Bahia entra de vez no mapa da energia eólica

20/12/2010




A UTILIZAÇÃO DESTE RECURSO NATURAL SE MATERIALIZA EM DEZENAS DE PROJETOS EM DESENVOLVIMENTO, PRINCIPALMENTE, NAS REGIÕES NORDESTE E SUL



SÉRGIO TONIELLO



O primeiro registro histórico da utilização da energia eólica, que é gerada pelo vento, provém da Pérsia, por volta de 200 a.C. Mais tarde, passou a ser utilizada para mover embarcações e moinhos.



Relegada ao segundo plano durante muito tempo, com a descoberta do petróleo, a energia eólica volta a ganhar importânciaem todo o planeta como a fonte de energia renovável adequada para preservar o meio ambiente.



No Brasil, a situação não é diferente e a utilização deste recurso se materializa em dezenas de projetos em desenvolvimento, principalmente, nasregiõesNordestee Sul.Recentemente,comoformade incentivo, o governo federal passou a realizar leilões para a contratação de energia renovável. O Estado da Bahia brilha neste promissor cenário nacional, pelo significativo potencial eólico que apresenta, estimado em 10,1% do potencial nacional - que gira em torno de 143,5 mil MW.



Definitivamente,opotencial eólico do estado é estupendo. Vários municípios possuem condições especialmente favoráveis para o desenvolvimento de parques eólicos.



Entre eles, Tucano, Juazeiro, Campo Formoso, Jacobina, Igaporã, Caetité, Brotas de Macaúbas, Sobradinho, Morro do Chapéu, Ourolândia, Cafarnaum, Vitória da Conquista, Mucugê, Ibicoara, Conde, Casa Nova, Pindaí, Guanambi e Riacho de Santana.



De olho neste filão e adotando fortepolíticadeincentivopara conquistar investidores e conciliar um futurosustentável, semdegradaro meioambiente,comoaumentoda produção de energia, a Bahia entrou de vez no mapa brasileiro de energia eólica. Os ventos fortes ajudam e a condição de mercado promissor já pode ser comprovada através do número de empresas que aqui realizam estudos de levantamento e avaliação do potencial de geração de energia elétrica a partir de fonte eólica.



O governo tem feito sua parte.



Através da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) e da SecretariadeInfraestruturadesenvolve esforços no sentido de atrair e propiciar a implantação desse tipo de empreendimento. "A Bahia enxerga na energia eólicaumaforma sustentável de geração de eletricidade e um meio de desenvolver a região do semiárido, onde se localiza grande parte do potencial do estado", explica Rafael Valverde, professor de Fontes Renováveis de Energia da Unifacs e assessor especial da SICM.



Cadeia produtiva



"Mais do que implementar usinas eólicas, a Bahia pretende desenvolver a cadeia produtiva da indústria de energia eólica", afirma Valverde. Nesta linha, foi assinado protocolo de intenções coma multinacional Alstomparaainstalação na Bahia da sua unidade industrial de turbinas eólicas na América Latina.



A unidade deverá entrar em operação em 2011.



Foi o primeiro da série de protocolos assinados pelo governo. E, para fomentar essa indústria, o estado tem interesse em captar empresas fabricantes, sistemistas, fornecedores de máquinas e equipamentos e prestadores de serviços.



Para isso, planeja investimentos na capacitação demão de obra, na concessão de benefícios fiscais, infraestrutura e apoio institucional junto aos organismos de financiamento, órgãos ambientais e outras entidades.



A Bahia incentiva e privilegia a indústria local. Por isso, como contrapartida às empresas, oferece facilidades na utilização de portos, construção de acessos, apoio logístico e infraestrutura. Por exemplo: o estado possui excelentes condições geográficas, está próximo aos principais centros consumidores nacionais e possui localização privilegiada para exportar para a América Latina.



Esses fatores colocam a Bahia entre os maiores produtores nacionais de energia elétrica a partir de fonte eólica. Dezoito projetos foram contratados em 2009 e 16 em 2010. Atualmente, existem protocolados com o Governo do Estado investimentos superiores a R$ 21 bilhões. A expectativa de investimentos é tão grande que parte do Polo Industrial de Camaçari será destinada à implantação da cadeia de energia eólica.



Para a Bahia, a revolução energética está apenas começando.



Vários municípios possuem condições especialmente favoráveis para o desenvolvimento de parques eólicos




BAHIA, O GRANDE DESTAQUE NOS LEILÕES DE FONTES ALTERNATIVAS





A Bahia foi o grande destaque no 2° Leilão de Fontes Alternativas e no 3° Leilão de Energia de Reserva Fase 3, recentemente realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, com um total de 16 usinas eólicas contratadas.



