Empresa vai explorar gás em Abrolhos

09/06/2011

ENERGIA Queiroz Galvão vai aplicar R$ 8o milhões no projeto. Iniciativa, no entanto, preocupa ambientalistas baianos



DONALDSON GOMES



A expectativa de uma produção de gás natural semelhante à de Manatí, que trabalha com vazão de 8 milhões de metros cúbicos por dia atualmente, está aproximando a atividade exploratória do santuário ecológico de Abrolhos. No último dia 5, a Queiroz Galvão Exploração e Produção iniciou a perfuração exploratória em um poço na bacia do Jequítinhonha, que fica a 250 quilômetros do Parque Nacional de Abrolhos, no Litoral Sul baiano. No projetos, serão investidos cerca de R$ 80 milhões.



No final da última semana, a Queiroz Galvão anunciou que recebeu do Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) uma licença de exploração válida até o ano de 2013.

Para liberar a atividade, o órgão ambiental estabeleceu condicionantes adicionais em relação às normalmente exigidas na atividade de exploração de petróleo e gás.



A licença assinada pelo presidente do Ibama, Curt Trennepohl, estabelece 15 condições específicas para a permitir a atividade no local. Insuficiente para o ambientalista Marcell Morais, presidente do Grupo Ecológico Amigos da Onça (Geamo). "A gente é contra a liberação porque as autorizações são dadas sempre com algum tipo de brecha para problemas", diz.



Uma das muitas condicionantes estabelece que a exploração só deve se dar entre os meses de junho e setembro, segundo o Ibama, por causa das "menores probabilidades de óleo atingir a área de Abrolhos". Para Morais, além de não garantir que a área está livre de acidentes, faltaria clareza em relação ao que garante que o período é mais seguro. "Quais foram os testes que deram essa certeza? A verdade é que autorização está sendo dada com base em uma hipótese e depois os acidentes acabam acontecendo", afirma.



Plano de emergência



De acordo com a Queiroz Galvão, o plano de emergência está estruturado de forma a atender os cenários de acidentes identificados nos estudos de impacto ambiental realizados. "Contamos com quatro bases de apoio em Ilhéus, Una, Canavieira s e Alcobaça, duas embarcações de combate a vazamento de óleo localizadas ao lado da plataforma que, juntamente com a s embarcações de apoio, permitirão uma resposta imediata em uma eventual emergência", enumera a empresa através de nota distribuída pela assessoria de imprensa. "Além disso, temos barcos de combate dedicados e barcos de proteção à costa constantemente treinados localmente", complementa.



Riscos, existem, reconhece a Queiroz Galvão, destacando que a empresa estaria preparada para os mesmos ao atender todas as exigências ambientais. "Vale a pena ressaltar que em toda a história de exploração na costa da Bahia, aproximadamente 150 poços foram perfurados na região sem que se tenha registro de qualquer acidente ambiental", diz a nota.



Há um outro bloco de exploração ainda mais ao leste da área que está sendo explorada pela Queiroz Galvão, portanto ainda mais próximo de Abrolhos - é o BM-I-3, que pertence àPetrobras. A estatal requeriu em 2007 uma licença prévia para perfuração, que venceu no último mês de outubro, segundo dados do Ibama. De acordo com a assessoria de imprensa da Petrobras, não existe estimativa em relação a um novo pedido de licença, muito menos em relação ao início da atividade de exploração e, posteriormente, produção.



As duas áreas na Bacia do Jequitinhonha foram arrematadas durante a Rodada de Negociações da Agência Nacional de Petróleo {ANP), em 2002. A Queiroz Galvão pagou R$ S55 mil pela área de 766 mil metros quadrados, enquanto a Petrobras, em consórcio com a Statoil ASA, pagou R$ 13,2 milhões 1,9 milhão de metros quadrados.


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