Revista portuguesa destaca potencial da Bahia

08/10/2012

Uma reportagem sobre investimentos na Bahia e uma entrevista com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, são destaques na edição de outubro da revista portuguesa País Económico. A revista destaca os laços históricos entre Bahia e Portugal e as potencialidades econômicas que podem advir de uma maior integração.


“Com um território com uma dimensão superior à da França, com mais de 14 milhões de habitantes, possui grandes riquezas e potencialidades, a todos os níveis. Salvador, a capital da Bahia, está ligada por voo diário a Lisboa, pelo que as empresas portuguesas possuem todas as condições para aproveitarem o potencial econômico baiano, um estado brasileiro que se afirma de braços abertos para acolherem os portugueses e as suas empresas”, destaca a publicação. Para ter acesso à edição completa da revista, clique aqui.


Na entrevista, o secretário James Correia defende uma relação comercial e de negócios mais agressiva entre a Bahia e Portugal. “Temos que ampliar as oportunidades de negócios. Como na Carta de Caminha a El-rei D. Manuel, continuamos ser a terra do “em se plantando, tudo dá”. Temos uma relação histórica e de amizade. Falta-nos uma maior relação de negócios, mais agressividade, para criarmos o grande mercado comum português”, pontuou Correia.


Leia abaixo a entrevista:




Precisamos de mais negóciosentre a Bahia e Portugal


Em visita realizada em Junho passado a Portugal, James Correia mostrou o fortepotencial do estado brasileiro da Bahia para os negócios, sejam na área do investimento,seja no plano comercial. Agora, em entrevista exclusiva à País €conómico, o Secretárioda Indústria, Comércio e Mineração do Governo do Estado da Bahia, aponta os fatoresconcretos que podem mobilizar os empresários a apostaram na maior economia donordeste brasileiro e na sexta mais importante do país. Com um tamanho superior ao daFrança, a Bahia possui uma terra riquíssima e uma localização estratégica central nessepaís continente que é o Brasil.


ENTREVISTA › Jorge Alegria | FOTOGRAFIA > Rui Rocha Reis


O estado da Bahia é a principal economia do nordeste brasileiroe uma das principais do país. Como caracteriza o potencial econômicoda Bahia?

A Bahia é um estado competitivo, entre outros fatores, porquepossui uma localização estratégica entre as regiões Sul-Sudeste eNorte-Nordeste do Brasil, esta última representando mercados emfranca expansão, principalmente de consumidores das classes Ce D. É um mercado com um potencial de consumo maior do quemuitos países europeus. A Ford tem na Bahia uma das fábricasmais produtivas do grupo. A montadora e as grandes indústriasinstaladas no Estado não cansam de repetir: o trabalhador baianoé o que produz mais, com mais resultados e mais qualidade.Uma grande empresa brasileira de cosméticos, O Boticário, porexemplo, escolheu a Bahia para a sua segunda grande fábrica –e a maior - por causa da excelente localização geográfica: meiode caminho entre o Sudeste e o atrativo mercado do Nordeste.A Avon, outra gigante do setor, também escolheu a Bahia parainstalar o seu grande centro distribuidor. Então, temos excelentemão-de-obra, boa infra-estrutura, recursos naturais abundantes eexuberantes e ótima qualidade de vida: todos os bons pré-requisitos para quem quer investir.


O Brasil ainda possui alguns gargalos na sua infraestrutura, estandoneste momento a desenvolver um conjunto de projetosno sentido de ultrapassar essas dificuldades. No domínio dasinfraestruturas rodoviárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias,quais são os principais projetos em desenvolvimentoou a desenvolver na Bahia? Como é que eles contribuirão paraalavancar o desenvolvimento sócio-econômico do Estado?