As usinas são relativas aos seguintes empreendedores: Brennand Energia, Chesf, Iberdrola, Renova Energia, Consórcio Pedra do Reino e SoWiTec do Brasil. Esses empreendimentos visam a instalação de parques eólicos em Casa Nova, Juazeiro, Sobradinho, Morro do Chapéu, Igaporã, Guanambi e Pindaí e devementrar em operação a partir de 2013. Comparado ao último certame, a Bahia subiu um posto no ranking dos estados contratados nos leilões, alcançando a segunda colocação. O resultado consolidado aponta empreendimentos que totalizam 587,4 MW em capacidade instalada, tendo a frente apenas o Rio Grande do Norte, responsável por1064,6MW da capacidade leiloada. O Ceará, pioneironautilizaçãodesse tipode energia no Brasil, decresceu substancialmente e aprovou apenas 150 MW em projetos.



Os resultados refletemo esforço dogovernonadivulgaçãodaBahia para o empresariado, ressaltando a capacidade eólica que possibilita a instalação de empreendimentos de sucesso. Com esse intuito, a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração, capitaneada por James Correia, participou do Brazil Windpower 2010, maior evento do setor para a América Latina, realizado pela Associação Brasileira de Energia Eólica, pelo Conselho Mundial de Energia Eólica e pelo Grupo Canal Energia, no Rio de Janeiro, no inicio do mês de setembro.



A Bahia foi o único estado expositor no evento, que congregou as maiores empresas mundiais da área.



Desenvolvimento



Essa ação sinalizou para os empreendedores o alto grau de importância que a questão da energia eólica exerce para o desenvolvimento da Bahia, tanto como insumo energético como para a criação de uma cadeia produtiva local, aliada a todos os benefícios de geração de emprego e renda. " É importante ressaltar que no leilão de energia de reserva dos 10 projetos com o menor custo de geração os nove primeiros são baianos. Isto é o começo de uma revolução na nossa matriz energética", comemora Rafael Valverde, professor de Fontes Renováveis de Energia da Unifacs e assessor especialdaSecretariadeIndústria, Comércio e Mineração.



E mais: foi registradooaumento da contratação dos empreendimentos eólicos em relação ao último leilão em cerca de 10%, com resultado de 2047,8 MW. Os 89 projetos, 70 centrais eólicas e 12 termelétricas à biomassa receberão investimentos de R$ 9,7 bilhões.




" Nota-se um interesse cada vez maior dos empreendedores pela exploração da energia eólica.



E, desta vez, conquistamos um resultado incontestável no cenário nacional, confirmando a tendência já percebida no leilão anterior, em 2009, quando o nosso estado surpreendeu ficando na terceira posição em capacidade instalada em energia eólica", pontua Valverde.



As empresas estão apostando em energia eólica em função de vários fatores, entre eles a forte pressão mundial pela geração de energia limpa, proveniente de fontes renováveis. "Está caindo por terra o conceito de que esse tipo de indústria é cara. Para se ter ideia, historicamente o preço mais alto em leilões de energia era relativo à energia eólica. Há poucos anos, a oferta giravaemtorno de R$ 240 por megawattshora (MWh), caindo nesse último leilão para um preço médio de R$ 122,69 MWh, namodalidade energia de reserva.



O preço alcançado pela fonte eólica nos dois certames deverá promover uma revolução no setor, explica Valverde.



A Bahia tem protocolos assinados com 11 empresas ligadas ao setor eólico.Umadelas é a Alstom, fábrica de aerogeradores que está investindo R$ 50 milhões na unidade industrial de Camaçari



Destaque no 2° Leilão de Fontes Alternativas e no 3° Leilão de Energia de Reserva - Fase 3, com um total de 16 usinas eólicas contratadas



POR UM AR MAIS PURO



A QUALIDADE DO AR NA REGIÃO É CONTROLADA PELA CETREL S.A, EMPRESA DE MONITORAMENTO AMBIENTAL, QUE FAZ ANÁLISE DE PADRÃO DA QUALIDADE



MÔNICA MELLO



Produzir causando o mínimo impacto ambiental possível. Este é o desafio das indústrias instaladas no Polo Industrial de Camaçari.



Tendo comoreferênciaummodelo de gerenciamento de resíduos referendado por órgãos ambientais do Estado e do mundo, as empresas que compõem o complexo industrial atuam de forma sustentável, desenvolvendo práticas assertivas que visam a preservação do meio ambiente e diminuição de emissão de poluentes na atmosfera.



No Polo de Camaçari estão instaladas mais de 90 indústrias químicas e petroquímicas que produzem diferentes produtos como plásticos, fibras, celulose, produtos têxteis, automóveis, tintas e medicamentos.



