Luciana Rebouças
Junto com a fábrica da chinesa JAC Motors, que tem previsão de ser inaugurada em Camaçari em outubro de 2014, a empresa poderá trazer até 400 novos fornecedores para o estado. Foi esta a previsão apresentada ontem por Tarcísio Telles, vice-presidente da montadora, durante a apresentação do Projeto Industrial JAC Motors no Brasil, na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
Isso porque, quando uma montadora de grande porte se instala em uma nova região, ela precisa de uma série de serviços, máquinas, equipamentos e autopeças para poder funcionar. Ontem, só no workshop voltado para o setor de autopeças, mais de 140 fornecedores lotaram a Fieb interessados em fazer negócios com a companhia chinesa.
A JAC Motors ainda realizará dois eventos semelhantes: um voltado para prestadores de serviços e outro para empresários de máquinas e equipamentos.
Esta movimentação é fundamental para a geração de empregos no estado. Segundo o presidente do Sindicato de Autopeças da Bahia (Sindipeças), Leandro Chrispim, três a cada dez empregos indiretos-que são criados por causa de uma nova indústria de automóveis pertencem ao setor de autopeças. “Com a preferência por peças nacionais, acreditamos que a JAC possa gerar cerca de três mil empregos para fornecedores”, acrescenta.
Além disso, mesmo com a Ford já instalada em Camaçari, muitos fornecedores já não atendem à demanda da empresa e, caso fechem negócio também com a JAC, terão que expandir suas fábricas. A unidade de Camaçari da JAC irá fabricar 120 mil veículos por ano e a previsão é que sejam gerados 3,5 mil empregos diretos e 10 mil indiretos.
PERSPECTIVAS Já o presidente da JAC Motors Brasil, Sergio Habib, fez questão de enfatizar que nenhum fornecedor está selecionado até o momento, ou seja, estão abertas as negociações para fechar essas parcerias para a unidade de Camaçari.
“As únicas coisas que virão prontas da China são câmbio e motor”, acrescentou Habib. E quem quiser negociar com a montadora chinesa tem que começar agora. A JAC já preparou um cronograma e os contratos com as novas empresas fornecedoras serão assinados até o final do primeiro semestre de 2013. Os escolhidos serão apresentados até o final deste ano.
Segundo o presidente de Desenvolvimento Industrial da Fieb, João Marcelo Alves, a vinda da JAC pode formar um ciclo positivo por causa dos fornecedores. “Em um segundo momento, se temos uma empresa fornecendo plástico e borracha na Bahia, podemos também receber uma indústria de linha branca que também compre esses componentes”, explica.
Para ele entanto, o grande desafio ainda é vencer os gargalos da infraestrutura. Alves reforça que menos de 3% do PIB é investido nessa área em todo o Brasil, ou seja, menos do que é necessário para manter estradas, portos e ferrovias. Como o cenário não é diferente na Bahia, a expectativa é que reformas sejam feitas com a chegada de grandes empresas.
MERCADO O presidente da JAC Motors Brasil também falou bastante sobre o mercado consumidor e comentou que as melhores perspectivas de vendas estão no Nordeste e nas áreas rurais do país. “O Brasil não cresce de maneira igual. Enquanto o mercado de automóveis em São Paulo cresceu 46 % entre 2010 e 2011, a Bahia cresceu 79% no mesmo período”, disse Sergio Habib.
Governo quer expandir porto privado
Dois projetos com o mesmo objetivo estão sendo discutidos no estado para atender ao escoamento do setor automotivo. A montadora Ford já trabalha com um porto privado em Aratu e, segundo o secretário da Indústria, Comércio e Mineração da Bahia (Sicm), James Correia, ela planeja expandir esse terminal. Já o governo do estado defende essa expansão para escoar também os carros da JAC Motors pelo mesmo local.
O secretário também lembrou que a Bahia já produz 40% dos pneus do país. Este mesmo porto poderia servir também a esse mercado e ao de autopeças, que contaria com toda essa infraestrutura.
Correia destaca ainda que o governo possui um terreno de 140 milhões de metros quadrados onde a JAC será instalada, em Camaçari. "A montadora usará 5 milhões de metros quadrados e queremos captar outras empresas para formar este polo automotivo" , disse Correia.