EDELY GOMES
Alguns garotos sonham em pilotar carros potentes. Outros querem construir as máquinas. Aqueles que realizam o segundo sonho se tornam engenheiros automotivos. E quem quer ingressar na área pode aproveitar o bom momento do setor. A vinda da JAC Motors para a Bahia deve impulsionar uma área carente de profissionais. Segundo especialistas, a chegada da nova montadora vem fortalecer um mercado já promissor. "No Brasil, há sempre uma demanda por engenheiros de qualquer setor. Com a Ford e a JAC Motors isso só tende a se intensificar. Mesmo com o crescimento do número de universidades particulares, há carência de engenheiros. Este é um momento promissor para quem quer entrar na área", afirma José Joaquim dos Santos, coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Essencialmente, a formação é ligada ao curso de Engenharia Mecânica, mas o profissional pode complementar o conhecimento com cursos técnicos e especializações. Este é o caso de Verônica Lisboa, que fez um curso técnico em automação pelo Senai, concomitantemente ao curso universitário. À época, o esforço contribuiu para conseguir um estágio na Ford. Hoje ela ocupa o cargo de supervisora de Desenvolvimento de Produtos na empresa e também acumula um MBA em Gestão de Negócio. Ela indica outros itens essenciais na profissão. "Aprender inglês é muito importante, pois este é um mercado global e eu tenho reuniões com pessoas de outros países frequentemente. Dominar o conhecimento de softwares específicos também é crucial", afirma Verônica.
Aproveitar oportunidades durante o curso facilita a inserção no mercado. Foi na Semana de Engenharia na Ufba que Paulo Oliveira cadastrou seu currículo para vaga de estágio na Ford. Nove anos após o fim do curso, hoje ele é supervisor de powertrain (motores pesados) na fábrica. "Aprender inglês e participar de competições estudantis é essencial para garantir uma vaga", acredita.
Remuneração
A remuneração inicial para o cargo de Engenheiro Júnior estabelecida pelo Conselho Regional de Engenharia é de 8,5 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 5,2 mil. Entretanto, o valor pode variar. "Vai depender se ele é júnior, pleno ou sênior. A quantia também varia de empresa para empresa", afirma Eder Ramos, conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica do Crea. Sobre o mercado, o conselheiro é otimista: "Este é um mercado regionalizado. Nós temos o polo industrial em Camaçari, que já demanda profissionais, e vive hoje uma expectativa tanto na área de manufatura quanto em desenvolvimento de produtos".