
O pontapé inicial para a implantação do Complexo Acrílico na Bahia, pela multinacional alemã Basf, foi dado ontem (24), com o lançamento da pedra fundamental do empreendimento no Polo Industrial de Camaçari.
Com um investimento de R$ 1,2 bilhão (€$ 500 milhões), o novo parque vai produzir, em escala mundial, a´cido acri´lico, acrilato de butila e poli´meros superabsorventes (SAP), assegurando o fornecimento de matéria-prima para tintas, fraldas descartáveis, detergentes, ceras, tecidos, adesivos e químicos para a construção, dentre outros.
O Complexo Acrílico sera´ o primeiro do setor em toda a Ame´rica do Sul e sua planta começa a ser construída em 2012, com previsão de entrada em operação no quarto trimestre de 2014, marcando o início de uma nova fase para o Polo de Camaçari.
A partir do seu empreendimento em Camaçari, a Basf vai produzir o acrilato de 2-etil-hexila, uma importante matéria-prima para as indústrias de adesivos e tintas especiais, no atual Complexo Químico de Guaratingetá (SP).
Esta também será a primeira fábrica do produto na América do Sul. A produção de acrilato 2-etil-hexila na cidade paulista está prevista para iniciar em 2015, com base no ácido acrílico produzido em Camaçari.
“A Basf é atualmente líder global e regional na cadeia de valor dos acrílicos. Em função do forte crescimento do Brasil, decidimos que esta é a hora para realizarmos o investimento. Ele irá fortalecer nossa posição de liderança e ratifica nossa confiança no desenvolvimento do mercado sul-americano”, disse Stefan Marcinowski, membro da Junta Diretiva da Basf.
Presente à solenidade, o governador Jaques Wagner adiantou que o empreendimento vai trazer mais empregos para a Bahia. Durante a construção, são mil novos postos de trabalho, sendo que, no início da produção, estão previstos 230 empregos diretos e 600 indiretos. “O projeto da Basf vai contribuir bastante para o desenvolvimento econômico do nosso estado”, destacou o governador.
“O Complexo Acrílico reforça a importância da região para a Basf, assegurando o fornecimento de nossos produtos aos nossos clientes da América do Sul e contribuindo para o desenvolvimento do país”, afirmou Alfred Hackenberger, presidente da Basf para a América do Sul.
Cadeia produtiva - Segundo o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, o Complexo Acrílico vai marcar uma nova fase na vida do Polo de Camaçari. “Com ele, serão fabricados insumos utilizados por diversos segmentos industriais, que tambe´m devera~o ser atrai´dos para o Estado, formando uma interessante cadeia produtiva”, afirmou.
A certeza de formação dessa cadeia foi o que levou a norte-americana Kimberly-Clark – uma das gigantes do ramo de higiene – a anunciar a implantação de uma nova planta industrial na Bahia, representando investimentos de R$ 100 milhões e geração de 430 empregos diretos.
James Correia lembrou que a Basf é a maior produtora de ácido acrílico do mundo e se destaca por ser uma empresa que investe bastante em cie^ncia e tecnologia. “A Bahia tem muito a ganhar com a chegada do complexo da Basf”, revelou.
TERCEIRA GERAÇÃO
Foi a garantia de fornecimento da matéria-prima pela Braskem que garantiu a vinda polo para o Estado. Suaimplantaçãoé decorrente do acordo entre a Basf e a petroquímica Braskem, única fabricante do propeno, matéria-prima utilizada para a produção do ácido acrílico
As mais de 100 mil toneladas produzidas pela empresa, no Polo de Camaçari, foram suficientes para viabilizar o projeto da Basf. O propeno será fornecido pela Braskem à Basf por US$ 200 milhões (R$ 320 milhões) ao ano.
Estima-se que a demanda atual de ácido acrílico contido pela indústria brasileira é da ordem de 150 mil toneladas anuais, sendo que, por volta de
No caso do acrilato de butila, ela deve saltar de 80 mil para 110 mil e depois para 180 mil toneladas. Já os polímeros superabsorventes terão demanda de 75 mil toneladas este ano, 100 mil nos próximos três anos e 160 mil no início da próxima década.
Com a producão do ácido acrílico e derivados no Brasil, o País deixa de importar diversos produtos, reduzindo o impacto na balança comercial.
Estimativa da própria Basf mostra que o resultado será da ordem de US$ 300 milhões (R$ 480 milhões) anuais, sendo que US$ 200 milhões virão da redução de importações e outros US$ 100 milhões do aumento das exportações.
“O acordo com a Basf permitirá potencializar os benefícios para toda a cadeia produtiva do ácido acrílico, não apenas em razão da capacidade de produção do projeto e do porte do investimento como também pelas tecnologias disponíveis. Além de atrair diversas novas indústrias para o Estado, o Polo Acrílico consolidará a terceira geração da nossa petroquímica”, diz Manoel Carnaúba, vice-presidente de petroquímicos básicos da Braskem e presidente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic),
A Braskem também realizará investimentos, dentro do acordo que viabiliza a criação do Polo Acrílico. Serão aplicados mais de US$ 30 milhões. “Estes recursos serão usados, principalmente, para interligar as duas empresas em Camaçari, através de dutos”, informou Manoel Carnaúba.
VENDAS DE 63,9 BILHÕES DE EUROS
A Basf é uma das líderes mundiais na indústria química. É uma empresa de origem alemã, com sede em Ludwigshafen, fundada em 1865.
Suas unidades de produção estão distribuídas em 39 países, e as vendas em 2010 somaram 63,9 bilhões de euros, sendo 3,8 bilhões na América do Sul.
Seu portfólio inclui 8 mil produtos, nos segmentos químico, agricultura e nutrição, entre outros, garantidos por 109 mil colaboradores.
Em
Matérias-primas do polo acrílico
Propeno – Resina termoplástica utilizada como matéria-prima para a produção do ácido acrílico.
Ácido acrílico – Também conhecido como ácido propenóico, é utilizado para a fabricação de outros insumos, como o acrilato de butila e polímeros superabsorventes.
Acrilato de butila – Insumo destinado à fabricação de derivados utilizados na formulação de tintas imobiliárias, tintas industriais, vernizes, adesivos, entre outros.
Polímeros superabsorventes – São materiais altamente absorventes que podem absorver várias vezes seu próprio peso em fluido. Estes polímeros são utilizados na fabricação de fraldas e absorventes femininos.