Em busca de um lugar no mar
- Com quatro novos canteiros, a Bahia sinaliza que pretende participar do promissor mercado de construção offshore
No fim de setembro a Bahia deu um passo significativo para a revitalização do seu polo naval, que hoje já conta com o canteiro de São Roque, sob o comando da Petrobras, e o estaleiro virtual Enseada do Paraguaçu, a cargo do consórcio formado por Odebrecht, UTC e OAS. Atraídas pela forte demanda da petroleira por montagem de módulos de plataformas offshore, as empresas Belov Engenharia, GDK, Multitek e Niplan Engenharia assinaram protocolo de intenções com a Secretaria Extraordinária da Indústria Naval e Portuária do governo da Bahia para instalação de canteiros na Baía de Aratu.
Os canteiros vão demandar investimentos da ordem de R$ 200 milhões e devem estar aptos para operar no segundo semestre de 2011. A área total dos canteiros, que será disponibilizada através da Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Estado, deve abranger algo em torno de 300 mil metros quadrados.
As empresas vão investir na construção das facilidades para montagem dos módulos, como terraplenagem, construção de cais, de oficinas e de equipamentos de cargas de grande porte com até 1.600 t. Já o governo estadual ficará responsável pela parte de infraestrutura dos canteiros, inclusive a dragagem do canal da Baía de Aratu, que deverá ter calado médio de 6 metros após essas obras.
O governo baiano também está comprometido a auxiliar todas as empresas na obtenção das licenças ambientais para a área, além das autorizações de Iphan, APA Baía de Todos os Santos e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). “Vamos apoiar a execução dos projetos. Nosso interesse é a geração de empregos”, diz o secretário Roberto Benjamin, destacando que os empreendimentos devem gerar 4 mil empregos diretos.
A mesma estratégia está sendo utilizada na implantação do estaleiro Enseada do Paraguaçu, empreendimento do consórcio Odebrecht, UTC, e OAS que vai demandar R$ 2 bilhões.
O estaleiro será construído em uma área próxima ao canteiro de São Roque, onde estava estabelecida a reserva extrativista da Marinha, Baía de Iguape, recém alterada.
Otimismo justificado
Em épocas de altos índices de conteúdo local e grandes demandas por conta do pré-sal, tudo indica que a estratégia de instalar canteiros para a montagem de equipamentos offshore é acertada. Afinal, a Petrobras estima uma demanda de 120 módulos para plataformas offshore nos próximos cinco anos. Sem contar a demanda para os FPSOs do pré-sal, que deve ser incluída numa revisão do Plano de Negócios da petroleira.
“Claramente a oportunidade se consolida, na hora que temos uma perspectiva de escala e de continuidade dos investimentos. Isso sem dúvida ocorrerá por mais de uma década dando muito mais perspectiva para os investidores”, afirma o superintendente da Onip, Alfredo Renault.
De olho nesse boom, Benjamin já trabalha para atrair novas empresas a Aratu. A ideia agora é levar para o local investimentos na cadeia produtiva do setor petróleo. “Já estamos trabalhando nisso. Existe possibilidade de atração de novas empresas”, afirma o secretário.
