Bird propõe projeto de logística para Nordeste

31/01/2013

JOÃO PEDRO PITOMBO


A implantação do corredor de transporte multimodal do São Francisco, projeto que está sendo desenvolvido pelo governo federal em parceria com o Banco Mundial, poderá reduzir em pelo menos 15% o custo do frete das cargas de grãos que hoje saem do oeste baiano.


O projeto propõe intervenções para integraçao de rodovias, ferrovias e hidrovia que cortam a Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e Piaui e tem potencial para ser um dos principais corredores logísticos do Pais.


A proposta será debatida hoje e amanhã em seminário no Hotel Catussaba, em Salvador, organizado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).


O encontro terá a participação do governador Jaques Wagner, do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, e do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. O plano está sendo gestado desde o ano passado, quando foi firmada uma parceria interministerial, e deve resultar num plano de açáo que deverá sair do papel por meio de parcerias com a iniciativa privada.


Hidrovia


O projeto desenvolvido pelo Banco Mundial tem o Rio São Francisco como coração do transporte de cargas entre o Sudeste e o Nordeste, com a constituição de uma hidrovia de caráter permanente com capacidade para transportar cargas no trecho entre os municípios de Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia, com capacidade de transportar cinco milhões de toneladas por ano.


Atualmente, apenas 2,5% deste potencial do rio é aproveitado, com o transporte de, em média, 100 mil toneladas de cargas por ano, sobretudo caroço de algodão, que embarca no terminal de Muquém do São Francisco para ser processado no distrito industrial de Juazeiro. ?O que temos hoje é apenas um rio navegável, e não uma hidrovia com estrutura para movimentar grandes cargas em condições de segurança?, afirma o assessor especial da Secretaria de Planejamento, Alberto Valença.


Segundo o projeto, o passo inicial seria a adoçáo de ações continuadas de dragagem ao longo do rio, o que vai possibilitar a circulação de balsas de grande porte. O estudo também Indica a instalação de terminais hidroviários de diferentes portes nos municípios de Carinhanha, Remanso. Bom Jesus da Lapa e Barra.


Modelagem


Coordenador local do projeto desenvolvido pelo Banco Mundial, Igor Carneiro explica que ainda serão cumpridos alguns passos para que o plano saia efetivamente do papel. A partir do estudo e dos debates que estão sendo realizados nos estados, será definido um plano de açao cujo ponto mais importante será a definição da modelagem institucional, que será desenvolvida pelo Banco Mundial.


A expectativa é que o projeto siga uma modelo de parceria com empresas, o que pode resultar em concessões e parcerias públlco-privadas. O objetivo é garantir celeridade na execução das obras, além da participação financeira dos entes privados no projeto, cujo valor ainda não foi orçado. Além de dar competitividade à região e reduzir o custo do frete, o projeto também visa reduzir o transporte de cargas via terrestre, o que geraria benefícios do ponto de vista ambiental. Segundo Alberto Valença, apenas um comboio de balsas de médio porte, com capacidade para transportar 4,2 mil toneladas, seria equivalente ao transporte em 140 caminhões.

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