Baía de Aratu terá novos canteiros de obras para plataformas de petróleo

24/09/2010




Parceria do governo, Petrobras e empresariado irá estimular reativação da indústria naval baiana


Para viabilizar a implantação de quatro novos canteiros de obras destinados à construção de módulos de plataformas de petróleo na Baía de Aratu, o Governo do Estado assinou, na manhã de ontem, no Salão de Atos da Governadoria, protocolo de intenções com empresas construtoras – duas baianas, GDK e Belov Engenharia, uma mineira, a Multitek, e uma paulista, a Niplan Engenharia.


O protocolo viabilizará uma base de edificação, construção, movimentação e embarque em balsas oceânicas de transporte de módulos metálicos para plataformas marítimas de petróleo, em Salvador. Cada canteiro terá investimento entre R$ 30 milhões e R$ 70 milhões, totalizando cerca de R$ 200 milhões.


A Secretaria de Indústria Naval e Portuária da Bahia (Seinp) selecionou as empresas pelos critérios de qualificação técnica, experiência comprovada no setor e histórico de atividades com a Petrobras. Os recursos serão destinados à implantação da infraestrutura adequada à atividade.


Os serviços consistem de terraplanagem, dragagem, construção de cais, de oficinas e equipamentos para manuseio de cargas de grande porte, com até 1,6 mil toneladas.




Cada canteiro ocupará, em média, uma área de cerca de 100 mil metros quadrados, além de produzir 12 módulos por ano, em função de a Petrobras estar em processo de contratação de 40 navios sonda. Dessa forma, as quatro empresas poderão disputar as licitações da estatal.


Segundo o gerente geral da Petrobras, Antônio José Pinheiro Rivas, a retomada da indústria naval ocorreu em 2003, com a decisão do governo federal em fomentar o segmento.


Com o lema "aquilo que pode ser feito no Brasil será feito no Brasil", o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) estimula a Petrobras a fazer encomendas preferencialmente no país. "Temos mais de 250 navios para modernização da frota da Transpetro, e com a descoberta do pré-sal, esse potencial se multiplica também na contratação de várias plataformas."


A estratégia de fortalecimento é baseada na instalação dos canteiros na Baía de Aratu, do estaleiro Enseada do Paraguaçu e da valorização do canteiro de São Roque do Paraguaçu, instalado há 40 anos e que hoje emprega duas mil pessoas.


A Secretaria de Indústria Naval e Portuária da Bahia (Seinp) selecionou as empresas pelos critérios de qualificação técnica, experiência comprovada no setor e histórico de atividades com a Petrobras



Geração de empregos diretos – "Esperamos que os canteiros somados à construção das plataformas P-59 e P-60, em andamento no canteiro de São Roque do Paraguaçu, e mais o Estaleiro Enseada do Paraguaçu, venham constituir a estratégia de construção naval na Bahia. Isso tudo acontecendo, teremos de 15 a 16 mil empregos diretos nos próximos anos, nas regiões do Recôncavo e Metropolitana de Salvador."



O presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), José de Freitas Mascarenhas, afirmou que existe uma missão entre governo, Petrobras e empresariado para fomentar essa indústria. "A iniciativa é parte essencial das plataformas para construção dos canteiros e estaleiros, fazendo com que a Bahia tenha um papel mais importante no programa do Pré-sal."




"Estamos negociando a cessão de áreas adequadas junto ao mar destinadas à construção dos canteiros e infraestrutura necessária para disputar as concorrências dos módulos de petróleo, o que vai gerar empregos qualificados", explicou o secretário da Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin, adiantando que os quatro canteiros ficarão prontos ao final do segundo semestre de 2011.


Ele disse que o conjunto de empresas vai impulsionar a reativação da indústria naval baiana. Os módulos constituem as partes de maior valor agregado nos navios de perfuração e exploração de petróleo.







Retomada A Seinp atuará na intermediação com os órgãos públicos para agilizar o processo de licenciamento ambiental e na qualificação da mão de obra local. A previsão é de gerar, aproximadamente, cinco mil empregos diretos.



Offshore – Segundo o representante da GDK, Samuel Barbosa, a perspectiva é de atender à demanda de facilidades de produção para área de energia, principalmente na atividade de offshore (plataformas marítimas). "O estado está revivendo um período de atuação nessa área, que ocorreu na década de 80. Somos pioneiros na construção de plataformas de concreto e de aço. A intenção é reativar essas áreas, que já foram utilizadas para construção de plataformas."

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