Desvalorização do real anima indústria da Bahia

23/09/2011

Se a forte variação do dólar registrada ontem não agrada a ninguém pela incerteza que causa no mercado, a alta acumulada nos últimos 30 dias - algo em torno de 15 % - é prato cheio para quem vive das exportações.


Mesmo classificando como "tenebroso" o dia de ontem, quando o dólar registrou picos de alta (R$ 1.953) e de baixa (R$ 1,844), o vice-presidente da Braskem e presidente do Comitê de Fomento industrial de Camaçari (Cofic), Manoel Carnaúba considera que, a médio e longo prazo, a desvalorização do real aumenta a competitividade dos produtos nacionais no mercado doméstico e dá fôlego para a exportação.



O reflexo desta valorização da moeda norte-americana, no entanto, só terá impacto direto na indústria em um prazo que varia, a depender do tipo de produto, entre 30 (produtos petroquímicos básicos e resinas) a 90 dias (termoplásticos), estima Carnaúba.
"A indústria não opera a variação do dia, mas do mês", disse.


Ele pondera, no entanto, que Isso pode não significar diminuição no preços de venda, já que matérias-primas utilizadas pela indústria, como a Nafta, são cotadas pela moeda americana.



A valorização do dólar é um alento para o mercado exportador, que vem sofrendo há cerca de dois anos e melo com a cotação da moeda americana girando em torno dos RS 1,50, na opinião de Wilson Andrade, diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal - entidade que congrega, entre outros produtos, celulose e papel, concorrente direta do setor petroquímico como principal produto exportado pela Bahia, responsável por 22% das exportações baianas. "Pode-se compensar a perda com aumento de preço do produto lá fora, mas poucos produtos tem esta elasticidade. Tudo depende da oferta", disse Andrade.





Importação




Andrade, que também é professor de Economia Internacional, destaca que, assim como a alta do dólar é bom para o setor exportador, para importadores significa aumento de custos na hora da compra.


Ele informa que, geralmente as operações em mercado Internacional têm prazo de um ano entre compra e entrega, e a alta do dólar pode causar surpresas desagradáveis a importadores na hora do pagamento.


"Se o comprador fecha o negócio por US$ 15, com o dólar a RS 1,50 é uma coisa. Mas se na hora de pagar a moeda americana estiver a RS 1,95 ele vai ter que pagar mais pelo mesmo produto", disse.


Segundo ele, o governo deve adotar medidas parta evitar a oscilação de preços para proteger o mercado interno.



Tags
destaque 2