Donaldson Gomes
Entre os maiores produtores de bebidas não-alcoólicas da América Latina, a família peruana Añaños Alcázar está prestes a colocar no mercado os primeiros refrigerantes produzidos pela Indústria São Miguel (ISM), instalada em Alagoinhas.
Com um investimento de R$ 50 milhões, os investidores, que fazem sucesso em países como o Chile e República Dominicana, além do próprio Peru, vão apostar em adaptações visuais e no sabor do produto ao mercado nordestino - alvo a médio prazo.
No primeiro momento, a ISM pretende se consolidar na Bahia e alcançar entre 10% e 15% de participação no mercado.
Alagoinhas aparece no projeto da ISM como a base para a expansão do grupo primeiro para Sergipe e Alagoas, expandido-se em seguida para os outros estados nordestinos. Inicialmente, a fábrica da ISM vai gerar 238 empregos diretos, número que poderá chegar até 1 mil com o desenvolvimento do projeto.
Se a ISM faz questão de falar a respeito da fábrica - orgulhosamente apresentada como a mais moderna do Nordeste, com todos os recursos de automação disponíveis no mercado brasileiro - os nomes e sabores dos produtos que serão lançados no mercado são considerados segredos industriais.
"O consumidor terá uma bebida produzida com respeito e dedicação às necessidades dele. Não só o produto, com também a marca vai respeitar o gosto e o estilo do consumidor brasileiro", promete o gerente geral da ISM no Brasil, Guilherme Soares.
Quem já bebeu os refrigerantes produzidos no Peru, acredita que a fórmula usada lá não funcionaria aqui. Para os padrões dos refrigerantes brasileiros, os produzidos no Peru são muito doces. "Certamente o produto será diferente. O açúcar será outro e a bebida terá muito mais refrescância", garante Soares.
Concorrência - Guilherme Soares garante que chega para concorrer com os produtos da Coca-Cola, da Ambev e da Schin. "A bebida em garrafa PET é consumida da classe A até a E. Nós não queremos 'balançar' ninguém, chegamos para ocupar um espaço de mercado", destaca. E este espaço, ainda na primeira fase é estimado por ele como algo entre 10% e 15%.
Outra pergunta sobre a ISM que ficará sem resposta até a chegada dos produtos é o preço que será cobrado. "Nós já temos a nossa estratégia de precificação definida, só que esta é uma informação estratégica para o mercado", explica o gerente-geral da empresa.
Se tomar como base os preços praticados pela outra empresa da família Anãnõs, a AJE Group, que está instalada no município de Queimados, no Rio de Janeiro - com foco na região Sudeste - o consumidor poderá esperar preços atrativos.
No site da empresa, a embalagem de 500 ml tem sugestão de venda por 0,50, a de 2 litros fica por R$ 2,49, enquanto a de três sairia por R$ 3,49.
Vale lembrar apenas que apesar de pertencerem à mesma família, as empresas têm modelos de gestão próprios e os preços do Nordeste podem ser diferentes.