Fábrica de pequenos aviões produz primeiros exemplares em Barreiras

13/10/2010


INDÚSTRIA Meta é testar as três primeiras aeronaves este mês e construir 20 por ano a partir de 2011



MÍRIAM HERMES Barreiras



A fabricação de aeronaves de pequeno porte foi iniciada em Barreiras, a 870 km de Salvador, pela Aero Centro Serviços Aeronáuticos Ltda, que está trabalhando há quatro meses na montagem dos cinco primeiros aparelhos. A meta é testar os três primeiros aviões estemês e, a partir de 2011, produzir 20 aeronaves por ano. A iniciativa é do empresário Kleber Rangel, 50 anos, que diz ter herdado do pai sua paixão pela mecânica, pois passou a infância e adolescência entre motores na retífica da família na cidade de Vitória da Conquista.



Com conhecimento do assunto- adquirido também na Paradise Indústria Aeronáutica, de Feira de Santana,onde foi diretor e trabalhou em diversos projetos-, há dois anos ele está voltado exclusivamente ao seu empreendimento, administrado com ajuda da mulher e filhos. Todos os componentes utilizados na montagem dos aparelhos sãoimportados dos Estados Unidos.



De acordo com Rangel, como ele é mais conhecido, a maior dificuldade é a burocracia e a falta de logística nos portos, chegando a demorar entre três e quatro meses para o material chegar em Barreiras, depois da entrada no Porto de Santos (SP). "Com isto, a gente perde receita, pois pagamos à vista e ficamos muito tempo como capital parado", reclama.



Os dois modelos construídos em Barreiras (RV7 e RV10) têm o perfil de avião experimental, apesar de já existirem 10 mil similares voando e 24 mil em construção pelo mundo. Para Rangel, a vantagem do experimental é que quem compra pode fazer as adaptações que desejar, obedecendo, no entanto, a mesma estrutura da Vans Aircraft, dos Estados Unidos.



Inovações Nos modelos em construção em Barreiras, foram implementadas 24 modificações atendendo às necessidades dos clientes. Entre as mudanças, cuidados especiais para minimizar o barulho do motor e a transferência do manche, que ficava entre as pernas, para o painel. Os tanques de combustível foram ampliados para permitir maior autonomia de voo, passando de quatro horas para seis horas e 20 minutos.



Para compor a equipe de 15 profissionais, com salários médios de R$ 2.500 trabalham na montagem dos aviões, o empresário trouxe cinco pessoas de São Paulo.



Entre eles Juliano Martelli, 21 anos, que se diz atraído não apenas pelo salário superior ao que tinha, "mas principalmente pela chance de atuar em uma empresa nova, com possibilidades de crescer profissionalmente".











Segmento produziu 400 aeronaves no País em 2009


A utilização de aviões de pequeno porte cresce não apenas para facilitar a vida dos fazendeiros do oeste baiano.



Em todo o País, a procura por aviões de dois e quatro lugares está aumentando, afirma o engenheiro aeronáutico, representante credenciado de engenharia da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Celso Faria de Souza.



Ele diz que, no ano passado, aproximadamente 400 pequenos aviões foram fabricados no Brasil.



Só no Brasil, salienta, existem cerca de 60 empresas neste segmento, algumas com capacidade de montar até 10 unidades por mês. Para o engenheiro, o crescimento da atividade, com aeronaves leves e esportivas no mercado, representa a democratização da aviação, "pois há alguns anos era muito mais difícil alguém adquirir uma aeronave para uso particular".



Faria de Souza acrescenta que os aviões mais baratos podem custar US$ 60 mil e que, dependendo da atividade de uma empresa e das distâncias entre suas unidades, ter um avião para deslocamento de diretores e demais funcionários não é um luxo, mas uma necessidade.



Outra vantagem, de acordo com o engenheiro, é que a indústria de aeronaves se torna favorável na disseminação de conhecimentos, tecnologia e incremento na oferta de empregos.








Empresa dispensa clientes pela alta demanda


GLAUCO WANDERLEY Feira de Santana



O mercado de pequenas aeronaves está aquecido, e a Paradise, fábrica baiana que há um ano instalou-se em Feira de Santana, acaba dispensando clientes porque não dá conta de atender a toda a demanda.



"Para uma encomenda que chega hoje, o prazo de entrega é março do ano que vem", explica Waldemar Queiroz Neto, responsável pela área de tecnologia e produção.



A Paradise funciona dentro da área do Aeroporto João Durval Carneiro.



O aeroporto está fechado desde maio do ano passado, quando foi interditado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) devido à deficiências na pista e equipamentos.



Mas no hangar que abriga a fábrica, operários trabalham a todo vapor. "Fabricamos em média quatro aviões por mês, mas temos capacidade para dez, produção que prevemos atingir em 2011", conta o administrador.



A demanda de empresários, fazendeiros e outros profissionais que precisam de rapidez para percorrer grandes distâncias já permitiu dobrar o número de funcionários da Paradise neste primeiro ano de operação em sede própria - antes, a empresa funcionava na Ilha de Itaparica. Hoje, são 70 e podem chegar a 200 empregados.



Há entendimentos com o Centro de Educação Tecnológica (Ceteb) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para abertura de cursos específicos de mecânica de aviões na cidade.


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