Os governadores da Bahia e de Pernambuco, Jaques Wagner e Eduardo Campos, respectivamente, confirmaram nesta terça-feira, 6, terem entregue um documento em comum à presidente Dilma Rousseff solicitando um “recorte regional” na política industrial automobilística que deve ser anunciada no próximo dia 15.
Apesar de terem falado com a imprensa em momentos diferenciados, a informação foi confirmada por ambos durante suas palestras no seminário “O Nordeste para o Século XXI”, organizado pela revista Carta Capital em Salvador.
Sempre com discursos de união de forças pelo bem comum da região – a Bahia anunciou recentemente a vinda da montadora chinesa Jac Motors e Pernambuco quer a instalação de uma fábrica da Volkswagem -, os governadores disseram que solicitaram à presidente a adoção de um regime diferenciado de IPI para os veículos dessas montadoras e alertaram para o risco de concentração de investimentos no setor.
“Das 49 montadoras do País, 42 estão nas regiões Sul e Sudeste e apenas duas na região Nordeste: a Ford na Bahia e a Fiat em Pernambuco. Se não houver um recorte regional nessa política, pode acontecer uma reconcentração dos investimentos no setor”, alertou o governador Eduardo Campos.
Segundo ele, as conversas com a Volkswagem estão adiantadas, mas ainda não há nada confirmado com a multinacional alemã.
Transposição - Campos falou também que espera a normalização das obras da Transposição do São Francisco, que continuam em apenas quatro dos seus 16 lotes, até o mês de fevereiro e citou, entre os desafios comuns aos estados nordestinos, a necessidade de manutenção de um nível arrojado de investimentos.
Segundo ele, um estudo do Banco do Nordeste indicaria a necessidade da região manter uma taxa de crescimento de 1% superior à media nacional durante 44 anos para que seu PIB Per Capita– atualmente de R$ 9.066 – alcance a média do PIB Per Capita nacional, hoje em R$ 19.493.
Ceará – Mais otimista, o governador do Ceará, Cid Gomes disse acreditar no crescimento dos investimentos e que a média do PIB Per Capita na região se iguale com a do País em 20 anos.
Ele afirmou também que, apesar de não ter assinado o documento em comum com a Bahia e Pernambuco sobre a política automobilística, é uma obsessão sua levar uma montadora para seu estado.
Questionado pelo site Gente e Mercado sobre a “fuga” cerca de 90% das frutas produzidas na Bahia para o Porto de Pecém, em Fortaleza, Gomes disse que o fato é resultado da especialização do porto nesse tipo de carga e destacou, além da sua logística geográfica competitiva – mais próximo da Europa e da América do Norte -, a inauguração recente de dois grandes berços, de 315 metros por 115 metros, com capacidade de receber navios com até 17 metros de calado.
Entre os investimentos de maior destaque no seu estado, o governador citou a construção da maior siderúrgica do Brasil, com investimentos em torno de US$ 9 bilhões; o potencial de fosfato (investimento de R$ 300 milhões da mineradora Galvani) e de urânio (ainda não informado pela Empresa Nuclear Brasileira), o projeto embrionário de geração de energia para o Porto de Pecém com o movimento das marés e a construção do Aquário Ceará.