Depois de reduzir a estrutura nos Estados Unidos, a
Para Jim Farley, no comando da operação na América do Sul há sete meses, essa nova organização para adequar o tamanho das operações da companhia à demanda de cada mercado exige muito cuidado à medida que busca fazer a empresa crescer sem aumentar os custos. "Isso nos leva à busca da engenharia competitiva e o time da Bahia tem padrão mundial", afirma.
A fórmula é semelhante à da
Em poucos meses, a função do economista Farley mudou drasticamente. Depois de passar 20 dos seus quase 48 anos trabalhando na área de vendas da indústria automobilística nos Estados Unidos - 17 anos na
Um fato curioso, que marcou a sua história, recentemente, tem um pouco a ver com as análises que o executivo faz a respeito do mercado brasileiro. Embora a aparência não negue a origem americana, Farley nasceu na Argentina. O pai se mudou para Buenos Aires para ajudar a abrir a primeira agência do
Sem saber mais falar espanhol, Farley só voltou para a terra natal há pouco mais de um mês, junto com Alan Mulally, o presidente da Ford, que o "roubou" da Toyota em 1997. Ele acompanhou Mulally para anunciar à presidente Cristina Kirchner um novo plano de investimentos na fábrica da Argentina. O retorno à terra natal durou menos de 24 horas. No dia seguinte, a direção da Ford tinha que estar em Brasília, para anunciar outro investimento adicional, no Brasil, ao presidente Lula.
Mesmo nessa rápida passagem, Farley comparou o que viu com as recordações de menino e observou que a Argentina dos seus oito anos parecia mais importante que o Brasil. Agora a cena parece invertida.
O Brasil é a terceira operação para a Ford fora dos Estados Unidos. Mas tende, em breve, segundo o executivo, a passar à frente do Reino Unido, o segundo mercado, em volume de vendas, para a montadora. Farley vê o potencial brasileiro apoiado em dois pilares. O primeiro está no surgimento de novos clientes: "O governo de Lula e equipe colocou o mercado em posição de decolagem, abrindo espaço para uma nova geração de classe média que está comprando carro zero quilômetro pela primeira vez na vida".
A segunda base de sustentação do potencial, diz o executivo, vem na mistura do surgimento de legislações mais rigorosas em relação à segurança e níveis de emissões dos carros com o surgimento de consumidores mais exigentes: "Já estão sendo criadas leis que exigem carros mais limpos e equipamentos, como o airbag; e, além disso, o consumidor brasileiro conseguiu um poder aquisitivo mais elevado, que o permite exigir veículos melhores."
O Brasil está sendo inserido no conceito que a montadora criou recentemente, chamado One Ford, que é uma estratégia que busca ter uma linha de modelos mundiais sobre pequeno número de plataformas. A administração dos custos é essencial para o sucesso do plano.
Por meio dessa estratégia, a montadora americana pretende incrementar o intercâmbio de produtos e de componentes entre as fábricas, principalmente onde há acordos comerciais com impostos reduzidos.
Farley não comenta projetos que já estão em andamento, como, por exemplo, a criação de linhas de produção do modelo Ecosport, até aqui feito apenas no Brasil, em outros países, como a China. Também já há planos para utilizar os motores feitos em Taubaté (SP) em futuros lançamentos.
Segundo o executivo, com o programa de investimentos de R$ 4,5 bilhões destinado ao Brasil entre 2011 e 2015, a empresa pretende não apenas aproveitar o crescimento natural do mercado interno como também elevar a sua participação. Por enquanto, a fatia em torno de 11% ainda deixa a Ford muito distante das três maiores montadoras no país (
Brasil exporta o motor e importa Fiesta pronto
O novo Fiesta, que a Ford começa a vender nos Estados Unidos e México nos próximos dias, será exportado para o Brasil no fim deste ano. O modelo deverá disputar um segmento de mercado ocupado atualmente por
Esse carro tem motor fabricado em Taubaté (SP), resultado de recente desenvolvimento da Ford em nova tecnologia. Mas o veículo será produzido somente no México. Isso significa que o motor sairá do Brasil para depois retornar ao país com o carro. Trata-se de uma estratégia da Ford para aproveitar os incentivos do acordo de intercâmbio comercial entre os dois países, conta Jim Farley, vice-presidente mundial de marketing.
Os mexicanos estão contentes com a escolha da Ford. A montadora americana investiu US$ 1 bilhão para reativar uma fábrica que havia sido fechada há dois anos em Cuautitlán, na região metropolitana da Cidade do México. O novo investimento abriu cerca de 2 mil postos de trabalho diretos (4 mil indiretos) em um país que tenta encontrar formas de reduzir a dependência de sua economia das exportações para os Estados Unidos.
Tanto mexicanos como brasileiros vão conviver com dois modelos Fiesta. O que é produzido hoje na fábrica de Camaçari, na Bahia, continuará sendo vendido no Brasil e exportado para o México. O Novo Fiesta se encaixa em uma faixa de preços mais elevada.
Já para nos Estados Unidos, o Novo Fiesta situa-se no segmento considerado compacto. A Ford ainda não tem cálculos exatos de demanda, já que o seu maior desafio é começar a vender no seu país de origem um veículo muito menor do que oferecia até agora.
De qualquer forma, a renovação de modelos vem dando resultados. No primeiro trimestre a montadora registrou lucro de US$ 1,2 bilhão na América do Norte, ante um prejuízo de US$ 665 milhões no mesmo período de 2009. A participação da marca subiu 2,7 pontos percentuais, a maior elevação desde 1978. (MO)