Multinacionais querem se instalar no Polo

15/06/2011


Alessandra Nascimento



Empresas multinacionais estão procurando o Polo Industrial de Camaçari para abrirem novas unidades na Bahia. A informação é do Superintendente Geral do Cofic, Mauro Pereira, “somente neste ano mais de 20 indústrias procuraram o Polo. Nos anos 90 eram 40 empresas presentes no Polo. Atualmente são 64 associadas sem contar com a Ford e o Complexo Automobilístico.



Com elas subimos para 90 indústrias. O Polo vive um momento especial com a vinda das eólicas e isso impacta positivamente”, cita. Segundo Mauro Pereira, o número de empresas interessadas em se instalar no Polo tem crescido e ele destaca o Complexo Acrílico.



“Trata-se de um projeto com grande potencial de integração da cadeia produtiva local, desde a primeira geração, através do suprimento de matéria prima (propeno) pela Braskem, passando pela segunda geração, com desdobramentos importantes também na Terceira Geração uma vez que possibilita a fabricação de produtos finais com maior valor agregado”, esclarece.



Pereira ressaltou o apoio do governo da Bahia na atenção das demandas da Carta do Polo, em 2008, quando foram solicitadas questões relacionadas a logística, segurança, dentre outros pontos.



“As principais demandas foram atendidas. O sistema BA 093 é algo muito importante para o Polo, pois nele trafegam de matérias primas a produtos que necessitam ser enviados aos seus destinos. Esse sistema também leva a produção para os portos de Salvador
e Aratu e pelas BR 324, BR 116 e BR 101. As obras foram importantes uma vez que o sistema estava deteriorado.



O governo além de nos ouvir, buscou soluções como a concessão dos sistemas e no campo federal o governo estadual foi um importante interlocutor para a inclusão das vias federais no PAC”, diz. Estão previstos para os próximos cinco anos, segundo o Cofic, investimentos da ordem de US$ 4,3 bilhões no Polo de Camaçari.



Pereira reforça que a questão da segurança também tem sido foco de atenção do Polo. “O governo implantou a Companhia Independente de Policiamento Especializado, o que tem sido muito bom para o policiamento na região não apenas para os que trabalham no polo, como aqueles que vivem no entorno”, explica.



Competitivo - O superintendente do Cofic lembrou da questão envolvendo matérias primas e a matriz energética. Na visão dele, para ser mais competitivo, o polo precisa encontrar matérias primas e energia a preços mais competitivos. “Precisamos de gás em quantidade e com bons preços. A energia elétrica também chama atenção.



Os apagões geram transtornos financeiros para o cidadão comum e também para a indústria acarretando grandes perdas. Precisamos ter mais segurança no Sistema de Operador Nacional. O custo da energia no Brasil está caro e precisa seguir o referencial internacional”, menciona.



Organização espacial do Pólo via plano diretor. “Trata-se de um planejamento das áreas industriais ocupadas e isso tem que ser focado para as próximas décadas. Aguardamos a emissão de um decreto por parte do governo contemplando este ponto.



Essa organização deve levar em conta que indústrias químicas e petroquímicas devem ficar agrupadas num determinado local, em outro as que forem do pólo automobilístico e o mesmo se aplicando as da área de celulose”, esclarece.



Mão de obra



Uma situação que Mauro Pereira mencionou envolve a formação da mão de obra. Ele disse que a indústria encontra imensa dificuldade em recrutar pessoal. “Precisamos focar na grade curricular e estamos focando na formação técnica. As universidades são ponto essencial nesta discussão.



A prioridade é a valorização da mão de obra local e a participação do Senai/ Cetind. Também é essencial a aproximação de empresas e universidades de tal maneira que se possa atrair inteligências via centros tecnológicos do governo e órgãos de incentivo a pesquisa para suporte”, frisa.



Ele comenta uma situação que diz respeito à expansão e ao adensamento da cadeia produtiva. “O olhar sobre o pólo precisa ser completo para que a produção tenha maior valor agregado, trazendo para isso indústrias de matérias primas e toda a cadeia produtiva complementando a produção industrial de Camaçari”, avisa.

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