Portas abertas para o mercado de trabalho

28/04/2011

Catiane Magalhães





A cada dez grandes empresas, pelo menos sete enfrentam problemas com a falta de mão de obra qualificada. A pesquisa divulgada recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) deixou em alerta a Bahia Mineração (Bamin) – companhia responsável pelo Projeto Pedra de Ferro, em Caetité, e pela construção do Porto Sul, em Ilhéus.


Preocupada com as fases de construção e operação dos futuros empreendimentos, a Bamin lançou o programa Mina de Talentos, que vai qualificar cerca de 6700 jovens para atuar nas áreas civil e operacional.


Ao todo, são mais de 50 cursos, como montagem eletromecânica, técnico administrativo, mecânica, marcenaria, carpintaria, manutenção ferroviária, portuária, de mina, de usina, entre outros, ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).



De acordo com o vice-presidente executivo da Bamin, Clovis Torres, o objetivo é preencher os postos de trabalho que serão gerados com mão de obra local, o que, na sua avaliação, cumpre o importante papel social de gerar riqueza e fortalecer a economia da região.


“A nossa expectativa é que, no mínimo, 70% destes alunos sejam aproveitados pelas construtoras envolvidas nas obras. Mas, o mais importante é que estamos preparando profissionais para o mercado de trabalho. Depois de certificados eles estarão aptos para disputar vagas em qualquer empresa”, pontuou.



Questionado se a capacitação não é precipitada, uma vez que os dois empreendimentos ainda estão em fase de estudos ambientais e as licenças prévias ainda não foram emitidas, Torres foi categórico: “É um risco necessário e calculado.


A capacitação requer tempo. O ideal é que iniciemos agora para quando as licenças forem emitidas os profissionais já possam atuar nas suas áreas específicas. Se fosse o contrário, não teríamos tempo de esperar a capacitação e seria necessário importar mão de obra, o que encareceria os serviços e ocasionaria um desequilíbrio social na região”, acredita.


A chefe da Casa Civil do governador Jaques Wagner, Eva Chiavon, que esteve na aula inaugural do projeto Mina de Talentos, na última terça-feira, em Ilhéus, garantiu que há um comprometimento entre o governo do Estado e o Ibama para acelerar o processo de concessão das devidas licenças.


“Estamos trabalhando neste sentido para não termos ainda mais atrasos, já que a mudança da área de implantação do Porto Sul prejudicou o cronograma”, ressalta.


De volta à sala de aula – O aposentado Edvaldo Coelho, conhecido como carioca, é o aluno mais velho da turma. Aos 66 anos, o aposentado que passou a vida trabalhando como mecânico recorre ao programa de capacitação para conseguir o tão sonhado certificado. “Fui mecânico pela prática e dom, mas agora terei uma formação”, disse sem esconder o entusiasmo de voltar para a sala de aula depois de muito tempo.


Carioca é um dos 5753 inscritos da região de Ilhéus, que se soma aos mais de 2.260 em Caetité e outros 2124 em Guanambi, totalizando mais de 10 mil candidatos aos cursos. O gerente de Recursos Humanos da Bamin, Mauro Barbosa, afirma que cada candidato foi entrevistado individualmente e mais da metade aprovada no processo seletivo.


A primeira turma do Mina de Talentos inicia às aulas na próxima segunda-feira (2), com carga horária até o mês de outubro. Só em Ilhéus, 314 pessoas serão capacitadas nesta primeira etapa. Na região de Caetité e Guanambi, no Oeste do Estado, mais 428 participarão dos cursos, que devem custar à Bamin cerca de R$ 900 mil.


As demais turmas serão formadas gradativamente, de acordo com a necessidade de mão de obra. Até 2013, a Bahia Mineração vai investir R$ 16,7 milhões na qualificação profissional de jovens e adultos que moram nas áreas de atuação da empresa.


Segundo o gerente do Senai do Sul e Sudoeste da Bahia, Jurandir Hendler, o Mina de Talentos já é considerado o maior programa de capacitação de mão de obra já realizado pela iniciativa privada na Bahia, desde o início da década.



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