Bahia espera atrair R$ 6 bilhões para o setor mineral

05/04/2010












Somente no ano passado, foram 3,5 mil pedidos de pesquisa no Estado ? 19,5% do total de todo o País ?, segundo o levantamento do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM)



DONALDSON GOMES



O fazendeiro Pedro Cerqueira tinha razão a respeito do ferro.



Há 25 anos, ele dizia que a propriedade dele estava abarrotada do minério. Segundo a família, o visionário morreu em janeiro, aos 83 anos, ciente de que estava certo. A propriedade está na faixa de 100 quilômetros quadrados em Coração de Maria onde foi identificada uma jazida de ferro, de onde se espera extrair 15 milhões de toneladas por ano. A mais nova descoberta deve atrair para a cidade um investimento próximo a R$ 1,2 bilhão. Neste ritmo, a mineração baiana deve superar os R$ 6 bilhões de investimentos nos próximos três anos.



A explicação para as novas descobertas está no aumento significativo na quantidade pedidos de pesquisas geológicas.



Faz quatro anos que o chão da Bahia é o mais procurado para a atividade. No ano passado, foram 3,5 mil pedidos de pesquisa – 19,5% do total no País, de acordo com o Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM). Nos dois primeiros meses deste ano, o Estado se mantém a frente de estados tradicionais como Minas Gerais, Goias e o Pará.



Até o mês de setembro, a Secretaria de Indústria Comércio e Mineração (SICM) pretende lançar uma estratégia para acelerar o processo de pesquisas de novas áreas.



Aproximadamente 400 áreas da estatal Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CPBM), serão colocadas à disposição da iniciativa privada através de licitação. “Nós temos mais de 1,4 mil áreas para pesquisar e não temos condições de dar conta de tudo”, explica o presidente da empresa, Rafael Avena.



a expectativa no setor é de que a Bahia se torne o terceiro estado na produção de minério do Brasil. Hoje, ocupa a quinta posição. Só no que diz respeito ao minério de ferro, existe a previsão de investimentos de R$ 3,6 bilhões da Bahia Mineração, em Caetité, e outros R$ 1,7 bilhão da Paili Bahia Mineração, em Laje ou Jaguaripe. “Essa expectativa de R$ 6 bilhões é bastante conservadora”, avalia o secretário da SICM, James Correia.



“Se considerarmos os projetos já identificados, vamos superar muito essa expectativa”, acrescentou.



Desenvolvimento Em Coração de Maria, a movimentação econômica começou antes do início da exploração.



Há aproximadamente 300 técnicos ligados à empresa Ferrous Resources do Brasil fazendo pesquisas na cidade, aquecendo o mercado imobiliário local. A casa de cinco quartos da professora Eline de Jesus Santos, que estava alugada para geólogos da empresa por R$ 1 mil foi entregue na última quintafeira. Eles vão para uma outra, de seis quartos e com piscina, pagando R$ 3 mil.



“Vou alugar a minha agora por R$ 1,5 mil”, avisa.



Na praça principal surgem estabelecimentos para a venda de materiais de construção, já que parte da população está preparando as casas para alugar. Um restaurante e pizzaria de Berimbau, cidade vizinha, foi pra lá há 30 dias.



Novidade: abre à noite.



“Eu já estava planejando vir, mas foi muito bom ter encontrado o pessoal da mina”, afirma a proprietária Neuza Nunes



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