Adriano Villela
As negociações do governo do Estado com vistas a trazer para a Bahia a fábrica chinesa da JAC Motors estão avançadas. Apesar de o investimento para implantação de uma unidade brasileira da montadora ter sido confirmado apenas anteontem, as conversas entre a Secretaria da Indústria, Comercial e Mineração e o grupo SHC que trouxe a marca JAC para o Brasil começaram desde o ano passado. E mais, de acordo com os critérios divulgados pela empresa, a Bahia é o único estado do Nordeste no páreo.
Também estão na disputa Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Com revendas da marca, Goiás e Pernambuco correm por fora, enquanto Santa Catarina apresenta vantagens portuárias, embora a cotação destes três estados é menor, de acordo com fontes que atuam na montadora chinesa.
Numa coletiva promovida anteontem, em São Paulo, a JAC Motors anunciou os três principais critérios de escolha: logística, proximidade com um parque de fornecedores e com os consumidores da marca, concentrados na região sudeste.
A decisão deve sair no final do ano. Um diferencial baiano é a presença de duas concessionárias da montadora – Caminho das Árvores e Pituba, ambas em Salvador -, que já alcançou 3% do mercado da capital, emplacando cerca de 200 dos 6 mil a 6,5 mil carros novos que Salvador ganha todo mês. Mais duas concessionárias devem ser abertas até o final do ano em Salvador.
Outra vantagem da Bahia é o polo automotivo consolidado em Camaçari, que conta com a Ford e dezenas de fornecedores instalados. A Bahia é hoje o segundo maior produtor de pneus nacionais, por intermédio principalmente das fábricas da Continental AG e Firestone.
Com capital misto (50% chinês e 50% brasileiro), a fábrica da JAC será inaugurada em 2014, com capacidade para produzir 100 mil veículos anuais. Vai gerar 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. O investimento será de R$ 900 milhões, equivalente a cerca de US$ 600 milhões. O primeiro modelo deve ser inédito – lançado de forma pioneira pela planta brasileira, mas não se sabe o grau de nacionalização das peças.
A JAC está presente no mercado nacional desde março deste ano, quando inaugurou 38 revendas simultaneamente, incluindo uma na capital. Hoje vai lançar o terceiro modelo a venda em território nacional, o J6, uma van tipo família, destinada às classes A e B, com preço em torno de R$ 59 mil.
Cada uma das 50 concessionárias custaram em média R$ 2 milhões. Em publicidade, o grupo chinês desembolsou US$ 140 milhões. Dois fatores fortaleceram a decisão de construir um fábrica – o receio da dependência do câmbio na importação dos veículos importados e a elevação nas vendas, uma vez que o pedido demora seis meses para chegar.
Investidores têm interesses em várias áreas na Bahia
A demonstração de interesse do capital chinês pela Bahia não fica só no setor automotivo. Desde o final de semana, uma comitiva da Aviation Industry Corporation of China (AVIC XAC-IEC) faz contatos visando trazer empreendimentos à Bahia. No último domingo, o grupo se reuniu com o milionário minerador João Carlos Cavalcanti, da WMRSA, no Hotel Deville. Os chineses querem investir na exploração e beneficiamento de ferro, alumínio, níquel, cobre, terras raras e agrominerais (potássio, enxofre e fósfato).
Ontem, a missão chinesa teve outro encontro, desta vez na Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, que contou com a presença do ex-secretário do Planejamento e atual senador, Walter Pinheiro. Segundo Pinheiro, a Indústria de Aviação Chinesa (na tradução do nome do inglês para o português) mira ainda as áreas de portos, energia, ferrovias e telecomunicações.
Atua ainda na produção de energia eólica e de energia fotovoltaica, aviões, trens, caminhões, ônibus e também atua no setor de telecomunicações. O grupo chinês está presente setores que vão da fabricação de aviões à construção civil. A comitiva chinesa também esteve reunida ontem com representantes da Secretaria do Planejamento (Seplan), onde conheceu projetos que estão sendo desenvolvidos pelo Governo da Bahia.
Entre os seus principais empreendimentos está a ponte de 36 quilômetros na baía de Hangzhou, em Xangai, considerada a maior do mundo sobre o mar. Nem o parlamentar nem o empresário informou nada sobre uma possível participação da Avic no projeto da ligação Salvador-Itaparica, em gestação na Seplan. “Eles falaram comigo apenas sobre minha área, que é Mineração”, frisou Cavalcanti.
Os chineses da Avic embarcam hoje para São Paulo. No próximo domingo e na segunda-feira eles têm novo encontro com João Carlos Cavalcanti, quando devem acertar os detalhes sobre os investimentos na Bahia. “Eles demonstraram interesse”, afirmou o sócio da WMRSA. As conversas giram em torno de 28 propostas, com duração de até 10 anos.
Executivos chineses representando a Ferrous Brazil Resources e a Prosperty International manifestaram interesse em movimentar cargas no equipamento. A Ferrous está presente no município de Coração de Maria, com projeção de produção de 15 milhões de toneladas de minério de ferro na mina de Jacuípe. A operação deve começar em 2014. Em estudo ainda a construção de um mineroduto e um terminal portuário.
Este ano, um grupo chinês assinou protocolo de intenções com o governo baiano visando o processamento de soja em Barreiras, na região oeste. Irá produzir 1,5 milhão de toneladas/ano e gerar 300 empregos diretos, com investimento de R$ 330 milhões.