ALINE BARNABÉ
Caetité, município baiano da região oeste, é conhecido por abrigar em suas terras uma grande jazida de urânio, matéria-prima para geração de energia elétrica de reatores nucleares. Esse minério é trabalhado pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), com sede em Brasília, mas que está onde existe o minério.
Aqui na Bahia, a INB atua desde 1999, em área onde existe uma reserva de 100 mil toneladas do minério. A Unidade de Concentrado de Caetité produz anualmente cerca de 400 toneladas de concentrado de urânio, o suficiente para abastecer as usinas Angra 1 e Angra 2, por exemplo. Toda a área da unidade da INB em Caetité tem 1.700 hectares, sendo que a área da mina é de 13 hectares.
Em Caetité, a INB possui atualmente 167 funcionários concursados, 320 terceirizados, 50 contratados e cinco estagiários, num total de 542. Além disso, gera emprego indireto para aqueles que prestam serviços para a empresa, ou que conseguem montar um negócio pelo aumento de investimentos na cidade. Daí a importância de uma empresa de grande porte na movimentação da economia para o Estado.
O minério passa por alguns processos antes de ser utilizado como fonte de energia, como explica a assessoria de imprensa da empresa. Primeiro, o urânio é extraído da rocha e transportado para uma área de britagem, onde é quebrado até formar pequenas pedrinhas. Em seguida elas são agrupadas, formando uma grande pilha, onde recebem uma solução de ácido sulfúrico que separa o urânio da rocha.
Esse processo é conhecido como lixiviação e o resultado dele é um
líquido conhecido como licor de urânio. O beneficiamento é o processo que vai transformar o licor de urânio num concentrado, que tem a forma de uma pasta amarela também conhecida como yellow cake.
Esse minério é de extrema importância, pois fará parte do nosso cotidiano por muito tempo, já que todas as pessoas necessitam da energia elétrica para realizar diversas tarefas simples do dia a dia. Atualmente o consumo de energia é de 100 mil megawatts para 190 milhões de pessoas, mas a previsão é que em 2030 esse número aumente para 225 milhões e, com isso, o consumo de energia também aumentará para 200 mil megawatts. "Ou seja, em 20 anos teremos que dobrar a quantidade de energia produzida", afirma a INB.
A utilização da energia nuclear, por ser considerada uma fonte limpa, é importante neste processo, porque é capaz de atender esse consumo crescente sem aumentar a quantidade de gás carbônico lançado no meio ambiente.
Mas não é só na Bahia que é possível encontrar esse material. O urânio foi encontrado em Minas Gerais, na cidade de Caldas, em 1982. Essa atividade na região mineira durou 13 anos e era direcionada para abastecer a usina de Angra 1. Como no Brasil há o objetivo de construir mais usinas, já existem estudos sobre a reserva de Santa Quitéria, no Ceará, onde o urânio encontra-se associado ao fosfato.
Potencial
O Brasil tem a sétima maior reserva de urânio do planeta, sendo que
apenas um terço do seu território foi pesquisado e é um dos poucos países do mundo a dominar todas as etapas de fabricação do elemento combustível. Todo esse potencial não pode ser desperdiçado. A quantidade existente é suficiente para atender as necessidades do País por longo prazo e exportar.
Com toda essa reserva guardada em terras brasileiras, como saber se uma rocha tem ou não o urânio? O minério não possui uma cor fixa que o caracterize.
Ele está presente em toda a crosta terrestre como constituinte da maioria das rochas e pode ser encontrado nas cores amarela, marrom, branca e cinza. Por ser parte de rochas, o que o diferencia de outros minerais é sua propriedade de emitir partículas radioativas, excelentes para gerar calor e energia.
O trabalho com um minério com esta importância exige um trabalho de excelência. A INB pensando nisso preparou um projeto ambiental chamado Bosque da Amizade. Esse projeto foi criado há oito anos e desenvolvido na unidade da empresa em Caetité. O objetivo é registrar as visitas com o cultivo de plantas típicas da região. O visitante recebe uma muda e a outra é plantada no Horto Florestal.
Atualmente, o projeto tem 219 árvores plantadas de 28 espécies diferentes. Por conta desse projeto com o olhar na preservação do meio ambiente, a INB vai receber um prêmio oferecido pela revista Minérios & Minerales.
Importância do minério exige um trabalho de excelência
31/05/2011