 12 milhões. Nove municípios destacaram-se como os maiores produtores do Estado. Pela ordem: Jaguariri, Brumado, Jacobina, Andorinha, Barrocas, Campo Formoso, Caetité, Araci e Alagoinhas foram os municípios que mais arrecadaram. AT A Bahia tem atraído o interesse de empresários que desejam instalar suas empresas no Estado. A que o senhor atribui este fato? JC – Oferecemos matérias primas, infraestrutura, um parque industrial e mão de obra. A Bahia possui uma localização privilegiada, o que favorece a logística de distribuição nacional da produção. Somos a sexta economia do País e o quinto maior Estado brasileiro em extensão territorial. |
Gente de todo o mundo procura minério aqui
30/03/2010