12/01/2012
Aos poucos, o Galpão Água de Meninos ganha o jeito da Feira de São Joaquim. As cores, os sabores e cheiros vão ocupando o espaço provisório construído ao lado do antigo centro comercial para abrigar 470 permissionários, enquanto a primeira etapa da reforma é executada.
O projeto será realizado em três etapas, incluindo melhorias na infraestrutura e construção de um píer nos fundos da feira, que tem vista para a Baía de Todos-os-Santos. Além de melhorar a circulação de feirantes e fregueses, com mais espaço e higiene, a requalificação tornará São Joaquim um dos principais pontos turísticos da Bahia.
O governador Jaques Wagner e os secretários estaduais de Comunicação Social, Robinson Almeida, e do Turismo, Domingos Leonelli, além de outras autoridades, visitaram a feira ontem para acompanhar o andamento dos trabalhos. Relembrando o tempo em que morava no Subúrbio Ferroviário e fazia compras em São Joaquim toda semana, Wagner parou em diversas barracas e comeu até um prato de mocotó.
Gastronomia – A recuperação da feira envolve as secretarias do Turismo (Setur), de Cultura (Secult), de Desenvolvimento Urbano (Sedur), por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), e da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), por meio da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
O secretário do Turismo disse que com a reforma, a feira ampliará a capacidade de atrair soteropolitanos e turistas. "Quando ficar pronta, a gente vai ter, além do Elevador Lacerda, o Farol da Barra e a Igreja do Bonfim, a Feira de São Joaquim, um espaço que é o coração gastronômico da Bahia. Aqui desembarcam caminhões de todo o interior trazendo os mais diversos produtos. É uma ligação da capital com o estado, ponto de encontro econômico e cultural."
A requalificação terá investimento de R$ 32 milhões, com recursos do Governo do Estado e do Ministério do Turismo. Novecentos antigos boxes serão demolidos e reconstruídos, 300 serão reformados e 139 receberão pequenos reparos. Haverá ainda mudança na disposição de feirantes que vendem no atacado, para facilitar a carga e descarga de mercadorias.
Feirantes têm expectativa de ampliação das vendas
Esperada há mais de 30 anos, a reforma é motivo de comemoração para os comerciantes. "Sei que vou passar por um momento de sacrifício, com a mudança para um espaço diferente, mas todo o esforço é pequeno diante da melhoria que vamos ter com a nova feira", afirmou o feirante José Adilson. Ele vende peças de cerâmica e acredita que com a feira, mais ampla e limpa, além dos tradicionais fregueses, venderá para um número maior de turistas.
Ao visitar São Joaquim, o governador contou que "cheguei aqui em 1974, trabalhava no Polo [Petroquímico de Camaçari] e morava na Suburbana. Minha feira de domingo era feita aqui. Comprava os produtos, colocava num saco de farinha, e antes de ir embora parava e comia mocotó para recuperar a energia. Depois, atravessava a rua e pegava o ônibus pra voltar pra casa."
O governador destacou a importância da reforma. "Essa mudança aponta para a recuperação definitiva da feira, que traz valorização. Isso aqui é uma tradição baiana, um local onde muito pai de família tira o sustento e precisava passar por essas intervenções."