Proporção de empreendedoras é maior que a média mundial

04/07/2012

Caudia Riolli


A proporção de empreendedoras brasileiras (49%) é maior do que a média mundial (37%) entre 54 países analisados na 12ª edição da GEM (Global Entrepreneurship Monitor), feita pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade.


"O aumento da participação feminina também é reflexo da melhoria do ambiente econômico e das transformações no mercado de trabalho que ocorreram ao longo das últimas décadas", diz Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae nacional.


A artesã Maria Valmira Alves de Sousa, 48 anos, formada em Pedagogia há dois anos, diz ter optado por ficar no mercado com seu negócio do que ir para a sala de aula.


"Fiz cursos e procurei o Sebrae para me capacitar. Tirei meu CNPJ há pouco tempo, porque posso fazer mais investimentos, ter acesso a financiamentos e colocar uma maquinha de crédito para aumentar a clientela. Esse é o maior pedido hoje, para eu vender com cartão", diz Maria Valmira, que vende seus bordados e crochês em três feiras em que participa na zona sul e na região de Embu.


De segunda à quinta, ela produz suas mercadorias e às sextas, aos sábados e domingos trabalha na feira.


"Comecei vendendo entre cinco e dez toalhas bordadas. Hoje a média é de 200", diz a empreendedora.


Maria Valmira é uma das 27 milhões de pessoas que têm um negócio no país. Em 2010, o Brasil tinha 21 milhões de empreendores.


O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking de países com maior número de empreendedores, segundo a pesquisa feita em 2011. China e Estados Unidos aparecem em primeiro e segundo lugares (veja abaixo).


Número de empreendedores/países (em milhões)


1 - China 369,9

2 - Estados Unidos 39,7

3 - Brasil 26,6

4 - Tailândia 19,8

5 - Bangladesh 16,4

6 - Irã 12,7

7 - Japão 10,2

8 -Turquia 8,5

9 - México 8,15

10 - Paquistão 7,9


Dos 27 milhões de empreendedores hoje do país, 7,7 milhões têm entre 25 e 34 anos. Desse total, 4 milhões têm negócios com até 3 meses de atividade ou fizeram alguma ação, nos últimos 12 meses, para montar um negócio. Outros 11 milhões têm negócios de 3 meses a 3 anos e meio em atividade. E 12 milhões são os chamados "estabelecidos" --estão no mercado há mais de 3 anos e meio.


Peso da formalização -Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, o professor de Economia da FGV, o aumento do empreendedorismo está diretamente relacionado ao aumento da formalidade.


"A nossa legislação trabalhista é pouco flexível e faz com que muita gente opte em trabalhar por conta própria e ter seu negócio. Programas como o MEI (micro empreendedor individual) trouxeram milhões da informalidade para ter um CNPJ", diz o professor.


Segundo, o diretor técnico do Sebrae foram 2,6 milhões de empreendedores individuais formalizados nos últimos três anos.


"Além da formalização, a melhora da economia, a diminuição do desemprego, o aumento do crédito e do valor do salário mínimo também tiveram impacto para melhoria do empreendedorismo no país.", diz Carlos Alberto dos Santos.


Expansão - "Se a economia vai mal, aumenta o empreendedorismo por necessidade. Se vai bem, aumenta por oportunidade", diz o professor Marcelo NaKagawa, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper.


Segundo o estudo do Sebrae, para cada empresa aberta por necessidade (porque perdeu o emprego, por exemplo) no ano passado, outras 2,24 foram abertas por que o investidor enxergou uma oportunidade de negócio. Há dez anos, para cada negócio aberto por necessidade, 0,77 era aberto por oportunidade.

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