FINANÇAS Total aplicado pelos programas de financiamento para empresários baianos deve chegar a RS 460,7 milhões este ano
Você tem um pequeno negócio, mas falta dinheiro para comprar mercadorias, expandir e crescer. Que tal se pudesse obter um empréstimo a juros baixos, sem burocracia e com direito a uma consultoria especializada?
Com esse perfil, os programas de Microorédito Produtivo Orientado (MPO) têm a meta de fechar 2011 com R$ 460,7 milhões em concessões aos microempresários baianos - um crescimento de 13,7% em comparação ao ano passado.
Os valores Incluem operações da Desenbahia, Banco do Nordeste e Banco do Brasil, mas a tendência é que o número aumente ainda mais após o lançamento do programa Crescer, em 24 de agosto deste a no, pelo governo federal, com R$ 3 bilhões para MPO até 2013.
Em outubro, a Caixa Econômica prevê o início de sua atuação na Bahia, vinculada ao programa.
"É específico para quem á muito pequeno ou está na informalidade, não tem garantias para dar e não consegue acesso a créditos nos bancos", explica o gerente de microfinanças da Desenbahia, Marcelo Mesquita.
A grana extra, focada em quem tem rendaanualdeaté RS 120 mil, pode variar de R$ 100 a R$ 25 mil, com taxas de ir5% a 3,95% ao mês, e prazos que podem chegar a 36 meses.
Depois de oito anos como motorista de ônibus, Mequelito Brandão, 37, decidiu abrir uma padaria em 2005 e, antes mesmo de registrar a empresa, pegou RS 1 mil emprestado no Banco do Nordeste. Hoje, ele tem quatro padarias e, há três meses, conseguiu mais R$ 10 mil. "Minha vida mudou da água para o vinho. Hoje tenho casa própria, cano do ano e meus filhos estão em escolas boas".
Consultoria especializada facilita desenvolvimento e expansão do negócio
FINANÇAS Diminuição na burocracia é uma das vantagens do programa, que exige identidade, CPF e comprovante de residência
VANESSA ALONSO
Para além do crescimento na aplicação de recursos nos programas de microcrédito na Bahia, o pequeno empreendedor pode se beneficiar com a "consultoria gratuita" oferecida antes do empréstimo.
"A diferença é que este é um programa de crédito orientado, não é apenas para emprestar dinheiro. O assessor de crédito vai até o empreendedor e faz uma entrevista para saber quanto ele precisa e o melhor prazo de pagamento", explica Nilo Meira Filho, superintendente do Banco do Nordeste, que disponibiliza 1,4 mil assessores de crédito no Estado.
Outra vantagem é a diminuição da burocracia em comparação a outros programas de crédito: são exigidos apenas identidade, CPF e comprovante de residência dos candidatos. "Isso diminui o custo de transação dos documentos e ainda o deslocamento até as agências, já que o agente vai pessoalmente ao negócio" explica o gerente de microfinanças da Desenbahia, Marcelo Mesquita.
Crescimento
Na Bahia, são cinco programas oferecidos por quatro instituições: o Crediamigo e o Agroamigo {Banco do Nordeste), responsáveis por cerca de 70% dos empréstimos no Estado, o CrediBahia (Desenbahia), que tem 15% do mercado, o BB Mícro-crédito (Banco do Brasil) e o Santander Microcrédito (Banco Santander), que, junto com outras três Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Osdps) e 12 cooperativas de crédito em atuação na Bahia, completam as ofertas. A relação total das entidades está disponível na página eletrônica www.mte.gov.br/pnmpo.
O conjunto de facilidades do modelo tem atraído cada vez mais baianos. O Crediamigo, por exemplo, saltou de RS 70,5 milhões aplicados em 2003 para a meta de R$ 300 milhões até o final deste ano. Atualmente, são 113.652 dlentes ativos, com contratos no valor de RS 105,8 milhões - uma média de R$ 931,25 por empréstimo.
