O município de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina, prepara-se para se tornar um polo produtor de vinhos e do enoturismo. O que é um projeto piloto pode transformar-se em uma vinícola de vinhos finos na região já em 2015.
O vinhedo comercial, que começou a ser implantado em janeiro, é o primeiro grande passo nesse sentido. Trata-se do investimento de uma cooperativa, em formação, de 20 produtores de médio porte, onde vão ser plantadas seis variedades de uvas em uma área de 20 hectares. Até então, Morro só conhecia o cultivo de uva de mesa.
Por isso a aposta na produção de uvas viníferas, que agregam valor à cultura, ampliando as perspectivas de ganhos.
"Um hectare de uva rende até R$ 100 mil e emprega diretamente quatro pessoas", estima o superintendente de Atração de Negócios da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri), Jairo Vaz.
Além disso, a produção de vinhos é uma opção para a Chapada, região onde a água não é abundante. Como trata-se de um produto fino, a área cultivada será pequena. A rentabilidade virá através do preço, que pode custar entre R$ 100 e R$ 200.
Fase de testes - Os produtores de Morro do Chapéu têm como principal referência as experiências de produção de vinhos do município baiano Casa Nova, onde há uma Unidade de Observação na Vinícola Terra Nova, do Grupo Miolo. Em setembro do ano passado foram produzidos os primeiros vinhos com as uvas da região.
O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho/Semiárido, Giuliano Pereira, acompanha o projeto e elogia os resultados obtidos. "Temos uma grande esperança de que o semiárido se tornará uma região de referência em vinhos finos".
Os produtores esperam pela certificação da Embrapa atestando a vocação do solo e da qualidade do vinho produzido, o que deve acontecer a partir de agosto, quando será feita a terceira colheita. O atestado é importante para o financiamento da vinícola.
"É uma cultura nova, os bancos não vão arriscar em emprestar dinheiro sem o aval da Embrapa", diz o cooperado e presidente da Associação de Criadores e Produtores de Morro do Chapéu e Região, Odilésio Gomes.
Se os planos dos produtores forem bem-sucedidos, a região pode entrar na rota do enoturismo e da enogastronomia.
Ajuda francesa - A história das videiras viníferas na Chapada começou em 2008, quando Jairo Vaz, produtor de uva e de vinhos da região do Vale do São Francisco, percebeu o potencial da região para esse negócio, devido à altitude (em torno de 1.500 metros), amplitude térmica e clima ameno.
Em 2009, o presidente da Cave Coopérative des Riceys, da França, Christian Jojot visitou a região e confirmou a suspeita de que era possível produzir vinhos de alta gama.
A visita dele coincidiu com a presença do governador Jaques Wagner na cidade. Técnicos da Segri realizaram visitas à França, onde foram escolhidas variedades de uvas e observadas as formas de organização das vinícolas e cooperativas locais.
Governo baiano investiu R$ 300 mil para obter produção - O desenvolvimento da produção de uvas para produção de vinho na Chapada Diamantina recebeu investimentos da ordem de R$ 300 mil do governo baiano, por meio da Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri). Os recursos foram destinados sobretudo à assistência técnica aos produtores e à instalação de unidades de observação em Mucugê e Rio de Contas.