Empresa investirá em projetos como a madeira plástica e gestão de águas
Luciana Rebouças
A Cetrel, empresa baiana de engenharia ambiental que atua há 33 anos no Polo Indus -trial de Camaçari, foi com templada com um aporte de RS 130 milhões para investir em pesquisas para o tratamento de resíduos. Os recursos são provenientes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ainda este ano, a primeira parcela de R$ 40 milhões desembarca na Cetrel.
Os recursos serão utilizados em pelo menos três projetos que já estão sendo desenvolvidos na Bahia. São eles o desenvolvimento da madeira plástica, a reutilização de metais preciosos dos eletrônicos e estudos na gestão de águas.
O primeiro deles, a madeira plástica, pretende reduzir o desmatamento no país. O diretor presidente da Cetrel, Ney Silva, explica o processo. "Se juntam vários tipos de resíduos industriais, inclusive plásticos de segunda qualidade, e a partir desta mistura se desenvolve um produto até mais avançado do que a madeira natural".
Segundo ele, este processo pode agregar propriedades como o tratamento acústico da madeira e o térmico, evitando que ela se degrade com o calor e a umidade.
ELETRÔNICOS Outra pesquisa que também receberá um aporte estuda a retirada de metais preciosos dos eletrônicos, a exemplo do ouro, prata, cobre, platina, entre outros, para a reutilização industrial. "São estes metais que fazem a condução elétrica entre os chips e entre as placas eletrônicas. Quando a gente explica o valor deles, as pessoas começam a olhar os seus computadores com outros olhos", informa o responsável pelo Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (Cita) da Cetrel, Alexandre Machado.
Outro projeto de recuperação de resíduos é o de reuso da água. Machado conta que muitas empresas no Polo Industrial de Camaçari usam água potável nos seus processos químicos e depois podem tratar estes efluentes (resultado da mistura da água com outros produtos químicos) e ter novamente a água potável. 0 ciclo da água ficará dentro do processo industrial, contribuindo para a economia deste recurso. Além deste, temos um projeto para a utilização das águas da chuva", revela.
MERCADO Segundo o coor denador do curso de Engenharia Química da Unifacs, Diniz Silva. a Cetrel é uma empresa estratégica dentro do âmbito ambiental para a Bahia. Para ele, receber um aporte de RS 130 milhões significa que a Cetrel poderá abrir o mercado para outras empresas se instalarem no estado.
"Estes novos projetos na área de sustentabilidade podem atrair novas empresas além de aumentar a capacidade do Polo de Camaçari", comenta. O aumento da capacidade se deve pela reutilização destes resíduos, o que diminui os gastos com mais matérias-primas.
Com estes projetos, a Cetrel amplia a sua possibilidade de firmar parcerias com outras empresas. Uma das plantas-piloto que já está sendo estudada é a de tratamento dos resíduos de enxofre, adianta Machado. "Esta é outra cadeia importante para o mercado, porque não fabricamos enxofre e o que temos colocamos nos aterros, como resíduos provenientes da fabricação de ácido sulfúrico", salienta Machado.
No segundo semestre deste ano, a Cetrel investiu R$ 15 milhões no Cita, o primeiro do país, e onde serão de senvolvidas todas essas pesquisas. "Estamos entre os 10 maiores financiamentos do Finep este ano e o maior na área de Engenharia Ambiental", comemora Ney Silva. Hoje, a Cetrel emprega cerca de 55 funcionários.
Cetrel recebe R$ 130 mi para pesquisa em resíduos
19/12/2011