Já na linha voltada para os empresários do meio rural, o Agroamigo, o número passou de RS 106,2 milhões em 2010, com 56,4 mil contratos assinados, para a meta de RS 120 milhões até dezembro - sendo que até julho já haviam sido efetuados 40.267 contratos.
O empresário Carlos Bonfim de Souza, 41, comprova que o programa vale a pena. Ele decidiu abrir um mercadinho no bairro de Castelo Branco, há seis anos, depois que descobriu que ia ser pai. "Trabalhei 12 anos como vendedor de tecidos, mas o salário não dava, então quando construí minha casa, já reservei um ponto para o negócio", relembra.
Há dois anos, ele recebeu a visita de um agente de crédito do Banco Santander e decidiu aderir ao microcrédito para fazer uma pequena reforma. "Peguei R$ 1 mil para comprar prateleiras e mercadorias. Agora já consegui RS 13 mil para ampliar mais. Quem paga em dia tem direito a aumento", afirma.
Taxas de juros - Enquanto as taxas de juros do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) variam entre 1,5% a 2,95% ao mês, a taxa média dos demais empréstimos gira em torno de 3% e 5%, sem falar do cheque especial que tem taxa de 8% em média.
"Tentei em outros bancos, mas as portas são sempre fechadas, dizem que não temos renda suficiente e os juros são absurdos" reclama Carlos, que começou com um faturamento bruto de R$ 10 mil e hoje já chega a RS 30 mil.
No entanto, segundo a coordenadora da Unidade de Acesso ao Crédito do Sebrae, Dora Parente, nem sempre a melhor linha tem a taxa mais barata. "É importante também olhar os prazos para pagamento e a rapidez da aprovação. 0 ideal é pesquisar para ver qual o programa que mais se adequa à necessidade de cada um", aconselha.
Inadimplência nos empréstimos dos pequenos empresários é de apenas 1%
A participação dos agentes de crédito aconselhando o processo de tomada de decisão dos empresários é um dos motivos para as baixas taxas de inadimplência do programa, que é de 1,01% no Banco do Nordeste, por exemplo.
Já a média geral de inadimplência para crédito pessoal é de 5% para pessoa física e 3,3% no capital de giro para pessoa jurídica, de acordo com ciados do Banco Central.
A concessão gradual de créditos para os iniciantes é outro cuidado tomado pelas instituições para garantir que os pagamentos não prejudiquem o andamento do negócio.
Na linha Credibahia, da Desenbahia, por exemplo, o valor máximo da primeira tomada é de R$1 mil, mas pode chegara R$ 10 mil na segunda renovação.
"O crédito é oferecido em função da adímplência e do desenvolvimento do negócio. À medida que ele vai pagando, o crédito vai aumentando", diz o superintendente do Banco do Nordeste, Nilo Meira Filho.
Dona de duas lanchonetes em Camaçari, Cleide Maria dos Santos, 45, recebeu a visita de um dos agentes do Credibahia há sete anos e decidiu pegar um empréstimo de RS 500 para comprar mercadorias.
A experiência foi tão boa que ela está no 10º empréstimo e, há um mês, conseguiu RS 10 mil. "Quando você investe o dinheiro nas mercadorias, já vai tendo o lucro, que pode Ir Investindo em outras coisas. Aí eu junto o dinheiro certinho todo mês. É um sacrifício que dá para pagar tranquiiamente" garante ela, que deu início ao negócio fazendo bolos e doces em casa para vender na banca do pai no Centro Comercial do Município. "Hoje não me falta nada. O empréstimo facilitou bastante no progresso do meu comércio", comemora.
Maioria feminina - Assim como Cleide, muitas mulheres recorrem ao microcrédito para expandir os negócios que começaram na cozinha de casa. Elas representam, em média 65% do total de clientes, contra 35% de homens.
Para o gerente de Microfinanças da Desenbahia, Marcelo Mesquita, muitas decidem investir em pequenos negócios que possam conciliar com a familia. "Historicamente o mercado se mostra mais fechado para as mulheres, que multas vezes buscam atividades autônomas dentro de casa", diz.