Grandes marcas apostam no comércio de rua de Salvador

18/03/2013


Quem mora em grandes centros urbanos conhece bem o transtorno que é deslocar-se pela cidade. A possibilidade de engarrafamento já basta para desanimar o consumidor a sair de casa.


As marcas perceberam isso e, de olho no poder de consumo das classes emergentes, têm apostado no comércio de rua. De acordo com o Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas) o comércio de Salvador tem crescido 7% ao ano, média que é acompanhada por esse nicho.


"Nos anos 70 e 80, pensava-se que os shoppings iam acabar com o comércio de rua. A partir dos anos 2000, a rua começa a fidelizar o consumidor. Hoje grandes marcas nacionais investem nisso", diz o presidente do Sindilojas, Paulo Motta.


São inúmeros os exemplos: Casas Bahia, Insinuante, O Boticário, Ricardo Eletro, Marisa, para citar alguns. Um caso recente é o da Lojas Americanas. Tradicional em shoppings centers da capital baiana, suas três últimas unidades foram instaladas, no ano passado, nas ruas de São Cristóvão, Calçada e Aquidabã.


O consultor especialista em varejo, Umberto Canônico, explica que, apesar dos shopping centers serem concentradores de consumidores, os custos de manter um negócio neles chega a ser três vezes maior que na rua. Com a sofisticação dos shoppings, que gradualmente tornam-se espaços mais voltados às classes A e B, algumas marcas, de cunho popular, tentam preservar esse traço indo às ruas.


"A Americanas é uma marca voltada para as classes C e D, e pode tranquilamente concorrer com as lojas de rua e os ambulantes. Ela nasceu na rua e foi para os shoppings. Voltar para as ruas, com a mudança de perfil dos shoppings, é não perder a característica dela no varejo".


O especialista afirma que algumas franquias vêm apostando em lojas de bairro. "A rentabilidade dessas marcas é gerada pela quantidade de vendas, já que o valor do ticket é baixo".


Poder de compra - O perfil do consumidor de bairro é objetivo. Basicamente uma questão interessa a ele: se a parcela do produto cabe no orçamento. Conforto e serviços variados, atrativos típicos dos shoppings, ficam em segundo plano, ao contrário do que acontece nas classes A e B.


"Nos bairros populosos a característica é comprar no comércio de rua. Esse público não se sente confortável no shopping. O mundo deles, o convívio, é diferente", diz Umberto Canônico.


O Sindilojas estima que 500 mil consumidores de perfil emergente tenham ingressado no mercado consumidor da capital.


A oportunidade de consumo desse público pode ser ampliada, por exemplo, com os cartões de créditos dessas grandes redes de varejo, que não raramente são os primeiros.


"Às vezes o consumidor não tem renda para adquirir o produto e essa é uma faixa de clientes que os cartões não costumam se interessar", diz o coordenador da unidade de comércio e serviço do Sebrae, Rogério Cerqueira.


A empregada doméstica Cláudia Reis, moradora do IAPI, há três meses fez o cartão GBarbosa, que usa na loja Eletro Show da rede inaugurada no bairro no final de 2012. "Ganho desconto se faço compras no cartão e também tem a facilidade de pagamento", afirma. Ela conta que não gosta de frequentar shoppings e costumava comprar esse tipo de produto na Liberdade.


Recentemente adquiriu um tanquinho. O frete saiu pela metade do valor que seria praticado no bairro vizinho. "O dinheiro que usaria para ir até lá gasto aqui".


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