Fábrica de aerogeradores reforça a capacidade energética baiana

11/07/2011


Os investimentos na diversificação da matriz energética na Bahia, principalmente na energia eólica, têm atraído empresas do setor ao estado. A primeira a se instalar visando à capacidade energética baiana foi a Gamesa, fábrica de aerogeradores, equipamentos que convertem energia eólica em energia elétrica.


A inauguração da planta, localizada no Polo Industrial de Camaçari, aconteceu na manhã de sexta, com a presença do governador Jaques Wagner e do secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia.


A empresa investiu, inicialmente, R$ 50 milhões na unidade baiana, que vai produzir 150 nacelles (motores), com potencial para gerar 300 megawatts/ano, energia suficiente para abastecer uma cidade do porte de Feira de Santana, com cerca de 600 mil habitantes.


Potencial eólico – "A Bahia vem se consolidando como potencial eólico e, portanto, não tenho dúvida de que logo os empresários da Gamesa vão sentir necessidade de ampliar essa unidade para poder atender à grande demanda do estado", afirmou o governador.


Outra empresa que está se instalando na Bahia é a francesa Alstom, com previsão de iniciar as atividades em setembro. A empresa vai produzir equipamentos para a geração e transmissão de energia eólica. Apesar de a inauguração estar prevista para daqui a dois meses, a multinacional começou, no início deste ano, a equipar o primeiro parque eólico baiano, no município de Brotas de Macaúbas.


Segundo o secretário da Industria, Comércio e Mineração, James Correia, a Bahia tem, em fase de implantação, uma potência total de 1.000 megawatts, resultado dos 34 projetos de geração eólica garantidos em 2009 e 2010, por meio do Leilão Nacional de Projetos Exploratórios de Energia Eólica. Ele explicou que mais dois mil megawatts estão disponíveis para negociação no próximo leilão do Ministério de Minas e Energia, que deve ser realizado até 2012.


Os projetos desenvolvidos na Bahia representam investimentos de R$ 4 bilhões. A previsão é de que mais de R$ 42 bilhões serão investidos em energia eólica no estado nos próximos anos. Com esses investimentos, estima-se a criação de quatro mil empregos diretos e indiretos nas diversas fases dos empreendimentos.


Estratégias para atrair novas empresas do setor


Para fortalecer a implantação e consolidar o polo de fabricação de equipamentos para o setor eólico, o governo da Bahia tem realizado estratégias a fim de atrair novas empresas do setor.


Em maio deste ano, numa missão comercial a países europeus – a exemplo da Dinamarca –, o secretário da Indústria, Comércio e Mineração visitou empresas de componentes e equipamentos para a geração de energia por meio dos ventos, incluindo um fabricante europeu de torres para os aerogeradores e uma indústria de logística especializada nesse mercado.


"A vinda dessas fábricas vai fazer com que os projetos fiquem ainda mais competitivos. Elas são muito importantes, como fonte alternativa de energia e para a geração de emprego e renda, até porque os parques serão instalados, principalmente, no semiárido, região que precisa muito do desenvolvimento econômico", disse o secretário James Correia.


Para as empresas do polo industrial de energia eólica, que estão se instalando em Camaçari, o Estado oferece a desoneração do ICMS na aquisição de bens destinados ao ativo fixo, além de infraestrutura e suporte para as plantas industriais.


SICM anuncia implantação de outra indústria do setor


Durante a inauguração da Gamesa, o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, anunciou a implantação da Torres Eólicas do Brasil – Torrebrás. A empresa irá investir R$ 21 milhões e gerar 235 empregos diretos na fase inicial.


"O polo industrial da energia eólica está crescendo. Hoje (sexta), inauguramos a primeira fábrica de aerogeradores do Estado e anunciamos a vinda de mais uma empresa da cadeia produtiva", afirmou Correia.


A Torrebrás faz parte do grupo espanhol Windar, que atualmente dispõe de quatro centros de produção, três na Espanha e um na Índia. A fábrica terá capacidade de produção de 500 toneladas por ano e será implantada em Camaçari.


Segundo o presidente da Windar, Orlando Alonso, o grupo fez um estudo de mercado no país, e a Bahia apresentou vários pontos positivos. "O potencial, a localização do estado e a infraestrutura oferecida nos fizeram optar pela Bahia", afirma Alonso. Ele acredita que até outubro as obras do empreendimento estejam iniciadas.

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