A qualidade do ar na região é controlada pela Cetrel S.A, empresa de monitoramento ambiental, que faz análise de padrão da qualidade, estudo que determina o limite máximo de poluentes que podem ser concentrados na atmosfera, e assegura a saúde das comunidades vizinhas e do meio ambiente.



De acordo com o superintendente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Aurinézio Calheira, há mais de sete anos, a emissão de gases poluentes das indústrias não atinge o limite estabelecido na Resolução nº03/90,doConselho Nacionalde Meio Ambiente (Conama). "Eventualmentealgunsodoresliberados pelas indústrias incomodam a comunidade, mas esses índices não são prejudiciais".



A qualidade atmosférica é avaliada pelasdez estaçõesdaRedede Monitoramento do Ar, distribuídas pelas comunidades vizinhas ao Polo Industrial e interligadas por telemetria.



O sistema de controle identifica e mede a quantidade de poluentes emitidos pelas indústrias.



A Rede permite ainda que as empresas acompanhem as condições meteorológicas e climáticas favoráveis ou não à emissão de gases, tendo em vista a saúde da população.



Estudo de risco



Nos últimos 20 anos, as indústrias de Camaçari apresentaram avanços nas áreas ambiental, de segurança e saúde.Oestudo de risco realizado no polo mapeou mais de 22 mil cenários de possíveis acidentes.



"No momento em que os riscos são identificados, é possível gerenciá-los e evitar acidentes, impedindo consequências de grande ou médio impacto ambiental", ressalta Calheira.



Baseado neste modelo de gestão, o Programa de Gerenciamento do Polo de Camaçari se tornou referência no País em aproveitamento de resíduos e ofertou subsídios para a elaboração da Resolução nº 3965/2009, do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Cepram).



Segundo dados do Cofic, em cinco anos, as indústrias de Camaçari investiram R$ 30 milhões nas áreas de segurança, saúde e meio ambiente. Empresas como Braskem e Bahia Specialty Cellulose (antiga Bahia Pulp) desenvolvem práticas de destaque no que se refere à redução de emissão de gases. A Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, reduziu a emissão de gases que geram efeito estufa para 13,6% em 2009.



Outro modelo de destaque na gestão e controle de emissão de poluentes pelas indústrias de Camaçari é o desenvolvido pela Bahia Specialty Cellulose. Na BSC é feito um grande esforço para redução das emissões, por meio de práticas operacionais e utilização de tecnologias avançadas.



A instalação de um incinerador de gases reduziu significativamente as concentrações de poluentes da fábrica.



Além disso, visando recuperar e conservar áreas degradadas nas proximidades do polo e no Anel Florestal, foramplantadas 97 mil mudas de vegetação nativa, como parte das atividades do Projeto Fábrica de Florestas. Esta ação foi desenvolvida pelo Cofic, em parceria com o Instituto Corredor Ecológico Costa dos Coqueiros, Prefeitura de Camaçari e população local.



Empresas do Polo Industrial de Camaçari têm o desafio da produção responsável




RESÍDUOS DOS PROCESSOS INDUSTRIAIS SÃO REAPROVEITADOS





Há dois anos, 400 toneladas de resíduos inorgânicos produzidos pelas indústrias do Polo Industrial de Camaçari, e que eram depositados em aterros ou incinerados, passaram a ter um novo destino. A partir de projeto desenvolvido pela Cetrel S.A, os resíduos dos processos industriais estão sendo reaproveitados para retiradas de espécies químicas de valor.



Outra forma de aproveitamento é a utilização dos compostos orgânicos como matéria-prima de novos produtos, seja integralmente ou fracionados, e que são reutilizados pelas indústrias de móveis, construção civil, indústrias de automóvel ou mineração. Segundo Sérgio Tomich Silva, da área de Manuseio e Valorização de Resíduos e Subprodutos da Cetrel, esta prática reduz a necessidade de extração da matéria-prima natural, consumo de energia em alguns processos e impacta de forma positiva o meio ambiente.



Para intensificar as atividades de reaproveitamento de resíduos sólidos, a Cetrel vai inaugurar em março de 2011, o Centro Tecnológico de Biocompósitos, cuja proposta é desenvolver produtos utilizando resíduos sólidos industriais como matéria-prima alternativa.



Estão sendo investidos para construção do Centro cerca de R$ 8,5 milhões. Dentre os serviços a serem oferecidos estão os de caracterização e identificação de rotas de valorização de resíduo.



