
Construção da estrada de ferro possibilita trabalho para muita gente
O vaivém de caminhões e dos mais de dois mil trabalhadores mostra o ritmo da construção do primeiro trecho da Ferrovia da Integração Oeste-Leste (Fiol). Desde o início de 2011, as obras estão em andamento em Caetité, no sudoeste baiano, e em Ilhéus, na região sul. Os quatro eixos de trabalho cortam 20 municípios.
Segundo o vice-governador e secretário de Infraestrutura da Bahia, Otto Alencar, com a expectativa da chegada da ferrovia, muitas mineradoras estão se instalando em Brumado. "Os investidores estão adquirindo áreas e fazendo prospecções de minérios de ferro."
Expansão do PIB – Para o coordenador de Infraestrutura da Casa Civil do Governo do Estado, Eracy Lafuente, a Fiol é um vetor de transporte de cargas que gera a oportunidade de desenvolver parques ligados à produção de grãos, minérios e etanol, três grandes segmentos que favorecem a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e a descentralização da economia.
Aproximadamente 70 milhões de toneladas devem ser transportadas por ano pela Fiol – pelo menos 50 milhões de minérios. "Hoje, o escoamento se faz por rodovias e tem custo operacional em termos de transporte muito elevado. À medida que o custo diminui, a exportação é favorecida, possibilitando potencializar a produção", afirma Lafuente.
Com investimento estimado em R$ 6 bilhões, quando estiver em pleno funcionamento, a estrada de ferro, com
Emprego e renda – Atualmente, a atividade nas frentes de trabalho envolve compactação de pedras, detonação dos espaços rochosos e nivelamento da área. Em diversos galpões, montados ao longo do trecho Caetité-Ilhéus, são fabricadas as aduelas – bueiros para escoamento de água – e os dormentes, suporte transversal do trilho.
Carpinteiro há 11 anos, Noel Joaquim dos Santos Filho, 34, agora tem emprego fixo. "Desde que comecei a trabalhar na obra, há oito meses, consegui reformar e ampliar minha casa."
O ajudante de pedreiro Edilson Ramos da Silva, 30 anos, deixou para trás o trabalho temporário de servente para ser um profissional da construção, com carteira assinada. "A ferrovia mudou minha vida e a dos meus colegas."
Dados gerais
n Extensão -
n Velocidade –
n Capacidade – 70 milhões
de toneladas/ano
n Investimento – R$ 6 bilhões
n Empregos diretos – 17 mil
n Empregos indiretos – 50 mil
Toda a área que está sendo terraplanada irá passar por reflorestamento, após a conclusão dos trabalhos. Só no lote 3, em Tanhaçu, são cultivadas 140 mil mudas de plantas nativas da região como aroeira, pau-d’arco e licuri. As mudas serão levadas do viveiro instalado no canteiro de obras para as margens do trilho.
Balduino Silva Pires, 25 anos, responsável pelo viveiro, reconhece a importância do trabalho que faz. "Este é um processo muito importante. Os biólogos recolhem sementes e passam pra mim. Eu cuido das mudas, e assim fazemos o reflorestamento e mantemos vivas as espécies de nossa região."
As empresas de minério movimentam a economia
As obras são acompanhadas de perto pelos moradores. Genir Batista dos Santos, 69, há mais de 50 anos vive em Barra do Rocha. Ele afirma que seu conhecimento da região ajudou na elaboração do projeto. "Falei para os engenheiros que o nível da água ia subir dois metros no trecho onde o trem iria passar. Eles reavaliaram o projeto e mudaram", garante.
Obras em quatro eixos
Eixo Canteiro Municípios Extensão Investimento
1 Barra do Rocha Ilhéus/Uruçuca/AurelinoLeal/Ubaitaba/Gongoji/Itagibá
2 Jequié Aiquara/Itagi
3 Tanhaçu Manoel Vitorino/Mirante
4 Ibiassucê Aracatu/Brumado/Livramento/Lagoa Real/Rio do Antônio/Caetité