O início de operação das fábricas do Complexo Acrílico da Basf, em Camaçari será no último trimestre de 2014. Quem garante é Holger Herbst - Diretor Industrial do Complexo Acrílico da Basf que, em entrevista ao blog Bahia Econômica, disse que cerca de 500 pessoas estão trabalhando na construção do complexo, e que no pico da construção serão cerca de duas mil pessoas empregadas.
Holger afirmou que, quando em operação, o Complexo Acrílico visará tanto o mercado interno quanto o mercado externo e explicou como vai gerar um impacto positivo de US$ 500 milhões na balança comercial.
Em relação à infraestrutura, o diretor da Basf disse que o Governo do Estado tem se empenhado para resolver os problemas no âmbito globoal de todo o Polo Industrial de Camaçari e listou diversas ações que estão sendo realizadas.
Destacou também o novo plano de recuperação da infraestrutura do Polo, que está sendo tocado pela Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) e lembrou o caráter de urgência na implementação das medidas de revitalização para manter a competitividade do distrito industrial e atrair novos investimentos.
Já em relação aos fornecedores, o diretor da Basf disse que na fase de construção do complexo a maioria dos fornecedores contratados foi baiana, mas lembrou que, como em qualquer outro projeto da BASF, não haverá benefícios para os fornecedores e que a competência e qualidade das propostas é quem vai definir a participação.
Segundo ele, o sistema FIEB é um parceiro importante na escolha de fornecedores, pois tem mecanismos de qualificação e capacitação de fornecedores. Veja a entrevista na íntegra.
Foto: Divulgação

Holger Herbst : "O Complexo Acrílico da Basf representa, para o Polo
Industrial de Camaçari, a possibilidade da chegada das indústrias de transformação"
BAHIA ECONÔMICA - Segundo foi anunciado, o Complexo Acrílico iniciaria a sua fase de teste e produção no segundo semestre de 2014 ou no início de 2015. Esse cronograma está mantido?
HOLGER HERBST - Sim. O cronograma de obra está dentro do que programamos no início. O start-up das fábricas em Camaçari será no último trimestre de 2014.
BE – O complexo se encontra em que fase de montagem?
HH - A fase de construção e instalação sob a terra (underground) já está sendo finalizada. Além disso, o estaqueamento de todas as áreas e a construção de instalações temporárias para suportar a obra foi finalizado. A construção civil das unidades produtivas se iniciou em paralelo à chegada da contratada para a montagem eletromêcanica, com conformidade com o cronograma. As datas de término mecânico dos projetos estão mantidas conforme planejamento inicial.
BE – A Basf está recrutando trabalhadores em parceria com o Senai-Bahia. Como está sendo feita essa seleção? A mão de obra será qualificada?
HH - No estado da Bahia, o parceiro da Basf para as atividade de treinamento e desenvolvimento de pessoal é o Senai-Ba (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que é vinculado ao Senai Nacional. O Senai irá capacitar os candidatos de formação técnica (química, petroquímica, mecânica, elétrica, instrumentação, automação, etc) para atuação em processo produtivo e manutenção da Basf. O processo de seleção foi composto de aplicação de prova de conhecimentos específicos (química, física, português e matemática), passarão por dinâmicas de grupo, onde os candidatos terão a oportunidade de apresentar suas habilidades comportamentais, tais como, trabalho em equipe, etc.
BE – As informações iniciais dão conta de que a companhia empregaria cerca de 2 mil pessoas durante a fase de construção. Quantas pessoas já estão trabalhando na montagem da fábrica?
HH - Hoje temos cerca de 500 pessoas trabalhando na construção do complexo. O pico de funcionários na construção será de cerca de 2 mil pessoas.
BE – Recentemente a Basf reuniu empresas fornecedoras em um evento realizado na FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia) para estabelecer a política de compras para a companhia. O mercado baiano tem condições de suprir as necessidades da Basf? Haverá algum tipo de benefício para o fornecedor local?