Centro Tecnológico de Biocompósitos será inaugurado em março de 2011



A APOSTA NAS FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS



PARTICIPAÇÃO IMPORTANTE NA MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA, EM TORNO DE 6% DA FONTE PRIMÁRIA DE ENERGIA E 30% DA DEMANDA NACIONAL PARA ABASTECIMENTO DE VEÍCULOS



MÔNICA MELLO



Quando comparados com os combustíveis fósseis, os biocombustíveis produzem menos gases de feito estufa como o CO2 (gás carbônico), apontado como um dos vilões do aquecimento global. Estimase que os biocombustíveis, fontes de energia renováveis obtidas a partir da cana-de-açúcar, milho, resíduos agrícolas e oleaginosas, emitam de 60% a 80% menos gás carbônico que os fósseis, como o carvão mineral, petróleo e gás mineral.



Além disso, os biocombustíveis têm participação importante na matriz energética brasileira, em torno de 6% da fonte primária de energia e 30% da demanda nacional para abastecimento de veículos, e grande potencial de crescimento em razão de uma enorme fronteira agrícola a ser explorada, bem como condições de clima e água que permitem ainda a produção de excedentes para exportação de forma competitiva.



Por tudo isso, os biocombustíveis são considerados estratégicos para a sustentabilidade ambiental e econômicanoplaneta. As pesquisas para descoberta de novas rotasdeproduçãoeotimização das existentes avançam em vários países, dentre os quais o Brasil, onde a Petrobras Biocombustíveis (PBio) vem liderando esse processo desde a sua criação há dois anos. Segundo o presidente da PBio, Miguel Rossetto, a estatal investirá US$ 3,5 bilhões em produção, logística e pesquisa para biocombustíveis até 2014, conforme previsto no Plano de Negócios.



Do montante, 74,28% vão reforçar a produção de etanol e biodiesel, 14,28% vão para infraestrutura, como a construção de alcoodutos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, e 11,42% serão aplicados em pesquisa e desenvolvimento.



"Temos metas de crescimento e de ampliar nossa presença no mercado brasileiro e internacional de biocombustíveis e participar da agenda mundial que se abre em busca de energias renováveis e de uma economia de baixo carbono", afirma Miguel Rossetto. Das três usinas iniciais, a PBio passou para 14 usinas - quatro voltadas para produção de biodiesel e 10 para produção de etanol -, em diferentes regiões do País e tem projetos no exterior, em Portugal e Moçambique. Rossetto afirma que a estatal vai continuar buscando projetos comsustentabilidade ambiental, econômica e qualidade logística.



"A Petrobras, como grande empresa integrada mundial de energia, crescerá como produtora de petróleo e derivadosemfunção do pré-sal e vai continuar investindo em energia renovável".



Avanços O País registrou avanços importantes no setor de biocombustíveis desde meados da década de 1970, quando o governo instituiu o ProAacute;lcool com o objetivo de estimular a produção do álcool, visando o atendimento das necessidades do mercado interno e externo e da política de combustíveis automotivos. A decisão de encorajaraproduçãodeetanolnaquela época atendia questões econômicas e políticas: a necessidade de encontrar um substituto para a gasolina pura, cujos preços estavam elevados em função da crise do petróleo, e também encontrar solução para a produção de cana de açúcar nacional em razão do baixo preço do açúcar no mercado internacional.



Na avaliação de Miguel Rossetto, esse histórico levou o Brasil a desenvolver e dominar tecnologias que lhe asseguram a vanguarda mundial na produção de biocombustíveis. O Brasil é o maior produtor de etanol de canade-açúcar do mundo e ocupa posição de liderança na tecnologia desua produção. "Temosumacondição singular em relação a outros países: aqui mais de 50% dos veículos que utilizam o ciclo Otto, que equipa a maioria dos carros de passeio, são abastecidos com eta etanol." Ameta da estatal é aumentar essa taxa para 70% nos próximos dez anos. Atualmente, a capacidade de produção de etanol da PBio é superior a 900 milhões de litros por ano, com perspectiva de chegar a 2,6 bilhões de litros/ano.



O produto é escoado para o mercado nacional e exportador.



Embora mais recente, a experiência com o biodiesel também é positiva. O programa teve início em 2003, antes mesmo da criação da PBio. Hoje, o Brasil é o segundo produtor mundial de biodiesel - o primeiro é a Alemanha, com ca-pacidade para produção de 507 milhões de litros/ano e meta de 747 milhões de litros/ano para 2014. Desde 2008, há obrigatoriedade de mistura do biodiesel nacional ao óleo diesel, inicialmente na proporção de 2% (B-2).



Este ano, a mistura B-5, que vigoraria a partir de janeiro de 2013, passou a ser utilizada.



O presidente da PBio explica que a estatal aposta na estratégia de investir na qualificação da produção agrícola e na diversificação de oleaginosas, como algodão, girassol, palma, canola e pinhão manso. A soja é a cultura mais utilizada na fabricação do biodiesel brasileiro, respondendo por cerca de 80% da produção. Outra estratégia é implantar as usinas em regiões onde haja disponibilidade de matéria-prima próxima ao mercado consumidor. Quanto mais perto,maseficiência ambiental, econômica e logística. Atualmente, a PBio tem 63 mil agricultores familiares contratados, dos quais aproximadamente 25 mil na Bahia, com a produção voltada para atender à demanda da estatal.


