Pouco mais da metade dos empreendedores brasileiros pertence à classe C. Impulsionados pelos bons ventos da economia, estes micro e pequenos empresários vêm se destacando dentro do cenário nacional e já representam 55,2% do empresariado brasileiro, de acordo com pesquisa divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A consolidação do mercado interno do País, a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e a criação da figura do microempreendedor individual são apontadas como os impulsionadores destes empresários, que chegam a faturar até R$ 60 mil por ano.
A nova classe média tornou-se a grande empreendedora de pequenos negócios e a grande consumidora de produtos e serviços oferecidos por estes mesmos pequenos negócios. No Brasil, 99% das empresas do País fazem parte dos pequenos empreendimentos, afirma Luiz Barretto, presidente do Sebrae.
Acompanhando a tendência brasileira, a Bahia teve um salto de 70,2 mil para 190,9 mil microempreendedores individuais em dois anos.
A região Nordeste está em plena expansão no aspecto do empreendedorismo. Formalizar seu negócio tornou-se uma grande oportunidade para os empreendedores, que ganharam cidadania empresarial e direitos previdenciários, afirma Barretto.
Este é o caminho buscado por Riller Thuan. Depois de trabalhar informalmente com sonorização, ele está prestes a abrir seu primeiro negócio legalizado: um restaurante no bairro do Garcia. "Decidi me legalizar para aproveitar os benefícios e expandir meus negócios", afirma Thuan.
À espera da liberação do alvará de funcionamento, o empresário já está equipando o local e se preparando para receber os clientes. Versátil, ele não pretende abandonar as outras atividades.
Acredito que a principal característica do empreendedorismo é a dinamicidade e estar atuando em várias áreas. Por isso vou continuar atuando no ramo de sonorização, conta.
Inovação - Para Artur Brandão, diretor de Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), é natural que os novos negócios surjam nestas áreas.
Antes de se tornarem empresas de grande porte, os novos empreendimentos surgem como médias e pequenas empresas, mas, para tanto, é preciso que elas invistam em inovação, afirma.
Com um perfil que se assemelha ao do empreendedor individual, o empresário da classe C está concentrado no setor de comércio e serviços. Cabeleireiros, lojas de roupa, lanchonetes, obras de alvenaria, minimercados são alguns dos nichos de atuação mais procurados.
De acordo com a analista da unidade de gestão estratégica do Sebrae-BA, Dora Parente, Salvador apresenta um perfil semelhante ao identificado na pesquisa nacional.
O empreendedor soteropolitano está concentrado nas áreas de venda de vestuário, em loja ou sacoleiras; venda de alimentos (mercadinhos); e salões de beleza. Além disso, ele vem se formalizando cada vez mais, afirma.
Para a analista do Sebrae-BA, tal crescimento pode significar uma mudança de mentalidade. Com o crescimento econômico, o brasileiro estaria mais dispostos a se arriscar. "De uma forma geral, o brasileiro busca estabilidade, mas quem quer empreender tem que gostar do risco. E aquele que empreende porque quer tem ainda mais chances de crescer, pois está mais envolvido com o negócio", acredita Dora.
Inovação e capacitação são essenciais para obter sucesso - Dentre os principais desafios apontados pelos empreendedores está a dificuldade de encontrar o diferencial que os destaque em relação à concorrência. Para superar o impasse, especialistas apontam inovação e qualificação como caminhos para alavancar o negócio.
"A concorrência do mercado está muito acirrada, o cliente está mais exigente e tem mais opções, portanto, é preciso inovar e se capacitar. Cada vez mais se perde a prática de empreender sem estudo e capacitação", afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
Para o diretor de inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), Arthur Brandão, só sobreviverão aqueles que investirem em inovação. "Inovação tem tudo a ver com empreendedorismo, sem ele não há desenvolvimento. Por isso nós contamos com linhas de fomento à pesquisa", afirma Brandão.
Aqueles que estão em busca de capacitação ou financiamento para começar ou gerir um negócio podem buscar auxílio no Sebrae e na Fapesb.