Preço da energia eólica no Brasil é o mais barato do mundo

07/02/2013

Milton Leal


Se alguém dissesse há três anos que a energia eólica no Brasil teria o preço mais competitivo de todo o mundo, provavelmente ninguém daria ouvidos. Após a chegada de vários fabricantes e dos constantes sucessos da fonte nos leilões do governo, o diretor-presidente da Renova Energia, Mathias Becker, afirmou nesta quarta-feira, 6 de fevereiro, que o patamar de preço atingido pela tecnologia no último leilão, abaixo dos R$ 90 por MWh, é o mais baixo quando comparado com outros países do mundo.


O executivo disse ainda que considera factível para as próximas licitações o preço-teto estipulado pelo governo no último leilão, de R$ 112 por MWh. Ele afirmou que o valor atingido pela Renova no certame A-5 do final do ano passado foi possível porque o parque vendido é uma extensão de outra usina que já está pronta e requer menos investimentos. Outro fator que ele listou como preponderante para o lance abaixo da casa dos R$ 90 por MWh foi a parceria anunciada com a fabricante de aerogeradores Alstom. Segundo ele, graças ao acordo de compra de 1,2 GW em equipamentos, no valor de 1 bilhão de euros, a companhia conseguiu baixar ainda mais o seu lance e sair vencedora da concorrência.


Jérôme Pécresse, presidente do setor Renewable Power da Alstom no mundo, acredita que o preço da fonte no Brasil continuará caindo, devido à forte concorrência entre os competidores e toda a cadeia de suprimento. As novas regras estipuladas pelo BNDES para os fabricantes eólicos deverá, no curto prazo, contudo, provocar uma elevação no preço dos equipamentos. Mas o executivo da multinacional francesa afirma que após algum tempo, os preços voltarão a cair, conforme a indústria se adaptar ao novo cenário.


Becker acredita que 2013 será um ano importante em termos de contratação para a fonte eólica. Ele lembrou que no ano passado, devido à baixa demanda, a tecnologia não conseguiu viabilizar grandes volumes como em anos anteriores. A expectativa do executivo é que o Brasil contrate cerca de 2 GW de capacidade instalada por ano até 2020.

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