REDE DE MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR





Os cuidados da Bahia Mineração (BAMIN) na luta para preservar o meio ambiente e mitigar possíveis impactosnaregiãodeCaetité, com oinicio da operaçãodaminaPedra de Ferro, não ficarão restritos ao monitoramento qualitativo e quantitativo dos recursos hídricos que a empresa realiza na região.



Breve, será implantada uma Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar. Outra ação já definida será o plantio de 1 milhão de mudas de árvores típicas numa área da reserva legal da empresa, que abrange 1.250 hectares preservados.



Duas mil árvores já foram plantadas na reserva e mais oito mil na região.



Masas precauçõesparaquenão haja nenhum dano ao meio ambiente quando a mineradora iniciar as atividades de processamento vão mais além do plantio de árvores, informa Albano Soares, gerente de Meio Ambiente da BAMIM." Todos os equipamentos que serão utilizados na mina de Caetité sãodeúltima geraçãoeprojetados para conter a vazão de poluentes.



As máquinas britadoras de minério, por exemplo, terão filtros destinados a reter a poeira emanada durante o processamento, evitando que prejudique o meio ambiente.



Também teremos uma frota de caminhões pipa que irão umedecer, permanentemente, as vias de circulação no entorno da mina para evitar a dispersão da poeira. Isso sem falar no cinturão verde, com o plantio de milhares de árvores. Enfim, todos os cuidados estão sendo adotados para que as comunidades da região não sejam prejudicadas".



Ação efetiva A instalação de equipamentos de mediçãoque permitemconhecer a qualidade do ar na região, obter parâmetros meteorológicos, medir a velocidade, temperatura e direção predominante dos ventos e índices de pluviometria é outra ação efetiva da BAMIM, informa Albano: "Os equipamentos já foram instalados há dois anos, com bastante antecedência do inicio das operações da mina, o que nos dá condições de avaliar com segurança a qualidade do ar atualmente e, desde já, prevenir possíveis impactos quando a mina estiver em operação".



A partir da fotografia atual da qualidade do ar, a gerência de meio ambiente da BAMIM faz simulações por computador, considerando a atividade futura da mina e da planta de beneficiamento de minério que será instalada próximo à mina, e considerando também os sistemas antipoluentes que serão utilizados para evitar impactos ao meio ambiente. "Concluímos que todos os índices de dispersão de material ao meio ambiente estarão abaixo dos padrões estabelecidos nas leis ambientais, ressalta Albano Outra frente do trabalho que irá contribuir para a qualidade do ar é o plantio de mudas de árvores típicas. Cerca de um milhão de sementes já foram recolhidas.



ACV PROPÕE COMPROMISSO





COM A ANÁLISE DO CICLO DE VIDA É POSSÍVEL AVALIAR OS ASPECTOS AMBIENTAIS E IMPACTOS ASSOCIADOS A UM PRODUTO



MÔNICA SANTANA



Na maioria das vezes, no supermercado, pegamos um produto, colocamos no carrinho sempensar muitode onde ele veio e para onde a embalagem vai após finalizado o nosso uso. Não sabemos se ele polui, de que comunidade e em que condições vem a matéria-prima, quanto de energia é consumido para confeccionar esse produto, quais as condições de trabalho dos profissionais envolvidos na produção.



Para provocar reflexões sobre o nosso consumo, quando elevar o compromisso dos fabricantes com suas produções, emerge a Análise do Ciclo de Vida, parte integrante da Ecologia Industrial, mais novo ramo da Ecologia. Com esse sistema, é possível avaliar os aspectos ambientais e impactos associados a um produto, compreendendo as etapas que vão desde a retirada da natureza ao descarte.



É achamadaanálisedoberçoao túmulo, que compreende a percepção de como é extraída matériaprima direto na natureza, todo o processo do fabrico, os fatores queenvolvemosistemaprodutivo, até chegar ao uso final e desempenho junto ao consumidor.Aanálise também acompanha como é o perecimentodesse produto,aotornarse lixo, ou quais são suas condições de reciclagem e renovação.



Claro que para um consumidor é quase impossível ter tantas informações sobre toda a cadeia produtiva da mercadoria.



Hábito saudável Contudo, refletir sobre alguns dos aspectos ou ao menos se perguntar sobre a origem e fim daquilo que consumimos expressa um novo hábito saudável e emergente.



Com as indústrias não é diferente.



