Pequena empresa incubada tem mais chance de sobrevivência

21/05/2012


Donaldson Gomes


Assim como acontece com um pequeno bebê recém-nascido, as boas ideias precisam dos devidos cuidados para se tornarem empresas de sucesso. No caso de empresas que lidam com inovação, o tratamento precisa ser intenso e constante, tal qual se dá com as crianças nos primeiros momentos de vida.


Nestas situações, o amparo de uma incubadora de empresas é o divisor de águas que pode representar até 80% mais de chances de sobrevivência, de acordo com estimativa da Rede Baiana de Incubadoras.


Ou seja, a taxa de mortalidade nos dois primeiros anos de vida, em torno de 17% em média na Bahia, de acordo com a pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa na Bahia (SebraeBA), pode ser reduzida para 3,4%.


"É sempre possível haver perdas, mas, com a incubação, a taxa de sucesso tende a ser bem melhor", explica odiretor daRede Baiana de Incubadoras, José Roberto Salomão, que também dirige o Centro de Empresas Nascentes (Cena), uma das cinco incubadoras em atividade na Bahia.


O principal objetivo da atividade é colocar no mercado empresas capazes de oferecer produtos inovadores à sociedade, coisa que muitas não conseguiriam sem o apoio, destaca Salomão.


Professor de engenharia biomédica da Universidade Federal da Bahia, Paulo Alberto Paes Gomes sabe que dificilmente conseguiria bancar a estrutura necessária para a implantação da Exam Instrumentação do Nordeste sem o auxílio da ferramenta.


A montagem da empresa começou na Incubatec, em Camaçari, e está sendo concluída na incubadora do Parque Tecnológico.


Os dois produtos que estão sendo desenvolvidos pela empresa nascente simplificam e barateiam o diagnóstico da anemia falciforme e da presença da bilirrubina em recém-nascidos. "Além da estrutura adequada para trabalhar, você divide o ambiente com gente muito qualificada", destaca Paulo.


Estado investe mais de R$ 3milhões em incubação


Vagas existem, mas a falta de informação impede o acesso de empreendedores em potencial às incubadoras de empresas.


As cinco instituições que operam no Estado possuem vagas para novos projetos de incubação. Além disso, a Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado (Secti) vai lançar nos próximos dias o Sistema Estadual de Incubação, com polos nas cidades de Salvador, Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista e Feira de Santana.


Com um investimento entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões para a montagem das estruturas, o que vai ampliar as vagas para investimentos baseados em inovação tecnológica. "Infelizmente, nós ainda somos bastante incipientes nesta área", diz o secretário da Secti, Paulo Câmara.


Ele lembra que o Estado ofereceu através de edital 22 vagas para a incubadora do Parque Tecnológico, na Paralela, entretanto apenas nove foram ocupadas.


"Nós temos realmente que ampliar a quantidadede vagas em incubadoras para empresas de matriz tecnológica, mas a verdade é que as vagas que já existem não estão sendo ocupadas pelos empreendedores", lamenta Câmara. O espaço que está deixando de ser ocupado, ressalta, é de fundamental importância para os candidatos a empreendedores, mas também para a sociedade.


"A inovação tecnológica tem um grande potencial para gerar riquezas e empregos e qualidade, além de facilitar o acesso ao mercado internacional", destaca o secretário. Foi graças ao trabalho do Centro de Empresas Nascentes (Cena) que os irmãos Leonardo e Tiago Pessoa, junto com o amigo Arivan Bastos conseguiram realizar o sonho de montar a Virtualize Soluções Digitais, uma empresa de games, que posteriormente foi ampliada para o conceito de oferecer soluções interativas.


"A incubadora nos ajudou a direcionar melhor o nosso foco", lembra Leonardo. Com as consultorias, que abrangem áreas como gestão, qualidade, finanças e marketing, só três estudantes universitários na época lançaram a semente da empresa que hoje emprega mais seis pessoas.


"Nós começamos dividindo uma baia com um computador e hoje temos clientes internacionais, como a Apple. Já fizemos projetos para a Sansung e a Falcomm", enumera. No mercado baiano, a empresa tem entre os clientes empresas como a Perini, a TWB e a Sercose, entre outras.


Espaço privilegiado - O gerente da Incubadora da Unifacs, Marcelo Dultra explica que o papel das incubadoras é desenvolver as boas ideias. "Muita gente acha que precisa chegar com um plano de negócios pronto e por isso não vem, mas a incubadora está preparada para criar este plano. O importante é que o candidato submeta a ideia a apreciação", recomenda.


Ele explica que durante o tempo de incubação, normalmente de dois anos, o empreendedor terá a oportunidade de não apenas fazer o plano de negócios, mas de preparar adequadamente a empresa para enfrentar os desafios do mercado.




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