25/04/2011
Responsável pela maior descoberta de níquel da última década, no mundo - a mina de Santa Rita, na Bahia -, a Mirabela Mineração do Brasil levantou no mercado de capitais os recursos que permitirão acelerar a produção de níquel sulfetado no país. A empresa, subsidiaria da mineradora australiana Mirabela Nickel, concluiu a captação de US$ 395 milhões no mercado internacional, com a emissão de notas seniores, não conversíveis, sem garantia.
A expectativa, de acordo com o executivo, é ampliar em 60% a extração de níquel, dos 10,6 mil toneladas de 2010 para 16,6 mil toneladas neste ano. “Nossa prioridade, no entanto, é alcançar uma produção de 25 milhões de toneladas por anos em 2012. Só a partir daí é que vamos trabalhar no detalhamento dos planos de mais longo prazo”, revela.
A produção, esclarece Nepomuceno, já está totalmente vendida até 2014, por meio de contratos com a brasileira Votorantim Metais (50%) e com a Norilsk (50%), da Rússia, líder mundial no setor de níquel, com fatia de 22% do mercado.
Em janeiro, a Mirabela embarcou o primeiro carregamento de 8 mil toneladas de níquel sulfetado para a processadora da Norilsk, na Finlândia. Avaliada em 30 milhões, a carga foi exportada pelo porto de Malhado, em Ilhéus (BA). O próximo, de mesma quantidade, deverá seguir no início de junho para o mesmo destino. Ao todo, revela Nepomuceno, deverão ser embarcadas 70 mil toneladas só em 2011.
“O ano passado foi só para arrumar a casa, enquanto que em 2011 deverá marcar o grande salto da Mirabela, com elevação significativa de produção”, diz Nepomuceno ao exaltar o que classifica como rapidez no desenvolvimento da produção de Santa Rita, mina descoberta em 2004. “Em cinco anos, conseguimos iniciar a produção da mina. Entre 2007 e 2008 promovemos a abertura de capital da companhia, que hoje mantém ações listadas na bolsa de Sidney, na Austrália. Atualmente, tem valor de mercado superior a US$ 1 bilhão”.
Bolsa paulista
Questionado sobre a possibilidade de também negociar as ações na Bolsa de São Paulo (Bovespa), o executivo desconversa, ao admitir que tal hipótese também só deverá ser analisada depois de 2012. Para Nepomuceno, as mudanças em curso no setor minerador do Brasil, com a gestação de um novo marco regulatório do governo, não afetam os planos da companhia para o país. Ex-diretor da Vale, o executivo também se esquiva de polêmica quanto à assumida antipatia do governo Dilma em relação à exportação dos recursos minerais do país em estado bruto.
Produto altamente demandado pelo setor siderúrgico, que consome 70% da produção mundial, o níquel tem aplicação principalmente na produção de aço não corrosivo. O insumo é usado na fabricação de uma gama de produtos que vai de automóveis a talheres, passando por baterias de celulares.
A exportação de níquel sulfetado, argumenta Nepomuceno, encontra respaldo no governo da Bahia, que apoia integralmente o empreendimento da Mirabela, de acordo com o executivo, por meio da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).
A australiana Mirabela já concretizou investimentos de aproximadamente US$ 800 milhões no Brasil desde 2008. A companhia confere prioridade ao aumento da produção no país, nos próximos anos, mas mantém-se atenta à busca de novas reservas em território nacional. O otimismo encontra respaldo, na avaliação do executivo, em Santa Rita, mina cuja descoberta no município de Itagiba (BA), a 360 quilômetros de Salvador, superou os ativos mais recentes da canadense Inco, controlada pela brasileira Vale.
Projeto considerado de longo prazo, com previsão de 40 anos de produção, a mina de Santa Rita dispões de concentrado com 14% de níquel – superior ao dos outros 2 projetos do metal no Brasil. Especialiestas do setor explicam que, diferentemente do níquel laterítico, a outra forma encontrada do produto na natureza, o sulfetado demanda menor volume de investimento para início da produção.
Para tornar o investimento viável, a empresa concluiu na última semana uma captação, que contou com os bancos JP Morgan e Barclays Capital. Embora a companhia previsse levantar US$ 375 milhões com a operação, a procura acima do esperado pelo papel – seis vezes o valor indicado – permitiu a captação de US$ 395 milhões no total.
Redução de custos
A turbulência Global não assusta a Mirabela, que se vacina contra eventuais flutuações nos preços do níquel por meio de reduções constantes dos custos operacionais. Presidente da subsidiária brasileira da empresa australiana, Luis Carlos Nepomuceno afirma, no entanto, que não trabalha com a expectativa de oscilações nos preços do mineral nos próximos anos. Mesmo assim, pondera o executivo, a mineradora procura fazer uma espécie de dever de casa para evitar maiores surpresas em caso de piora do cenário.
Definido pela London Exchange Metals (LME), principal bolsa de negocações de metais não ferrosos no mundo, os preços do níquel atingiram no mês passado a maior cotação desde 2008. o movimento foi atribuído por analistas que acompanham o minério ao recuo do dólar frente ao euro e à aceleração dos preços do petróleo no mercado internacional. Nepomuceno não vê, por isso mesmo, nenhuma tendência de alteração do cenário do setor.
