Donaldson Gomes
As descobertas minerais no subsolo baiano, somadas a investimentos nas cadeias petroquímicas e de papel e celulose colocaram a Bahia na inédita quarta colocação em investimentos confirmados entre janeiro e outubro deste ano.
Atrás apenas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, a Bahia captou R$ 10,5 bilhões nos dez primeiros meses deste ano.
Destes, 89,6% foram provenientes de investimentos estrangeiros, de acordo com dados da Rede Nacional de Informações sobre Investimento (Renai), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Como investimento de aproximadamente R$ 7 bilhões na duplicação da planta de celulose da Veracel, os finlandeses e suecos lideram o levantamento do Renai como os que mais pretendem investir na Bahia.
Depois deles vêm os chineses, alemães e espanhóis.
O levantamento mostra ainda que a Bahia está muito bem vista como opção de investimentos do outro lado do mundo.
Entre os R$ 900 milhões em investimentos automobilísticos anunciados pela JAC Motors este mês e os R$ 4,2 bilhões previstos pelo Chongqoing Grain Group no esmagamento e refino de soja na região Oeste, a Bahia despontou este ano como o principal destino dos recursos chineses.
Aqui os orientais anunciaram 22% de todo o volume de recursos previsto para o país este ano.
A pujança do interesse chinês talvez ajude a explicar a atenção que o governo baiano deposita no gigante asiático.
De acordo com informações da Secretaria da Indústria Comércio e Mineração (SICM), o governador Jaques Wagner desembarca por lá no próximo dia 10 e permanece até o dia 17.
"Ele vai atrás de empresas automobilísticas e agrícolas", explica o secretário James Correia.
A estratégia para manter o bom ritmo é atrair empresas que atuam em cadeias onde o Estado vem se destacando, explica o secretário da Indústria e Comércio.
"Hoje somos vitrine para investimentos em mineração, na área petroquímica e em energia eólica", destaca Correia, lembrando a expectativa de ver a Bahia como destino de R$ 73 bilhões nos próximos cinco anos.
Muitas potencialidades - Para Reinaldo Sampaio , vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a posição conquistada pelo Estado é muito boa, mas chega a surpreender.
"Infelizmente esta não é a nossa regra", ponderou. Apesar de contar com uma série de potencialidades, como a extensão territorial e a localização, a Bahia precisa superar algumas dificuldades, ponderou.
"Eu sei que já está ficando repetitivo, mas precisamos de um sistema logístico eficiente", destacou.
Para ele, este é um ponto fundamental não apenas para a atração, como para garantir a permanência de empresas.
Entretanto, para Sampaio a grande solução para o desenvolvimento da Bahia e do Nordeste passa por uma política nacional de desenvolvimento.
"Não tem como pensar no desenvolvimento integrado do Brasil sem levar em conta o Nordeste", diz.