Essa forma de análise ainda é bastante nova e explorada por raríssimas empresas no País, tendo a maior parte da aplicação ainda no ambiente acadêmico, a exemplo da Rede de Tecnologias Limpas - TECLIM/Ufba, da Rede Brasileira de Análise do Ciclo de Vida e o Instituto Federal da Bahia, na unidade do sul do Estado.



No Brasil, a Análise do Ciclo de Vida foi estruturada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que definiu as fases desse processo de avaliação (definição de objetivo, análise do inventário, avaliação de impactos ambientais e interpretação). Por envolver um conjunto complexo, que envolve estudo, cálculo e capacidade de interpretação crítica, bem como desenvolvimento de instrumentos e parâmetros, a imensa maioria das empresas ainda não tem aplicado essa avaliação para seu processo produtivo. Internacionalmente, a ABNT se articula para evitar que a ACV se torne obrigatória para obtenção da certificação da Série ISO 14000, série que orienta os diferentes parâmetros para rotulagem ambiental, que identifica para o consumidor que aquela determinada mercadoria é ambientalmente adequada e produz menor impacto ambiental.



Caso a ACV se torne obrigatória na certificação ambiental, os artefatos brasileiros perdem pontos e competitividade no mercado externo.



Se você está habituado a consumir sem pensar muito, ou se dando justificativas pouco objetivas, vale a pena conhecer alguns dos princípios e reflexões que a Análise do Ciclo de Vida propõe.



Pesquisador do assunto, Asher Kiperstock, professor do Departamento de Engenharia Ambiental da Escola Politécnica da Ufba e membro da Rede de Tecnologias Limpas - TECLIM, exemplifica como funciona esse modelo de avaliação e explica qual é a importância de adoção desse sistema pelo empresariado brasileiro, bem como pelos consumidores. Confira a entrevista abaixo.




ENTREVISTA ASHER KIPERSTOCK





A TARDE - O que é a ACV e para queelaserve? Asher Kiperstock - Sou adepto de um pensamento do colega deprofissãoJorgePortugal. Ele afirma que antes de chegar na definição conceitual é interessante construirmos exemplos.



Então vamos lá, é recorrente ouvirmosalguémdizer"voucolocar uma placa solar para aquecer minha água e evitar o uso de chuveiro elétrico. Isso é umamedidade sustentabilidade".



Eu diria, não é bem assim.



Opainel na maioria das vezes é feitodealumínio,umdosmateriaisquemais consomemenergia em sua fabricação. Se eu uso chuveiro elétrico relativamente pouco, eu não vou recuperar comaminha economia o gasto feito para produzir a placa.



Assim, o que pode ser uma atitude ambientalmente correta para uma realidade, pode não ser para outra. A ACV cria condiçõesparaseterumavisão geral do produto e sua sustentabilidade.



Para isso, são empregados softwares, bancos de dados internacionais. Então voltando ao caso da placa de alumínio, procuraríamos perceberquanto se gastapara produzirumapeçaecomparar isso aoseuconsumodeenergia elétrica no chuveiro. Com a ACV, você tem dados suficientes para fazer a escolha correta. Pensar o ciclo de vida é algo que qualquerpessoapodefazer.



AT - O que a ACV propõe de diferencial na atenção com a sustentabilidade? AK - A ACV vemsuprir a falta de instrumentos para apoio às decisões e escolhas com atenção ambiental, de forma abrangente e incluindo todo ciclo de vida dele. Ele propõe que você pense os impactos ambientais desde o nascimento, processamento, transporte,uso,descarte, reutilização desse material.



É sem dúvida algo de extrema complexidade. Pensar o ciclo devidaéalgoquejárepresenta umgrandeavanço,mesmoque eu não me aprofunde nisso, mas já levantar algumas questões e mudar alguns hábitos, horários, demandas. Perguntarse "eu posso evitar o usode água quente" é algo importante.



Mas também, se meu uso é grandeese dá dentrodos picos de consumo gerais de uma cidade, usar uma placa, não somente poupaaminha energia, como economiza material em toda rede elétrica do município (cujos fios condutores também são feitos de alumínio). Esse tipoderaciocínioépensarociclo devida.



AT -Oque esse sistemapode trazer de provocação para o consumidorcomum? AK-Bemumacoisafundamental é se perguntar qual é o seu nível de consumo. Porque hoje é comum, vermos pessoas que têm um padrão de consumo muitoalto, nãodiminuíremesse padrão e só substituíremum produto impactante por um pouco menos. Isso está nem próximodepensarsustentabilidade.



Paraalcançaresseobjetivo é preciso olhar para seu padrão de consumo e retirar dele tudo aquilo que é desperdício, tudo aquilo que pode ser descartado e não tem um valor real. E depois repensar seu padrão de consumo para perceber se mesmo aquilo que você considera necessário é real, ou hábito, cultura ou desperdício.



