THAÍS ROCHA
O governo da Bahia negocia com a Vulcabras/Azaleia a devolução dos galpões utilizados pela empresa nas fábricas instaladas nos municípios de Potiraguá, Itarantim, Maiquinique, Ibicuí, Iguaí e Itororó.
Esta foi uma alternativa proposta, ontem, pelo governador Jaques Wagner, em reunião fechada com a diretoria da empresa para tentar reverter o impacto das 1,5 mil demissões após o fechamento destas unidades.
O secretário estadual da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, que esteve presente no encontro, disse que a proposta de devolução dos galpões, com as benfeitorias já feitas pela empresa, aceleraria a instalação de novas empresas calçadistas na região e, consequentemente, a absorção desta mão de obra, que já é qualificada.
"Esta não foi uma reunião conclusiva, mas tentamos buscar uma alternativa para o impacto das demissões naquela região", argumentou o secretário.
A indústria calçadista é um dos grandes empregadores da região. Em Maiquinique, por exemplo, a empresa era responsável por 36% dos empregos com carteira assinada.
"Os diretores da empresa reconheceram a dimensão do impacto econômico e do momento inapropriado para demissões no final do ano, mas disseram que precisavam levar adiante as medidas de estruturação", disse James Correia.
De acordo com o secretário, números apresentados pelo diretor da Vulcabras/Azaleia, Milton Cardoso, apontam prejuízo de R$ 300 milhões com as unidades desativadas e um prejuízo acumulado de R$ 1 bilhão.
A tendência, segundo a estratégia adotada pela empresa, é reduzir custos vinculados à produção, como a desativação de unidades que não produzem todas as etapas de fabricação.
Neste contexto, além das unidades nos quatro municípios baianos, há fábricas fechadas em Sergipe e na Paraíba.
Alternativa - O pedido para a devolução da estrutura das fábricas, segundo James Correia, é proposta como uma alternativa no momento em que a Vulcabras/ Azaleia ainda negocia comos trabalhadores.
Isso porque o Ministério Público do Trabalho considerou abusivas as demissões e proibiu a homologação das dispensas. "Independentemente da decisão judicial, nós temos pressa em resolver este assunto e, de posse dos galpões, há filas de empresas interessadas", afirmou o secretário.
Ele argumentou que 80% da produção de calçados na Bahia são de produtos voltados ao público feminino, segmento que não enfrenta a concorrência dos produtos chineses, como os tênis e sapatos esportivos, responsáveis por grande parte dos prejuízos do setor.
O secretário contou que a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial da Bahia (Sudic) já fez um levantamento da estrutura nos galpões desativados e que a Vulcabras/Azaleia apresentará o seu levantamento.
Uma nova reunião de negociação sobre a devolução dos galpões está prevista para o início da próxima semana, na Secretaria de Indústria e Comércio, informou James Correia.