Workshop debate cadeia produtiva de petróleo e gás

28/06/2012


As empresas que atuam na cadeia produtiva de petróleo e gás devem ir além do processo extrativista de exploração, refino e venda. Elas devem investir em conteúdo local para ganhar competitividade e sustentabilidade, inclusive, no mercado externo.


Esta é a proposta da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que, junto com nove empresas patrocinadoras, a exemplo da Shell e da Chevron, promoveu na terça-feira (26), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o Workshop de Certificação de Conteúdo Local. Entre os convidados para compor a mesa de abertura estava o secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, que também é membro do conselho da Onip.


O diretor-geral da Onip, Elói Fernandez, destacou que as empresas fornecedoras que atuam no segmento de petróleo e gás devem estar habilitadas para atender não apenas à Petrobras, mas às demais empresas, a exemplo das nove parceiras na organização do workshop, que, juntas, respondem por 20% a 25% do consumo do que é produzido pelo setor de exploração. Por isso, a Onip criou o Cadastro de Fornecedores (CadFor), que é um instrumento de aferição da competitividade. “Qualifica as cadastradas para que elas possam fornecer em qualquer lugar do mundo”, explicou Fernandez.


O secretário do Planejamento, por sua vez, falou das ações em que o governo da Bahia pode atuar com o objetivo de incentivar a cadeia de fornecedores. Uma das iniciativas seria estimular as pequenas e médias empresas para que se qualifiquem para integrar o cadastro de fornecedores da Petrobras e de demais indústrias.


Outra ação indicada por Gabrielli é a inovação, ou seja, modificação dos processos de trabalho para adquirir competitividade. Nesse ponto, ele citou três dimensões de inovação: solução de entraves (com construção de laboratórios, diagnóstico, identificação de gargalos, etc.), qualificação de mão de obra e firmar parcerias. O secretário também apontou duas outras ações importantes, nas quais o governo pode colaborar. “É preciso crescer o tamanho das empresas, mas não só na sua capacidade técnica e financeira. Entretanto, elas também precisam se desprender da cadeia de petróleo e gás”.


Segundo ele, as fornecedoras devem diversificar e flexibilizar para ocupar outros mercados que estão se abrindo na Bahia, a fim de vender seus serviços e produtos para indústrias químicas, do ramo naval e de energia eólica e indústrias ligadas a mobilidade. E apontou o desenvolvimento de uma política estadual junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).


Cadeia de fornecedores - A RedePetro Bahia é a associação das empresas fornecedoras de bens e serviços para a cadeia produtiva de petróleo e gás no estado. Hoje, conta com 67 associadas, que prestam serviços ou atendem aos segmentos de exploração, produção, refino, petroquímica, transporte e distribuição de óleo e gás. A estimativa é que gerem em torno de 3,3 mil empregos diretos.


As 67 associadas da RedePetro respondem atualmente por 10% do volume de negócios em aquisição de serviços e produtos na área de petróleo e gás na Bahia. A expectativa dos associados, no entanto, é que haja um crescimento do setor com a expansão da cadeia produtiva de petróleo.


“Estamos otimistas com as novas fronteiras exploratórias que estão sendo abertas”, declarou o diretor-executivo da RedePetro, Geraldo Queiroz. Ele citou entre os novos empreendimentos que devem movimentar o setor a Bacia Tucano Sul, que afeta diretamente 17 municípios e tem outros dez na sua área de influência. Entre os diretamente beneficiados estão Tucano, Serrinha, Araci, Inhambupe, Cipó, Olindina e Teofilândia.


O entusiasmo do setor é reforçado também pelo anúncio da vinda para a Bahia da multinacional chinesa Bomcobras, fabricante de equipamentos de petróleo e gás, a exemplo de sondas e brocas de perfuração. Hoje, esses produtos são importados. A expectativa é que a Bomcobras inicie sua instalação em um ano. Queiroz disse que a empresa, inclusive, já se filiou à RedePetro.


O diretor-executivo ressaltou ainda entre os investimentos que têm reflexos positivos no setor a implementação do parque eólico da Bahia. De acordo com ele, as empresas demandam equipamentos e serviços afins com os fornecidos pelas associadas da RedePetro.




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