TECNOLOGIA Instalada em Feira de Santana, fábrica da Paradise entra em nova fase de expansão
ALEAN RODRIGUES Feira de Santana
Criada em 2001, a fábrica de aviões Paradise surgiu da vontade do baiano Noé de Oliveira Souza, que desde criança era um apaixonado por aviação experimental e sonhava em construir uma aeronave segura, com boa velocidade de cruzeiro, baixo stall (perda de sustentação), boa autonomia e capacidade de carga. Após 35 anos de pesquisas e apesar do preconceito que sofreu, ele montou sua primeira aeronave e daí não parou mais. Conseguiu consagrarse um dos maiores projetistas do Brasil, tendo agora reconhecimento mundial; sua aeronave ganhou certificação pela FAA como Light Sport Aircraft (LSA) e certificação na África do Sul, Estados Unidos e Austrália.
“Todos me chamavam de maluco, até minha família.
Hoje, o ‘maluco’ conseguiu transformar um sonho em um negócio lucrativo, inclusive recebendo, no ano passado, o prêmio de empresa do ano na área de aviação, nos Estados Unidos”, frisa.
Noé de Oliveira diz que apreendeu tudo em livros e chegou a ir até a Nasa, agência espacial norte-americana, para conhecer os projetos de aeronaves. “Contei a um engenheiro a minha história e, meses depois, recebi em casa um projeto das asas utilizadas até hoje em nossas aeronaves, e não paguei nada por isto”, reconhece.
A fábrica de aviões de pequeno porte Paradise Indústria Aeronáutica funciona há menos de um ano em Feira de Santana (a 108 km de Salvador) e terá apoio do governo estadual para a capacitação de mão de obra. A notícia foi dada pelo secretário de Indústria e Comércio, Jaime Correia, semana passada.
“Vamos apoiar a empresa, que tem um potencial econômico enorme. Em maio, começaremos a capacitar pessoal aqui em Feira de Santana e em Salvador. Com isto, conseguiremos que o negócio seja ampliado e aqueça o mercado”, disse o secretário.
Ampliação Em julho de 2009, a fábrica de Noé mudou-se da Ilha de Vera Cruz para Feira de Santana, o que possibilitou a ampliação das instalações e expansão das exportações. A escolha da cidade, de acordo com o sócio Bruno de Oliveira Neto, se deve à localização geográfica estratégica e a disponibilização de recursos.
Ele observou que a cidade está na rota da malha W-20, que liga o Nordeste ao Sul do País, amenizando, assim, os problemas de logística, uma das principais dificuldades para se produzir aeronaves.
“Por estarmos no Nordeste, longe do eixo Rio-São Paulo, temos algumas dificuldades.
Às vezes, a matéria-prima demora a chegar, mas isto tem melhorado aqui, uma vez que Feira de Santana é uma das cidades da Bahia mais desenvolvidas economicamente e é estrategicamente bem localizada”, destacou.
A nova fábrica tem área de 62 mil metros quadrados e produz quatro aeronaves por mês, mas este número deve ser ampliado, até o final do ano, para seis. A expectativa é que se chegue, nos próximos dois anos, a dez aeronaves/ mês. “O que está nos segurando é a falta da mão de obra qualificada. Hoje, contamos com 72 funcionários que conseguimos em parceria com o Ceteb e o Senai”, disse Bruno de Oliveira, acrescentando que, para a fábrica produzir em capacidade máxima, é necessário contratar mais 80 funcionários
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12/04/2010