O sonho de todo empresário é ter clientes que gastam sempre mais e em produtos de maior valor. Pois bem, foi exatamente assim que as classes D e E se comportaram na Região Nordeste entre junho de 2010 e o mesmo mês de 2011.
De acordo com pesquisa da consultoria internacional Nielsen, essa parcela da população foi responsável por 53% do aumento do consumo na região neste período, com alta de 12% no gasto médio por compra
Quando o assunto é diversificação das compras, eles consumiram 55,7% das categorias de produtos pesquisados este ano, contra 54% em 2010.
"Esse é um público que está virando alvo de muitos olhos e traz oportunidades de investimento muito boas. Eles estão começando a comprar mais e itens que antes não consumiam. Há a diversificação e qualificação do consumo" informa o analista de mercado da Nlelsen, Rodrigo Portela.
Segmentos promissores - O estudo considerou como das ses D e E famílias com renda de até R$ 680. "É indiscutível o aumento do rendimento médio dessa parcela da população, pols eles têm como referência de remuneração o salário mínimo, que tem tido reposições acima da inflação. Isso amplia o poder de compra" justifica Joilson Souza, coordenador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Bahia.
Para ele, os empresários que mais tendem a se beneficiar no Estado são da área de higiene, alimentos, limpeza, eletroeletrônicos e até o comércio de veículos usados.
Já o economista Emanuel Ferreira, professor da Estácio/FIB, destaca segmentos como beleza, construção civil, tecnologia, entretenimento e educação.
"As políticas econômicas e sociais de distribuição de renda e acesso ao crédito favoreceram as famílias de baixa renda. Isso não pode ser desconsiderado pelos empresários que querem crescer, enfatiza.
Há 12 anos fabricando produtos voltados para a classe média, a indústria baiana Trihair Cosméticos decidiu dar mais atenção às classes D e E há dois anos. Eles desenvolveram uma linha com produtos específicos para este público e já comemoram os resultados.
"Antes, 17% do nosso faturamento era proveniente desse público, hoje isso representa 35%", avalia o diretor comercial Adriano Brito, que registrou crescimento de 30% este ano.
Evento facilita acesso de pequeno empreendedor a verbas públicas
Jardineiro informal há mais de 15 anos, Manoel Faustino, 38, tinha dificuldade em fechar negócios maiores, o que quase o fez desistir. "Só trabalhava com condomínios e empresas pequenas, mas queria mostrar meu trabalho para empresas grandes", conta.
Há pouco mais de seis meses, ele se regularizou como empreendedor individual. Com a formalização, além de resolver os problemas com emissão de nota fiscal, pois "tinha que tirar nota em nome de amigos e acabava perdendo em tomo de 10% do valor só para emitir a nota", o empresário ainda conseguiu fechar contrato com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-BA).
Executou o serviço de jardinagem na sede do órgão e já aguarda ansioso pela próxima licitação. "A grama cresce", brinca o empresário
É para profissionais e empreendedores como Faustino, que sonham apresentar os serviços e produtos de suas micro e pequenas empresas para os compradores governamentais, que o II Fomenta Bahia é destinado.
O evento, promovido pelo Serviço de Apoio â Micro e Pequena Empresa (Sebrae) em parceria com a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb), acontece nos próximos dias 26 e 27, no Fiesta Convention, no Itaigara.
O evento é pautado nos incentivos da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (LC no 123/ 06, complementada pelas LC no 127/07 e LC no 128/08) sobre as compras governamentais, que estabelece a exclusividade dos micro e pequenos empresários na participação das licitações abertas por órgãos públicos com teto de até R$ 30 mil.
Caso a licitação seja acima desse limite, a lei ainda garante que o comprador deve reservar 25% da contratação dos bens que sejam divisiveis e mais a subcontrataçâo para os pequenos de até 30% do valor contratado com médias ou grandes empresas.
De acordo com Roberto Evangelista, coordenador da unidade de Políticas Públicas e Desenvolvimento Territorial do Sebrae, "esse é o momento para os pequenos conhecerem as demandas do governo e se prepararem para as licitações lançadas pelos órgãos, quando forem adquirir produtos e serviços", explica.
Outro benefício apontado por Evangelista é o fato de a Lel Geral estabelecer que a "microempresa não pode ser impedida de participar da licitação por não apresentar os comprovantes de regularidade fiscal", conta.
As certidões negativas regularizadas só s são solicitadas caso a empresa ganhe a licitação, na assinatura do contrato.
Durante o evento, no dia 27, a Secretaria da Administração do Estado cadastrará empresários que queiram participar de licitações do governo.
Só no ano passado, segundo dados da secretaria, foram comprados mais de R$ 12 milhões de pequenos empreendedores baianos.