ENERGIA Estado assinou protocolo para implantação de indústria em Camaçari
JOÃO PEDRO PITOMBO
Considerado um dos estados de maior potencial de geração de energia pelos ventos no País, a Bahia trabalha pela consolidação de um Polo Industrial Eólico, a ser implantado em Camaçari. Ontem, o governo estadual assinou um protocolo de intenções coma empresa espanhola Gamesa para a implantação de uma fábrica de turbinas eólicas.
Com um investimento de R$ 100 milhões e previsão de gerar 100 novos postos de trabalho no Estado, a unidade da Gamesa produzirá três modelos de aerogeradores, com capacidade de geração de 2000 megawatts de energia por ano cada um.
Como contrapartida, o Estado concederá o diferimento do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a aquisição de máquinas e equipamentos no exterior. "A proposta da Bahia foi considerada particularmente positiva e incentivadora.
Desejamos que aqui seja o centro de produção da Gamesa para abastecer todo o Mercosul", disse Pascual Fernandez, presidente do Conselho Administrativo da Gamesa.
A empresa já adquiriu um terreno com um galpão já instalado para implantação da indústria, que deverá entrar em funcionamento no final do próximo ano. Se concretizada, esta será a segunda fábrica na Bahia voltada para a produção de aerogeradores. A empresa francesa Alstom também está implantado unidade em Camaçari que deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2011.
Com a atração destas duas indústrias, cresce a expectativa em torno da atração de outras empresas. O secretário de Indústria e Comércio, James Correia, confirmou que já existem tratativas em curso, mas preferiu não citar o nome das empresas. Contudo, A TARDE apurou que o Estado trabalha para trazer outras três gigantes: a americana General Eletrics, a alemã Siemens e a dinamarquesa Vestas, esta última considerada a maior fabricante de aerogeradores do mundo.
Além das montadoras de turbinas eólicas, o Estado também vai trabalhar para desenvolver uma cadeia de suprimentos no próprio Estado, com a produção de matérias primas para a confecção dos aerogeradores. Já estão em curso negociações com duas empresas que fabricam as pás de hélices éolicas: a dinamarquesa LM e a brasileira Tecsis, que já possui unidade no município de Sorocaba (São Paulo).
Num segundo momento, também serão buscadas indústrias para a fabricação dos componentes eletrônicos da turbinas, além de empresas com foco na construção civil e metal-mecânica, para construção das torres de sustentação das turbinas eólicas, que deverão chegar a 100 metros - o equivalente a um edifício de 40 andares.
Para o secretário James Correa, a Bahia está numa posição estratégica para avançar na implantação de um polo industrial eólico. "O Estado possui um terço do potencial de geração de energia pelos ventos do País e também deverá se firmar como o principal mercado. É natural que as fabricantes de componentes venham para cá", diz.
A fábrica da Gamesa em Camaçari deve gerar 100 novos postos de trabalho
R$ 100 mi é o investimento que a empresa espanhola Gamesa pretende fazer para a implantação da nova fábrica de turbinas eólicas no município de Camaçari
Quinze empresas planejam investir na construção de usinas
A implantação das unidades de Gamesa e da Alstom na Bahia tem como principal objetivo suprir a demanda por equipamentos gerada pela implantação de parques eólicos no território do Estado.
Ao todo, 15 empresas já manifestaram a disposição em investir na construção de usinas para gerar energia coma força dos ventos, com a perspectiva de criação de 1,6 mil novos empregos.
Com investimentos em torno de R$ 3 bilhões, quatro empresas já estão em fase de implantação dos parques eólicos no Estado. O principal projeto em andamento está sendo tocado pela Renova Energia, que está investindo mais de R$ 2,3 bilhões na implantação de 27 usinas.
Outros projetos O grupo Desenvix está investindo R$ 400 milhões para erguer um parque eólico em Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina, que prevê a instalação de três usinas com capacidade total de geração de 90 megawatts. Também estão previstos investimentos de R$ 150 milhões do grupo Eólica Energia para construção deumausina no norte do Estado, na região de Sobradinho.
De acordo como secretário de Indústria e Comércio, James Correia, o potencial inventariado de produção de energia eólica na Bahia é estimado em 45 mil megawatts, o que faz do Estado responsável por um terço do potencial de geração de energia comos ventos na Bahia. Dentro do território baiano, a região da Chapada Diamantina é considerada a mais promissora para o segmento.
Leilões impulsionam expansão da matriz no Estado
A expansão da matriz eólica na Bahia tem sido impulsionada pelos leilões específicos para este tipo de energia realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ao todo, foram contratados para a Bahia 34 projetos de construção de parques eólicos, que, se concretizados, devem gerar uma oferta total de 900 megawatts de energia.
No último leilão, realizado em agosto deste ano, foram contratados 1.805 megawatts para projetos no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Rio Grande do Sul e Sergipe. Os contratos têm duração de 20 anos, com início de fornecimento em julho de 2012. Ao todo, foram contratadas 50 usinas que fecharam negócio para vender eletricidade por preços entre R$ 130,43 e R$ 137,99 por megawatt/hora.
Segundo o secretário de Indústria e Comércio, James Correa, a rápida expansão do setor e a produção de equipamentos em escala tem permitido a redução dos custos operacionais com a implantação de parques eólicos e, consequentemente, do preço da energia dos ventos. "Temos na Bahia e no Brasil uma competitividade muito grande na hora de vender energia nos leilões. O preço caiu praticamente à metade", avalia.
Financiamento O secretário lembra ainda que as empresas do setor eólico que estão vindo para a Bahia estão captando financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que exige um índice de nacionalização progressivo na cadeia de suprimentos. "As empresas farão um esforço para encontrar fornecedores locais ou trazer empresas com tecnologia para criar uma cadeia totalmente integrada", avalia.