A venda de gás natural (GN) no segmento industrial baiano fechou 2011 em níveis recordes, com volume médio de 23,59 milhões de metros cúbicos por dia (m3/dia). A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) contratou e interligou 10 novos clientes do segmento no ano passado, ampliando as vendas em 4,6% em relação à média de 2010.
A companhia é a quarta maior distribuidora de gás natural do país e faz da Bahia o terceiro maior consumidor do Brasil, com a maior média nacional de participação de gás natural na matriz energética industrial (27%). A Veracel, produtora de celulose localizada em Eunápolis, no extremo sul do estado, foi o primeiro cliente a consumir gás natural na região. A empresa trocou o óleo combustível pelo gás natural, desde outubro do ano passado, e consome cerca de 100 m3/dia.
Redução de custos – O GN alimenta o forno de cal onde a pasta de celulose é processada para transformação na matéria-prima vendida pela Veracel a indústrias de papéis finos instaladas no Brasil, na China e em outros países. A troca do óleo pelo gás proporcionou redução dos custos de operação e logística da fábrica em cerca de 20%.
Segundo o diretor industrial da Veracel, Ari Medeiros, a substituição do óleo pelo gás natural trouxe economia e vantagens ambientais significativas, além de maiores facilidades operacionais. O produto fornecido pela Bahiagás para a Veracel é o chamado ‘gás de leilão’, negociado em contratos de curto prazo, com preços mais competitivos.
A Gerência Comercial Grandes Clientes (Gecog) da companhia negocia com a Veracel novo contrato de cinco anos, com projeção de elevar o fornecimento dos atuais 100 mil metros cúbicos por dia para cerca de 250 mil m3/dia.
Em 2011, a Bahiagás também passou a atender empresas como a Trifil e a Dpam/Nestlé, primeiros consumidores do Polo Industrial de Itabuna/BA, a Estireno do Nordeste (EDN), no Polo Industrial de Camaçari, e a Usina Biodiesel, primeira unidade de produção comercial de biodiesel da Petrobras, no município de Candeias.
Foram atendidas ainda a Sansuy (maior fabricante de laminados de PVC da América Latina), a Saint Gobain (fabricante de produtos para a construção civil), Sara Lee (processador de café), Lwart (especialista em coleta e rerrefino de óleos lubrificantes usados) e a Allog (fabricante de perfis de alumínio).
Incremento – Para este ano, a companhia planeja a contratação e interligação de 12 novos clientes do segmento industrial, ampliando as vendas em 300 mil m3/dia, o que significará incremento de, aproximadamente, 8% sobre a média de vendas de 2011.
Entre as empresas a serem atendidas em 2012, destacam-se a Suzano, produtor de celulose localizado em Mucuri, a Delfi, no Polo Industrial de Itabuna, a Latapack (líder do mercado em latas de alumínio para bebidas) e a Indústria de Refrigerantes São Miguel, localizadas no Polo Industrial de Alagoinhas, a Pepsico, no Polo Industrial de Feira de Santana, a Saargumi e a Visteon, sistemistas do Complexo Ford.
Distribuição – Por uma rede de 640 quilômetros de gasodutos, a Bahiagás leva o GN para indústrias dos mais variados setores econômicos – celulose, alimentício, metalúrgico, construção civil, automotivo e têxtil, além de petroquímico.
A demanda pelo gás tem relação direta com o crescimento econômico do estado, tendo em vista o crescimento anual médio de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) baiano, previsto pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan).