EDELY GOMES
A oferta de produtos da cultura baiana aos turistas que aqui chegam é uma atividade já explorada hoje, mas que tem grande chance de crescimento com a Copa do Mundo. Seja através do artesanato, comida típica ou até mesmo grupos teatrais, o setor associado ao turismo conta com 88 oportunidades de negócios para pequenos empresários e empreendedores individuais mapeadas pelo Sebrae. Mas se o objetivo é cativar o visitante, não dá para contar apenas com a diversidade e tradição do estado. Também é preciso caprichar no atendimento e apresentação dos produtos.
De acordo com o estudo realizado pelo Sebrae, das 88 oportunidades encontradas no mapa 12 estão ligadas à produção e comercialização de produtos como artesanato, biojoias ou alimentos típicos da região. Para a assessora técnica do Instituto Mauá, Maria Porto, o megaevento potencializa uma tendencia já explorada. "O turista quer sempre levar uma coisinha da terra que visitou e é aí que o artesão entra. O artesanato é aquilo que representa o estado para o turista. É aquele pequeno berimbau que ele vai levar para um parente", afirma.
De olho neste nicho, o artesão Marcos Viana já começou a projetar os itens que estará comercializando em 2014. A ideia é juntar símbolos conhecidos como a baiana de acarajé com elementos do universo esportivo da Copa. Como não trabalha diretamente com o público e sim fornecendo para vendedores, Marcos ainda não enxerga a necessidade de se capacitar para atendimento. "Estou em busca de cursos e oficinas mais voltados para a confecção das peças além de certificado para os produtos", afirma.
Profissionalização
Seja por meio dos tradicionalmente conhecidos souvenirs do mercado modelo ou dos quitutes da culinária baiana, os vendedores e produtores da Bahia ganham força com a proximidade da Copa. Entretanto, com um mercado ocupado predominantemente por pequenos empresários e empreendedores individuais, o setor ainda carece de profissionalização. É preciso "profissionalizar" a produção e venda. "Existem cursos para capacitação em gestão e produção, mas nada vai adiantar se ele não estiver interessado", lembra Maria.
À despeito do potencial, os entraves são criados pelos próprios empreendedores, que devem tomar a iniciativa. "Há um potencial gigantesco a ser explorado. Mas se eles realmente querem se tornar competitivos devem procurar se institucionalizar e estar legalizados e com a documentação correta", avisa a técnica da Unidade de Atendimento Coletivo-Economia Criativa, Luciana Santana. Cuidados com a gestão e forma de comercialização são itens que devem ser levados em consideração por quem quer fortalecer a competitividade do negócio.