DONALDSON GOMES
A rede varejista Magazine Luiza vai construir um novo centro de distribuição (CD) na Bahia, com um investimento de
aproximadamente R$ 120 milhões, de acordo com informação do secretário da Indústria, Comércio e Mineração da
Bahia (SICM), James Correia.
O empreendimento, que deverá ser erguido em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), terá uma área total de 100 mil metros quadrados e será construído em etapas, explicou o secretário.
Ontem, durante a apresentação do projeto de substituição de marca das 156 unidades das Lojas Maia pela Magazine Luiza, a direção do grupo varejista confirmou a construção do empreendimento, mas preferiu não dar maiores detalhes a respeito do assunto. “Nós estamos na fase de prospecção de terreno, caso encontremos um terreno que nos permita construir um CD capaz de substituir o nosso atual (em Simões Filho), vai substituir”, afirmou o diretor-superintendente da Magazine Luiza, Marcelo Silva.
Segundo o executivo, a construção do CD, além de gerar novos empregos na região, vai ajudar a rede a crescer no mercado local.
Além da construção do novo CD na Bahia, a rede pretende abrir 50 novas lojas na região Nordeste nos próximos dois anos, diz o diretor da empresa.
Mudança gradual
Em 2010, a Magazine Luiza comprou as Lojas Maia, empresa que tem mais de 50 anos na região Nordeste. De lá para cá, o grupo paulista iniciou um processo de integração gradual entre as duas empresas, que foi concluído no último mês de setembro.
“Quando a gente entra em um mercado competitivo, como é o caso do Nordeste, com a aquisição de uma empresa que já tem 50 anos de história, procuramos trabalhar com muito mais carinho e fazer as mudanças que julgamos necessárias aos poucos”, explicou o diretor de marketing da empresa, Frederico Trajano.
Antes de fazer a migração de marca na Bahia, a Magazine Luiza já tinha feito a alteração em outros três estados da região Nordeste - Pernambuco, Ceará e Paraíba.
“De todas as praças, Salvador é aquela em que nós encontramos um ambiente mais competitivo. Além disso, aqui
a força da marca das Lojas Maia não era tão grande”, disse o diretor de marketing.
Por outro lado, esta característica do mercado baiano levou a Magazine Luiza a optar por ações específicas para o mercado baiano, com a escolha do cantor Magary Lord como garoto-propaganda da mudança. “Para nossa felicidade, a marca tem bastante aderência com os valores da Bahia”, destaca.
A migração de marcas nas 55 lojas da Bahia deve durar até o final de 2013, estima Trajano. A partir de hoje, 17 lojas
na Bahia, já estarão como novo leiaute. Ainda hoje, a Magazine Luiza inaugura duas unidades, em Salvador e Camaçari. “Vamos comemorar a finalização do processo de integração com uma promoção de preços arrasadores amanhã (hoje)”, disse Trajano.
Sindilojas prevê mais concorrência no setor
O aumento da concorrência é positivo para a economia baiana, destaca o presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Bahia (Sindilojas-BA), Paulo Motta. “Para o consumidor, o fortalecimento de uma marca como a Magazine Luiza é importante para quebrar o controle de um pequeno grupo de grandes empresas”, acredita.
Segundo Motta, o aumento da concorrência deverá se refletir emmais opções de compra e, consequentemente, em mais opções de boas compras para o consumidor. “Hoje nós já não temos mais marcas locais, que poderiam ser ameaçadas coma chegada de grandes grupos, então fica o lado positivo do processo, que é o aumento da competição pelo interesse do consumidor”, diz o dirigente.
Incentivos para o setor
De acordo com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), James Correia, a Bahia tem sido bastante procurada por conta do elevado potencial de consumo da população. “O Nordeste brasileiro cresce a um ritmo impressionante e os grandes varejistas querem estar mais próximos do consumidor”, diz.
Correia reconhece que a Bahia poderia receber muito mais investimentos em centros de distribuição não fosse a realidade tributária. “Infelizmente temos que reconhecer que existem empresas que produzem na Bahia, enviam para centros de distribuição em outros estados e vendem para o consumidor baiano”, afirma.
Segundo ele, investimentos como o de R$ 120 milhões no novo CD da Magazine Luiza poderiam se tornar mais frequentes no Estado. “Se reduzirmos a carga, podemos ampliar a arrecadação com o aumento na quantidade de
empresas”, acredita.