De olho na JAC, Bahia quer ampliar porto

29/08/2011

INFRAESTRUTURA Ampliaçao de terminal está orçada em R$ 150 milhões



JOÃO PEDRO PITOMBO



A infraestrutura logística será fator determinante na disputa dos estados pela fábrica da montadora chinesa JAC Motors, que já anunciou a decisão de implantar uma unidade industrial no Brasil - num investimento estimado em R$ 900 milhões.


E é pensando nisso que o governo da Bahia pretende colocar na mesa de negociação um projeto de ampliação do terminal portuário privativo Miguel de Oliveira, atualmente explorado pela Ford.


Pela proposta, que já está em fase de conclusão de projeto, o espaço se tornaria um terminal automotivo com capacidade de atender a pelo menos três montadoras.



O governador Jaques Wagner (PT) admite a discussão do projeto no âmbito do governo estadual para o compartilhamento do terminal entre mais de uma montadora. Contudo, ele explica que a concretização do projeto - orçado em R$ 150 milhões - está condicionada à atração de um empreendimento que garanta a demanda.



"Não posso fazer (a ampliação) se não houver uma proposta firme de chegada (de outra montadora). Se tiver uma proposta firme, é obvio que há uma negociação com a Ford. Mas não vejo nenhuma dificuldade numa eventual ampliação do espaço, até porque o porto é público", destacou Wagner, que se reuniu com o presidente do grupo SHC e representante da JAC Motors no Brasil, Sérgio Habbib, para as tratativas sobre a possível implantação da fábrica no Estado. Bahia e Goiás são tidos como os estados favoritos no processo de atração da indústria.



Concessão



Construído pelo Estado, o terminal foi Inaugurado em 2005 e desde então é operado unicamente pela Ford, que detém a concessão do espaço até 2055. Localizado a 35 quilômetros da fábrica, o porto custou R$ 47 milhões e faz parte do pacote de benefícios concedidos à montadora para se instalar em Camaçari



A proposta para ampliação do terminal portuário da Ford está sendo desenvolvida pela secretaria de Indústria, Comércio e Mineração. Segundo titular da pasta, secretário James Correia, independente da vinda de outras montadoras, o terminal precisa ser ampliado. "O espaço já está pequeno até para a própria Ford. Mas a nossa idéia é fazer um projeto amplo, com um terminal de uso privativo para setor automotivo, que poderá abrigar novas montadoras".



De acordo com Correia, a ampliação e o compartilhamento do terminal será interessante até para a própria Ford. "Estamos conversando com eles, que são os concessionários do terminal. Mas não acredito que haverá dificuldade porque é um investimento que aumenta a capacidade e competitividade do setor. Eles tem todo o interesse na ampliação do pátio", diz. O objetivo do governo estadual é que o pátio seja alfandegado, com uma presença permanente da Receita Federal para dar agilidade no processo de importação e exportação.



O senador Walter Pinheiro, que está acompanhando o desenvolvimento do projeto, explica que a idéia é alargar o canal de circulação dos navios, além de ampliar o pátio de armazenagem. "Estamos trabalhando junto com a Codeba para concluir o projeto para ampliação do terminal. Queremos expandir para possibilitar a operação de outras montadoras", destacou



Experiência com a Ford é diferencial, diz Wagner


O governador Jaques Wagner destacou a bem-sucedida experiência da implantação da Ford, mão de obra qualificada e rede de fornecedores de autopeças como diferenciais da Bahia na disputa com outros estados como Goiás para atração da montadora da JAC Motors. Segundo ele, a dlsponibilização do terreno e a concessão de vantagens fiscais já fazem parte do cardápio normal de incentivos.



"Todos os estados podem oferecer vantagens fiscais. Por isso, os elementos que eu destacaria é o fato de a Bahia ser o maior mercado consumidor do Nordeste e ser o estado maia próximo do Centro-sul. Além disso, temos uma história com a instalação da Ford aqui há dez anos e uma mão de obra que todos reconhecem como uma das mais produtivas do País" afirmou Wagner com exclusividade a A TARDE, minutos antes de entrar em reunião com o presidente do grupo SHC e representante da JAC Motors no Brasil, Sérgio Habbib, na governadoria.



Wagner confirmou que a negociação está em curso: "Essa não é uma primeira reunião, nem será a última. Toda vez que se sabe que há uma manifestação de interesse de instalar uma fábrica no Brasil, seguimos um procedimento para tentar atrair as empresas", destacou. As tratativas sobre a implantação da empresa no Brasil estão sendo feitas sob contato de confidenciabilidade, motivo pelo qual nem governo do Estado, nem o representante da JAC Motors revelam oficialmente o teor das conversas.



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