INDÚSTRIA Empresas gaúchas produzirão matéria-prima em fábrica que será instalada em Camaçari
A DurolineTec, joint venture entre as empresas gaúchas Duroline e Vipal, vai implantar na Bahia a primeira unidadedeproduçãodefibrasde carbono do País e a única do Hemisfério Sul. Em audiência ontem na Secretaria deIndústria, Comércio e Mineração, o governo do Estado assinou um termo de cessão de um terreno de 300 mil quadrados no Polo Industrial de Camaçari que será disponibilizado para a instalação da fábrica.
Com previsão de geração de 400 empregos diretos, a implantação vai demandar um investimento de R$ 350 milhões e tem uma previsão inicial de produção de três mil toneladas de fibra de carbono.
Além da cessão do terreno, a empresa também negocia incentivos fiscais por meio do programa Desenvolve.
A DurolineTec já tem prontos o projeto básico e o de viabilidade econômica da fábrica.
A previsão é que depois de firmado todo o processo contratual, a empresa leve dois anos para erguer a fábrica, além de mais seis meses para começar a produzir em escala industrial.
Vantagens Pesou na escolha do polo industrial baiano a disponibilidade das duas principais matérias primas para a produção da fibra de carbono - acrilonitrila e dimetilformamida - que são produzidas, respectivamente pela Acrinor e pela Basf.
"A instalação da fábrica em Camaçari representa um conjunto de vantagens competitivas que vão favorecer o sucesso deste investimento", explica o consultor Carlos Alexandre Binns, um dos responsáveis pela implantação do projeto.
Considerada uma matéria prima de alto desenvolvimento tecnológico, a fibra de carbono é um material com grande capacidade de resistência à pressão, temperatura e corrosão, capaz de competir com estruturas como o aço, alumínio e fibras de vidro.
O produto pode ser utilizado como matéria primapara indústria aeronáutica, automobilística, na construção de equipamentos de energia eólica e de plataformas para exploração de petróleo.
Verticalização A DurolineTec tem como objetivo atender a demanda por or fibras de carbono do mercado interno e externo, concorrendo com os principais players do setor. Contudo, a empresa assegura que não será uma mera produtora de matérias-primas para indústrias de outros estados ou do exterior.
A ideia é implantar em Camaçari um polo com indústrias de terceira geração, verticalizando a cadeia da fibra de carbono. "Além de atender à demanda externa, a empresa temo interesse de ter parte da produção utilizada na Bahia", explica o secretário de Indústria e Comércio, James Correia. Para contemplar esta expansão, por meio de indústrias sistêmicas, o Estado também promete ceder uma área de mais 300 mil metros quadrados para atração de indústrias de transformação da fibra de carbono em produtos como tecidos, fitas e cordas.
A DurolineTec admite conversas com empresas de diversos setores, mas afirma que as negociações ocorrem sob sigilo. "O nosso projeto ainda é mantido sob confidenciabilidade por aspectos estratégicos, mas nossa ideia é constituir, de maneira pioneira, um verdadeiro polo de materiais compostos em torno da nossa fábrica", explica Carlos Alexandre Binns.
Bahia terá a primeira unidade de produção de fibra de carbono do País
24/02/2011