Temos dois grandes projetos estruturantes em curso: o Porto Sule a Ferrovia Oeste-Leste. São grandes complexos logístico-produtivosno eixo Oeste-Sul da Bahia, com porto off shore, polo industriale a Ferrovia Oeste-Leste, integrando o Sudoeste da Bahia aoCentro-Oeste brasileiro, regiões ricas em grãos e em minérios. Háum grande pacote viário em execução, contemplando a BR-324e os 125 Km do sistema BA-093, que atendem a um dos maiorespolos industriais do Brasil. Há investimentos na modernização deportos, aeroportos, além da construção de novos portos privados.Eles contribuirão decisivamente para tornar ainda mais arrojadae pujante a economia da Bahia.


E quanto ao investimento privado, quais são os principais projetosem curso?

Até 2016, temos uma previsão de investimentos privados da ordemde R$ 90 bilhões. Destacaria investimentos de grandes corporações,como a Ford, BASF, JAC Motors, Mirabela, Grupo O Boticário,Pepsico, Saint Gobain, Alstom, Gamesa, Petrobras, Petrochina,Foton, Kawasaki, IBM, Kirin, Semp Toshiba, Portugal Telecom,Ambev, Coca-Cola, entre outros. Somente em investimentos emmineração, a previsão até 2016 é de R$ 20 bi.


Mercado em forte expansão


Para um investidor estrangeiro, quais são as principais condiçõese incentivos para se instalar na Bahia?

Temos boa mão-de-obra, que é facilmente capacitada, energia,água abundante, infra-estrutura logística pronta, ou em expansão,e um mercado consumidor em franco crescimento. Naquestão dos incentivos, temos um programa estadual chamadoDesenvolve, que reduz bastante a carga de impostos e encargosno processo de instalação física e montagem industrial. Temostambém terras abundantes e relativamente baratas que reduzemsignificativamente os aportes imediatos na implantaçãodo empreendimento. Mais informações podem ser obtidas nosite da nossa Secretaria: www.sicm.ba.gov.br.


Como avalia o investimento português na Bahia? Quais os setoresda economia baiana serão os mais promissores para receberinvestimentos portugueses?

Existem possibilidades em todos os setores: comércio, mineração,metalurgia, petróleo e gás, automóveis, energia, química, turismoe serviços. A Bahia será uma das cidades-sede da Copa do Mundo2014 e vai necessitar de bons investimentos em setores quelidam diretamente com o atendimento a turistas, como hospedagem,alimentação, lazer e transportes. Quanto aos investimentosportugueses, na nossa avaliação, eles são ainda muito tímidos.Poderiam ser muito mais volumosos, porque temos aquilo que émais cobiçado por um investidor: mercado de consumo. Aliás, ummercado ampliado pelas políticas públicas implementadas peloex-presidente Lula e pela presidenta Dilma.


A Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia vai realizar umevento de negócios que pretende contribuir para incrementaras relações empresariais entre os dois lados do Atlântico. Comoé que o Governo da Bahia perspetiva este encontro no âmbitodo desenvolvimento econômico do Estado?

Ampliar as oportunidades de negócios. Como na Carta de Caminhaa El-rei D. Manuel, continuamos ser a terra do “em se plantando,tudo dá”. Temos uma relação histórica e de amizade. Falta-nosuma maior relação de negócios, mais agressividade, para criarmoso grande mercado comum português.


As empresas brasileiras estão cada vez mais internacionalizadas.Enquanto Secretário da Indústria e Comércio consideraexistirem na Europa, a começar por Portugal, boas oportunidadesempresariais e comerciais que também devem ser aproveitadaspelas empresas brasileiras, e da Bahia em particular?

Portugal é a nossa principal porta de entrada na União Europeia.Pela nossa integração histórica, linguística e cultural, Portugal eBrasil deveriam ser parceiros, de fato, na integração econômica.Portugal tem a localização estratégica e tem o conhecimento; nóstemos um dos maiores mercados consumidores do mundo. Já namoramos,noivamos e casamos. Só nos falta agora deixar esta lua--de-mel duradoura e ter filhos, muitos filhos.

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