Luis Carlos Nepomuceno, presidente da Mirabela no Brasil, relata que os recursos contribuíram para a companhia alcançar a meta de produzir 25 mil toneladas de níquel sulfetado em 2012. A emissão, com taxa de 8,75% ao ano e vencimento em 2018, permitirá também reestruturar o endividamento da companhia.
A expectativa, de acordo com o executivo, é ampliar em 60% a extração de níquel, dos 10,6 mil toneladas de 2010 para 16,6 mil toneladas neste ano. “Nossa prioridade, no entanto, é alcançar uma produção de 25 milhões de toneladas por anos em 2012. Só a partir daí é que vamos trabalhar no detalhamento dos planos de mais longo prazo”, revela.
A produção, esclarece Nepomuceno, já está totalmente vendida até 2014, por meio de contratos com a brasileira Votorantim Metais (50%) e com a Norilsk (50%), da Rússia, líder mundial no setor de níquel, com fatia de 22% do mercado.
Em janeiro, a Mirabela embarcou o primeiro carregamento de 8 mil toneladas de níquel sulfetado para a processadora da Norilsk, na Finlândia. Avaliada em 30 milhões, a carga foi exportada pelo porto de Malhado, em Ilhéus (BA). O próximo, de mesma quantidade, deverá seguir no início de junho para o mesmo destino. Ao todo, revela Nepomuceno, deverão ser embarcadas 70 mil toneladas só em 2011.
“O ano passado foi só para arrumar a casa, enquanto que em 2011 deverá marcar o grande salto da Mirabela, com elevação significativa de produção”, diz Nepomuceno ao exaltar o que classifica como rapidez no desenvolvimento da produção de Santa Rita, mina descoberta em 2004. “Em cinco anos, conseguimos iniciar a produção da mina. Entre 2007 e 2008 promovemos a abertura de capital da companhia, que hoje mantém ações listadas na bolsa de Sidney, na Austrália. Atualmente, tem valor de mercado superior a US$ 1 bilhão”.
Bolsa paulista
Questionado sobre a possibilidade de também negociar as ações na Bolsa de São Paulo (Bovespa), o executivo desconversa, ao admitir que tal hipótese também só deverá ser analisada depois de 2012. Para Nepomuceno, as mudanças em curso no setor minerador do Brasil, com a gestação de um novo marco regulatório do governo, não afetam os planos da companhia para o país. Ex-diretor da Vale, o executivo também se esquiva de polêmica quanto à assumida antipatia do governo Dilma em relação à exportação dos recursos minerais do país em estado bruto.
Produto altamente demandado pelo setor siderúrgico, que consome 70% da produção mundial, o níquel tem aplicação principalmente na produção de aço não corrosivo. O insumo é usado na fabricação de uma gama de produtos que vai de automóveis a talheres, passando por baterias de celulares.
A exportação de níquel sulfetado, argumenta Nepomuceno, encontra respaldo no governo da Bahia, que apoia integralmente o empreendimento da Mirabela, de acordo com o executivo, por meio da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).
Autralianos buscam novas reservas no país
A australiana Mirabela já concretizou investimentos de aproximadamente US$ 800 milhões no Brasil desde 2008. A companhia confere prioridade ao aumento da produção no país, nos próximos anos, mas mantém-se atenta à busca de novas reservas em território nacional. O otimismo encontra respaldo, na avaliação do executivo, em Santa Rita, mina cuja descoberta no município de Itagiba (BA), a 360 quilômetros de Salvador, superou os ativos mais recentes da canadense Inco, controlada pela brasileira Vale.
Projeto considerado de longo prazo, com previsão de 40 anos de produção, a mina de Santa Rita dispões de concentrado com 14% de níquel – superior ao dos outros 2 projetos do metal no Brasil. Especialiestas do setor explicam que, diferentemente do níquel laterítico, a outra forma encontrada do produto na natureza, o sulfetado demanda menor volume de investimento para início da produção.
Para tornar o investimento viável, a empresa concluiu na última semana uma captação, que contou com os bancos JP Morgan e Barclays Capital. Embora a companhia previsse levantar US$ 375 milhões com a operação, a procura acima do esperado pelo papel – seis vezes o valor indicado – permitiu a captação de US$ 395 milhões no total.
Redução de custos
A turbulência Global não assusta a Mirabela, que se vacina contra eventuais flutuações nos preços do níquel por meio de reduções constantes dos custos operacionais. Presidente da subsidiária brasileira da empresa australiana, Luis Carlos Nepomuceno afirma, no entanto, que não trabalha com a expectativa de oscilações nos preços do mineral nos próximos anos. Mesmo assim, pondera o executivo, a mineradora procura fazer uma espécie de dever de casa para evitar maiores surpresas em caso de piora do cenário.
Definido pela London Exchange Metals (LME), principal bolsa de negocações de metais não ferrosos no mundo, os preços do níquel atingiram no mês passado a maior cotação desde 2008. o movimento foi atribuído por analistas que acompanham o minério ao recuo do dólar frente ao euro e à aceleração dos preços do petróleo no mercado internacional. Nepomuceno não vê, por isso mesmo, nenhuma tendência de alteração do cenário do setor.