Aneel quer facilitar uso de turbinas eólicas

27/02/2012

ALANA FRAGA


Até o final deste mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve aprovar uma proposta que facilitará a instalação de micro e mini-geradores de energia eólica. Os equipamentos poderão ser integrados à rede elétrica convencional em residências. Um único medidor será capaz de identificar se a quantidade de energia gerada é maior do que a carga. Sempre que isto acontecer, o consumidor receberá um crédito em energia na fatura enviada pela concessionária.

Os créditos concedidos permanecerão válidos por até 12 meses. De acordo com a proposta, que está em fase final de avaliação pela agência reguladora, as distribuidoras de energia elétrica terão 180 dias (contados a partir da publicação da resolução) para elaborar ou revisar as normas da microgeração distribuída incentivada.

O incentivo oferecido pela Anatel deve aumentar a procura por pequenas usinas eólicas que podem ser montadas no campo ou na cidade. Se isso acontecer, o custo de implantação das miniusinas poderá cair. Atualmente, a instalação de um equipamento com capacidade para atender a uma residência não sai por menos de R$ 7 mil-- investimento que, nos moldes atuais, só é recuperado a longo prazo.

De olho neste cenário de oportunidades e atentas ao crescimento do interesse por fontes alternativas de energia, fabricantes turbinas eólicas estão apostando no aumento do leque de soluções mais propícias para microgeração de energia. Por enquanto, o foco principal é o ambiente rural e áreas isoladas.

No entanto, segundo Luiz Cézar Pereira, sócio-fundador da Enersud, que produz sistemas eólicos de pequeno porte, a oferta de maquinário apropriado para uso dentro da cidade começa a dar sinais de crescimento. "Devemos lançar, em aproximadamente 60 dias, turbinas de eixo vertical que estão sendo trabalhadas como solução para o uso em ambientes urbanos, com potência de um gerador de pequeno porte e custo semelhante", revela Pereira. "A regulamentação da Aneel é pedido que a gente faz para sair de uma situação de dificuldade de mercado para algo que em que as pessoas vão ter a opção de gerar a sua própria energia", acrescenta.

Para Pereira, o regulamento da Aneel pode fazer com que as turbinas eólicas se tomem tão populares no Brasil quanto nos Estados Unidos. Com o incentivo do governo americano, que estabeleceu que qualquer instalação de energia eólica consiga deduzir 30% do investimento feito no imposto de renda, as vendas de sistemas para consumidores teve um incremento de 78%.

Para Osvaldo Soliano, engenheiro e professor da Unifacs, a instalação de micro-geradores em casa não oferece riscos. "A regulamentação da Aneel e, depois, a determinação de padrões de conexão pela concessionária de energia, devem garantir que não haja problemas quando o quando o microgerador produzir mais energia do que é consumido pela casa", explica.

Segundo análise de Soliano, existem estudos que estipulam um prazo de até nove anos para que o consumidor recupere o investimento feito para a instalação de um microgerador de energia eólica.

O consumidor com um pequeno gerador eólico deve gastar, com base nos padrões internacionais, uma média de R$ 250 pelo megawatt/hora de energia, enquanto a Coelba cobra, pela mesma potência a um consumidor comum, quase R$ 500. "Quanto menor o equipamento, mais cara será a unidade de energia. Mas isso vai depender da velocidade do vento, que deve ser de pelo menos seis metros por segundo", compara.

O engenheiro e professor da Ufba Caiuby Alves ressalta que o desenvolvimento de projetos passa pela necessidade de se identificar áreas propícias para a utilização dos recursos de energias renováveis, como a eólica.

"O que pode ser feito é desenvolver um projeto que pudesse analisar localidades isoladas de energia para ver qual seria a melhor solução: biomassa, eólica, solar. Teria que estudar qual seria a quantidade de energia mínima a ser fornecida para aquela localidade. Isso requer uma fusão de condições e condições geográficas da região", explica.


Banco e fábrica de material esportivo usam energia eólica


Exemplos positivos de empresas que já utilizam o sistema de produção de energia eólica em outros estados podem servir de estímulo para pequenos e grandes empresários no investimento de sistemas de produção de energias renováveis.

Com investimentos de R$ 2 milhões, o banco HSBC inaugurou, no ano passado, a primeira agência do País a utilizar a energia eólica para reduzir, em até so%, o consumo de energia elétrica do estabelecimento. A turbina eólica foi instalada no pátio da agência bancária localizada em São Luís (MA).

A Mormaii, que fabrica roupas, acessórios esportivos e eletrônicos, também decidiu apostar na energia eólica. Na fábrica de Garopaba (SC), funciona um aerogerador. As condições de vento proporcionam capacidade para as turbinas produzirem energia para toda a fábrica. O excedente é descontado pela concessionária de energia.

A empresa não revela o valor investido na aquisição do aerogerador. Segundo Felipe Fernandes, coordenador de comunicação da Mormaii, o retomo do investimento acontecerá em dez anos.

No entanto, os benefícios da energia alternativa não ficam restritos à diminuição da conta de luz. "Tem uma característica de dar um bom exemplo para que outras empresas como um bom hivestimento para também tomarem essa iniciativa", avalia Fernandes.

Segundo Rafael Valverde, responsável por projetos de energia eólica da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia (SICM), mais de 20 empresas já têm projeto de energia eólica implantados no Estado. "De 2009 para cá, os investimentos nesse setor continuam crescendo". destaca.

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