Porexemplo,obanho.Aoanalisar o banho apenas para o seu fim de higiene, constataremos queematécincominutosésuficienteparacumprirsuafunção.



Agora há aquela justificativa "eu uso o banho para me relaxar", que é muito mais subjetiva do que concreta. Será que o desejodorelaxamento,queenvolve um uso adicional da água, é real ou a falta de consciência provoca o desperdício.



Nahoraquevocêsequestionae pensa o custo ambiental de ter dez minutos de água pingando na sua cabeça, isso deixa de ser relaxamentoeprovoca prazer.



Seja crítico e questione.



Nãoaceite todaequalquer justificativa que você imediatamente dá. Será que templena validade? AT-Comosedáentãoesseprincípiodaanálisedoberçoaotúmulo e que importância isso traz para atividadeindustrial? AK -AACV fazparte deumanova ciência que é a Ecologia Industrial, que propõe a compreensão do gerenciamento dos materiais, com a menor geração de impacto possível e dar subsídios a essas decisões. O que essa ciência quer é queum material seja produzido da forma mais amigável possível paranatureza.



Éprecisosaberporque eu estouproduzindo determinada mercadoria. Qual sentidoqueelatemparaasociedade? Qualéacontribuiçãoparaa qualidadedevida das pessoas? Entãoumfabricante de refrigerantedeveria se perguntar "por que vender refrigerante?".



Num mundo sustentável, ninguémvenderianembeberiarefrigerante, já que ele não traz benefício algum. Bem, mas as pessoas têmdireito a beber refrigerante, então, vale se perguntar que alternativas para produção desse produto pode ter o menor impacto possível.



Ou no que tange, por exemplo, ao consumo de carne, podemos pensar como essa cultura pode trazer menos impactos ambientais e sociais do que a forma utilizada no País, do gado ocupando imensas extensões de terra. Na horaque você faz uma análise detalhada do berço ao túmulo, consegue minimizar os aspectos ambientais.



Quandovocê compreende o impacto ambiental que foi causado para um bife chegar à sua mesa, você pensa antes de jogaressealimento fora.



AT - Fale um pouco sobre a nova lei de resíduos sólidos aprovada no Congresso Nacional e as relações da ACV comesses novos parâmetros para gestão e destinaçãodolixo.



AK - A nova lei foi aprovadaem agosto e traz conceitos muito avançados e modernos na gestão ambiental. Nela entra alguns conceitos da ACV, a exemplo da responsabilização do fabricante por aquilo que ele gera.



Eladámaispesoeobrigação para o fabricante no seu produto eembalagem, do nascimentoaodescarte




O FUTURO DA CONSTRUÇÃO





UMA DAS INDÚSTRIAS QUE MAIS IMPACTA, A CONSTRUÇÃO TERÁ NA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL A SUA PRINCIPAL TENDÊNCIA FUTURA



MÔNICA SANTANA



projetos sustentáveis estejam começando a despertar por aqui, hoje,éimpossível construir semter alguma atenção com materiais menos poluentes, pensar em alternativas para diminuição do consumodeáguaeenergia, empregar produtos com um menor deslocamento envolvido são algumas das medidas que representam construir com sustentabilidade.



As experiências de construções ecológicas e sustentáveis variam de gradações. Há medidas mais simples, comosimplesmente construir de forma atenta às características do terreno e do entorno, atento às possibilidades de iluminação natural e de ventilação. Mas há formas mais radicais,emque se substitui o uso de tijolos, por garrafas pets, reaproveitadas e transformadas em paredes.



"A sustentabilidade ambiental é um caminho sem volta. As empresas tiveramquereconhecerque a ligação de água individual num condomínio, é uma necessidade.



Assim como estão adotando medidas de aproveitamento da água de chuva, medidas de redução de substituição de materiais e manutenção mais fácil, estratégias para redução do consumo de energia elétrica", diz Ana Rocha Melhado, pós-doutora em Projetos e Construção Sustentável.



"Por outro lado, a sociedade está demandando desses ambientes.



As pessoas querem casas que incorporem itens de sustentabilidade e redução de consumo" acrescenta Melhado. Ela acredita que um dos aspectos mais desafiantes para adoção de uma construção mais ecológica e sustentável é a identificação de produtos em conformidade ambiental. "No Brasil, já temos produtos comessa adequação, algo em torno de 20% da oferta de materiais para construção.



