Dos mais de 20 acordos negociados em dois dias da visita da presidente Dilma Rousseff à China, no valor total de US$ 1 bilhão, destaca-se o investimento de US$ 300 milhões (cerca de R$ 470 milhões) – que pode chegar a R$ 4 bilhões –, em Barreiras, oeste da Bahia, para implantar uma fábrica de processamento de soja, o que representa cerca de um terço do valor dos acordos fechados entre os dois países.
O governador Jaques Wagner, que viajou à China a convite da presidente da República, participou, ontem, no Complexo Diaoyutai, em Pequim, capital da China, do Diálogo de Alto Nível Brasil-China em Ciência, Tecnologia e Inovação, ao lado de empresários e ministros dos dois países. Ele também participou da cerimônia de encerramento do Seminário Empresarial Brasil-China: Para Além da Complementaridade, realizado no China World Summit Wing.
Simplificar trâmites – Em um acordo que interessa diretamente à Bahia, os presidentes Dilma Rousseff e Hu Jintao se comprometeram a simplificar e melhorar os serviços e trâmites regulamentares para a concessão de vistos e permanência envolvendo chineses e brasileiros. O objetivo é incentivar os programas de turismo e incrementar os projetos em educação e treinamento pessoal.
A pauta comercial entre China e Brasil também ganhou novos elementos, incluindo gelatina, milho, folha de tabaco dos estados da Bahia e Alagoas, embriões e sêmen de bovinos, frutas cítricas do Brasil, e peras, maçãs e frutas cítricas da China.
Hoje, Dilma e Wagner participam, em Pequim, da reunião multilateral Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), que terá como convidada a África do Sul.
ALGODÃO
Indústria chinesa interessada em participar da agroindustrialização
A indústria Hopefull Group Grain Oil Food tem interesse de participar do processo de agroindustrialização do algodão na Bahia, conforme manifestou o presidente da empresa, Shi Kerong, ao secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, durante visita ontem, em Pequim. "Nosso foco é a soja, mas temos parcerias com a indústria têxtil e podemos ajudar a Bahia a industrializar o algodão", afirmou o empresário.
O vice-presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Celito Missio, acompanhou o secretário na visita à Hopefull, localizada a
Segundo produtor – Salles lembrou que a Bahia é o segundo maior produtor nacional de algodão, atrás apenas do Mato Grosso, mas não possui grande indústria têxtil. "Queremos mudar essa realidade, agregando valor ao produto e gerando emprego e renda", disse.
O algodão baiano tem excelente produtividade, com 3.900 quilos por hectare, e para a safra 2010/2011, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 1,511 milhão de toneladas, o que representa crescimento de 48,6% em relação à safra anterior (1,017 milhão de toneladas). A área plantada também cresceu 48,6%, passando de 268,8 mil hectares para 387,5 mil hectares.
Soja – Indústria da iniciativa privada de esmagamento de soja, que tem capital de US$ 3 bilhões, a Hopefull deseja comprar soja da Bahia. A capacidade instalada da empresa é o processamento de 3 milhões de toneladas/ano, o equivalente a praticamente toda a produção de soja do oeste baiano, estimada em 3,3 milhões de toneladas.
Hoje, o secretário Eduardo Salles e o superintende de Atração de Investimentos, Jairo Vaz, seguem para Seul, na Coréia do Sul, onde se reúnem com os executivos da Samsung e da AT Korea Agro-Fisheries Trade Corporation, também interessados em investir na Bahia no segmento de soja.