“A Rede Nacional de Pesquisa em Energia Eólica tem como principal objetivo formar um ciclo virtuoso, criando uma conexão forte entre governo, indústria e instituições de pesquisa”, afirmou Élbia Mello, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), durante apresentação do projeto em Salvador realizada em conjunto com o professor Délberis Lima, da PUC do Rio de Janeiro. O evento aconteceu nesta quarta-feira (27/06), na secretária da Indústria, Comércio e Mineração, no CAB.
Crédito: Elói Corrêa
Élbia Mello, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica
O projeto foi apresentado nos principais estados onde têm atividades geradas pelos ventos, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Bahia, onde foi encerrado o ciclo de discussões sobre a rede, colocando o Estado definitivamente na rota da energia eólica brasileira. Estiveram presentes na discussão, representantes de instituições de ensino e pesquisa, de fábricas de equipamentos e parques eólicos.
“Queremos estimular as instituições de pesquisa, de ensino técnico e superior a atuarem de maneira conjunta formando novos profissionais para este mercado e adaptando a tecnologia às condições nacionais”, disse o professor Délberis Lima.
De acordo com Élbia Mello, com o projeto da rede pronto e a rodada de negócios encerrada, os próximos passos são: a criação da plataforma virtual, a busca por parceiros e a assinatura dos convênios. “Se tudo correr dentro do cronograma, vamos fazer o lançamento da rede nacional no Brazil Windpower no final de agosto”, afirmou a executiva.
Rede de pesquisa – Segundo o professor e pesquisador, Osvaldo Soriano, a montagem da rede é fundamental para fazer o tripé governo, indústria e instituição de pesquisa funcionar, ajudando principalmente as universidades a ficarem atentas às necessidades da indústria e aliar suas pesquisas diretamente à essas lacunas.
Para Renato Amaral, conselheiro da Renova Energia, a rede de pesquisa vai ajudar no desenvolvimento de técnicas que possibilitem a nacionalização das máquinas brasileiras. “Os equipamentos que utilizamos hoje são fabricados para ventos diferentes dos existentes no Brasil. A questão climatológica é um bom exemplo disso. As máquinas são feitas para suportar temperaturas abaixo e acima de 50º graus e aqui não temos necessidade disso”. Segundo Amaral, com a tropicalização dos equipamentos o custo dos equipamentos e da manutenção seria menor.
O diretor de pesquisa e desenvolvimento da Aeris, Vitor de Araujo Santos, está bastante otimista com a criação da rede. “Nela poderemos encontrar diversos projetos voltados especificamente, no nosso caso, para as pás eólicas, nos permitindo entrar em contato com pesquisadores que possam nos auxiliar com os resultados desejados para os nossos objetos de estudo”. O diretor da Aeris acredita que o maior ganho da criação da rede é a formação dos recursos humanos específicos para o desenvolvimento de novas tecnologias para o setor.
Contribuição baiana - A energia eólica se tornou um dos segmentos de maior desenvolvimento do Estado nos últimos anos. Além de incentivar a implantação dos parques eólicos e do polo industrial de fabricação de equipamentos, o Estado criou uma rede estadual de energia eólica. A iniciativa partiu do secretário James Correia (Indústria, Comércio e Mineração) e teve como principais atividades o levantamento informal dos profissionais que já atuam na área de pesquisa na Bahia, investigar as linhas existentes e definir os pontos chaves para se trabalhar no Estado.
De acordo com Rafael Valverde, secretário executivo da Câmara de Energia e coordenador da rede estadual, alguns pontos a serem trabalhados são os recursos eólicos, a operação e manutenção dos parques e a nacionalização dos equipamentos. “Acreditamos que esta nossa iniciativa seja de grande contribuição para a rede nacional”.