Ofício é reconhecido como patrimônio imaterial do estado

29/10/2012

Vestidas com a indumentária tradicional, 60 baianas de acarajé participaram, no dia 26 de outubro, no Salão de Atos da Governadoria, no Centro Administrativo, em Salvador, da cerimônia em que o ofício exercido por essas profissionais passou a ser reconhecido como Patrimônio Imaterial da Cultura da Bahia.


Com o decreto assinado pelo governador Jaques Wagner, a atividade agora está registrada no Livro Especial de Saberes e Modos de Fazer do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), vinculado à Secretaria de Cultura (Secult).


A solenidade foi a primeira realizada no novo Salão de Atos da Governadoria. Em mais uma homenagem ao antigo ofício, o espaço recebeu o nome de Salão de Atos Baiana de Acarajé e ganhará uma placa em memória de baianas, que já morreram, com a inscrição de seus nomes e respectivos pontos tradicionais na capital.


Copa do Mundo – Na ocasião, o governador garantiu a venda do acarajé na Arena Fonte Nova durante os jogos da Copa do Mundo da Fifa 2014. "É claro que esta tradição estará presente, como está presente em qualquer evento cultural e esportivo. Nós vamos garantir a presença das baianas de acarajé dentro da Fonte Nova", afirmou.


A solicitação do registro como bem imaterial da Bahia foi requerida pela Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam), mesmo já tendo o reconhecimento federal desde 2005, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para a presidente da Abam, Rita Santos, faltava o reconhecimento do Estado. "Já que tudo começou aqui, isso vem coroar o trabalho de mulheres guerreiras. Muitas já se foram, mas contribuíram para que hoje a gente encontre o acarajé na cidade e isso vem numa boa hora, com a proximidade da Copa." Segundo a associação, existem aproximadamente cinco mil baianas de acarajé no estado.


O registro do ofício engloba os rituais envolvidos na produção, nos modos de fazer, na preparação do local de venda, na arrumação no tabuleiro do acarajé e dos demais quitutes disponíveis.


Símbolo da identidade cultural


Segundo a diretora de preservação do patrimônio cultural do Ipac, Elisabeth Gandara, o título é um reconhecimento do Estado a importante símbolo da identidade cultural baiana e brasileira. O registro inclui a elaboração de um plano de salvaguarda, "que vai indicar ações que o Estado e as baianas têm que manter para que o ofício não se descaracterize".


A baiana Maria Luzia dos Santos acredita que o reconhecimento trará mais respeito para as mulheres e homens que trabalham com seus tabuleiros. "É muito importante. Agora a baiana vai ter mais valor."

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