HH - A Basf trabalha com alguns requisitos básicos para participação nas concorrências para os prestadores de serviço. Como em qualquer outro projeto da Basf, não há benefícios para os fornecedores, trabalhamos com a competência e qualidade das propostas. O sistema Fieb é um parceiro importante, pois tem mecanismos de qualificação e capacitação de fornecedores. Durante a fase de construção, por exemplo, a maioria dos fornecedores contratados foi baiana.
BE – A Basf utilizará a matéria prima da petroquímica Braskem, que é o propeno. A Braskem tem condições de oferecer toda a matéria-prima necessária para o complexo acrílico?
HH - A Braskem irá nos fornecer matéria-prima para a demanda de escala global do nosso Complexo em Camaçari. O contrato com a Braskem é de longo prazo e inclui o fornecimento de propileno e utilidades.
BE – O mercado para os produtos oriundos do Complexo Acrílico será o interno, o externo ou ambos?
HH - Ambos, já que o investimento no Complexo Acrílico tem expectativa de gerar impacto positivo de US$ 500 milhões na balança comercial, sendo: US$ 200 milhões por substituição de importações; e US$ 300 milhões em decorrência da criação de exportação.
BE – O Complexo Acrílico tem o poder germinativo de atrair outras empresas, a exemplo da Kimberly-Clark. O senhor acha que o Complexo da Basf será um atrativo para atrair grandes empresas para a Bahia?
HH - O Complexo Acrílico da Basf representa, para o Polo Industrial de Camaçari, a possibilidade da chegada das indústrias de transformação, já que traz a primeira fábrica de ácido acrílico da região, além da de polímeros superabsorventes. Esta tendência já é realidade com o anúncio do investimento da Kimberly-Clark em uma fábrica de produtos para higiene íntima, que utilizará, entre outras matérias-primas, o polímero superabsorvente da BASF.
BE – O Governo do Estado da Bahia vem cumprindo sua parte no fornecimento de infraestrutura e outros benefícios?
HH - Existe uma pauta de melhorias no Polo Industrial de Camaçari como um todo. Estas otimizações fazem parte das demandas do Cofic (Comitê de Fomento do Polo Industrial de Camaçari) para aumentar a atratividade e produtividade do Polo. O Governo do Estado tem demonstrado interesse e se empenhado para resolver os problemas de infraestrutura do Polo. Alguns exemplos: privatização do Sistema BA-093, que integra principais rodovias de acesso ao Complexo Industrial; reforço no sistema de policiamento, por meio da implantação de três bases da Companhia Independente de Policiamento Especializado (CIPE), em Camaçari (em funcionamento desde julho de 2008), Simões Filho e Candeias (estas últimas instaladas mais recentemente); recuperação, já assegurada, da Via Atlântica; definição da nova área de expansão do Polo, transformada em área de utilidade de pública através de Decreto assinado pelo Governador Jaques Wagner. Além disso, o Governo do Estado vem trabalhando com um novo plano de recuperação da infraestrutura do Polo, por meio da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), que contempla a recuperação definitiva das vias internas, melhorias nos sistemas portuário e ferroviário, dentre outros itens importantes. É crucial ressaltar a importância e caráter de urgência na implementação das medidas necessárias para revitalização da infraestrutura do Polo, como forma de manter a competitividade do Complexo Industrial e atrair novos investimentos.
BE – Qual foi o fator determinante para a Basf implantar o Complexo Acrílico na Bahia?
HH - A BASF está presente no Polo Industrial de Camaçari desde a sua criação em 1978. A localidade apresenta alguns benefícios claros à instalação de um Complexo desta magnitude: disponibilidade de infraestrutura extensiva e conhecimento da cadeia química no Polo Industrial; presença da BASF no Polo há mais de 30 anos; acesso a matérias-primas e utilidades essenciais e parceria estratégica com a Braskem.