Contudo, essa porcentagem ainda não é suficiente para atender às necessidades".Uma atenção que pode ser adotada é na escolha de alguns produtos, que tem selo verde ou dispõem de atenção voltada para a conformidade ambiental, que não implicam em impacto nos custos e representam economia em substituição no futuro. No âmbito dos chuveiros, pias, torneiras, há alternativas no mercado com vazão reduzida. Há projetos muito simples, que propõe reaproveitamento de águas utilizadas, nas descargas e setores de lavagem. Placas fotovoltaicas de iluminação, que apresentam a redução energética de 10 a 5% de consumo. Há uma imensa gama de tintas, constituídas sem compostos orgânicos voláteis,quenãoapresentamcheiro, sendo produzidas com materiaismaislevesemenospoluentes, também não implicando em danos à saúde.



"É importante ficar atento se a madeira tem o selo de reflorestamento.



Assim como é bom adotar uma cerâmica mais fina, a chamada slim, que é mais fácil de ser embalada, transportada e consequentemente consome muito menos energia em sua produção e transporte. De maneira geral, é preciso pensar em usar produtos existentes em sua cidade, produzidos na região, diminuindo o uso demateriais que venhamde muito longo" recomenda a consultora.




DIFERENCIAL NO MERCADO





Se muitas incorporadoras temem investir em ecoconstrução e sustentabilidade, na preocupação de elevar custos ou desconfiança diante dos novos materiais, outras mergulham nesse universo e adotam essa marca como principal foco. Foi o caso da Incorporadora Ecomundo, que atua no mercado baiano desde 2005 e aposta na construção sustentável como resposta ao inevitável processo de crescimento das cidades. Segundo o diretor da empresa, Júlio Sanzana, "sustentabilidade éumarealidade urgente de ser adotada. É preciso que as empresas se preocupem coma deterioração do nosso planeta e de que forma a indústria da construção pode atuar com menos impacto".



Os dois empreendimentos lançados desde então em Salvador foram projetados para valorizar eficiência energéticaeusoracional de água. Os prédios também vão priorizar sua integração com o entorno e a gestão dos resíduos. Características que fizeram com que a Ecomundo se destacasse no mercado baiano, levando uma nova consciência aos construtores locais e respeitando uma demanda dos consumidores. A Ecomundo também inovou ao associar-se ao Green Building Council Brasil, e ao conquistar, em junho deste ano, a primeira certificação ambiental da América Latina para construções residenciais, o selo AQUA - Alta Qualidade Ambiental.



Selo água A Ecomundo conquistou o selo Aqua, promovido pela Fundação Vanzolini valorizando projetos de empreendimentos que seguem rigoroso padrão de qualidade ambiental.



A certificação foi concedia ao Infinity Ecologic Residence, em fase de vendas no bairro de Pituaçu, e o Evolution Ecologic Residence, que já está sendo construído em Armação. Ambos prédios se destacam como os primeiros edifícios residenciais da América Latina a conquistar a certificação Aqua.



Para alcançar o selo, ambos empreendimentos foram submetidos à auditoria, observando quesitos como relacionamento do edifício com seu entorno, escolha integrada de produtos, sistemas e processos construtivos. Ao longo da obra, os auditores avaliarão a gestão da água e energia, conforto acústico e visual e gestão dos resíduos, até o período de operação do edifício. Todo monitoramento atestou que a Ecomundo seguiu todas as normas ambientais recomendadas para a construção de edifícios ecossustentáveis.



Coma certificação, a Ecomundo Incorporadora lança um novo padrão de construções sustentáveis no país. "Esse é um marco, não só porque dois prédios de uma mesma incorporadora conseguiram atender aos critérios de certificação, mas também porque ratifica o trabalho sério que estamos desenvolvendo nesses cinco anos de atuação na Bahia" pontua o empresário Julio Sanzana.



Segundo o coordenador de certificação da Fundação Vanzolini, Manoel Martins, apesar de ainda em pequeno número, existe uma procura crescente das construtoras pela certificação. "Temos uma média de duas novas procuras a cada mês, principalmente para a área comercial", afirma. Atualmente, 18 empreendimentos comerciais e um residencial estão em processo de certificação no país. "O que estamos observando neste momento é que as empresas que, assim como a Ecomundo, estão interessadasemconstruirnãoapenas um, mas vários empreendimentos comcertificação. E isso demonstraumamudança de postura do mercado".



O reconhecimento alcançado pela empresa é fruto do investimentoemadoção de tecnologias sustentáveis.Aincorporadora adota em suas obras o uso de placas deenergia solarparaaquecimento das águas dos chuveiros, sistema de reaproveitamento de água das torneiras nas descargas sanitárias, uso de sensores demovimento nos corredores para economia de eletricidade e medidores individuais de água para os apartamentos.



AIncorporadoratambémpossui sistema de reciclagem nos canteiros de obras, uma prática cada vez mais estimulada na construção civil com o objetivo de reduzir o impacto ambiental e também de economia para as construtoras.


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